
Os astronautas da missão Artemis entraram na esfera de influência lunar nesta segunda-feira (6 de abril), momento em que a atração da gravidade da Lua se torna mais forte do que a do planeta Terra. A tripulação, que viaja a bordo da cápsula espacial, já começou a observar os primeiros detalhes visuais da face oculta do satélite natural e se prepara para realizar um sobrevoo programado de seis horas.
De acordo com informações do Slashdot, que repercute reportagens originais da NBC News e da Associated Press, os exploradores espaciais buscam quebrar o recorde histórico de distância máxima da Terra estabelecido pela clássica missão Apollo 13. A expectativa da agência espacial é ultrapassar a marca anterior em mais de 6.600 quilômetros. O avanço do programa tem especial relevância para o Brasil, que em 2021 se tornou signatário dos Acordos Artemis, garantindo o alinhamento nacional às diretrizes internacionais de exploração pacífica da Lua e do espaço profundo.
Como é a vista da face oculta da Lua?
Durante uma entrevista transmitida diretamente do espaço para as bases terrestres no último sábado (4 de abril), os tripulantes detalharam suas impressões iniciais sobre as bordas do lado mais distante e inexplorado do satélite. A astronauta da Nasa, Christina Koch, notou que a paisagem visual difere significativamente daquilo que os seres humanos estão acostumados a observar a partir do nosso planeta.
As partes mais escuras simplesmente não estão no lugar certo. E algo em você sente que não é a Lua que estou acostumada a ver
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O comandante da missão, o astronauta Reid Wiseman, classificou o andamento do voo como uma conquista magnífica para a ciência e tecnologia. Ele destacou que a capacidade de contemplar simultaneamente a Terra e a Lua a partir da espaçonave tem provocado um profundo sentimento de admiração em toda a equipe.
A Terra está quase em eclipse total. A Lua está quase em plena luz do dia, e a única maneira de você obter essa visão é estar no meio do caminho entre as duas entidades
Quais são os próximos passos do sobrevoo lunar?
O astronauta canadense Jeremy Hansen confirmou que as imagens fotográficas preliminares enviadas para a Terra são espetaculares, mas ressaltou que elas empalidecem diante da experiência real de olhar pelas janelas da cápsula Orion. O sobrevoo lunar promete revelar áreas da face oculta que permaneceram demasiadamente escuras ou invisíveis para os 24 astronautas do programa Apollo que os antecederam.
A dinâmica espacial trará eventos visuais únicos para toda a tripulação. A geóloga da agência espacial americana, Kelsey Young, afirmou que os observadores conseguirão identificar pedaços definidos do lado distante que nunca foram vistos pela humanidade, incluindo uma boa porção da Bacia Orientale. Entre os fenômenos e marcos esperados durante a fase de aproximação, destacam-se:
- A visualização de um eclipse solar total no exato momento em que a Lua bloquear o Sol, expondo fragmentos brilhantes da coroa solar.
- A aproximação máxima de 6.550 quilômetros da superfície lunar esburacada e acinzentada.
- O registro fotográfico intenso, utilizando tanto as câmeras de qualidade profissional instaladas na espaçonave quanto os smartphones individuais dos astronautas para capturas mais informais e espontâneas.
Como será a comunicação e o retorno da missão Artemis?
A cápsula enfrentará um período técnico de silêncio de rádio de aproximadamente 40 minutos ao passar por trás do satélite natural, perdendo temporariamente o contato com o Controle da Missão. Essa interrupção de comunicação é idêntica ao que ocorria nos antigos lançamentos lunares, visto que as antenas gigantes da Rede de Espaço Profundo (Deep Space Network), operadas na Califórnia, Espanha e Austrália, ficarão sem linha de visão direta.
Após a conclusão do voo na vizinhança lunar, a equipe de exploradores precisará de quatro dias de viagem para retornar ao planeta. O pouso em segurança está planejado para acontecer nas águas do Oceano Pacífico, nas proximidades da cidade de San Diego, no dia 10 de abril. Esta data marcará exatamente nove dias de jornada após o lançamento inicial realizado a partir das instalações na Flórida.
Durante a trajetória final de volta para casa, a agenda de atividades prevê um momento histórico para a exploração aeroespacial global. Os tripulantes realizarão uma conexão via rádio com os profissionais que trabalham a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Será a primeira vez na história que uma equipe em rota lunar terá colegas orbitando no espaço simultaneamente, configurando uma oportunidade única que a equipe não poderia deixar passar.