A cápsula Orion, da missão Artemis II, foi filmada da Estação Espacial Internacional no momento em que reentrava na atmosfera da Terra após um voo ao redor da Lua. As imagens mostram o brilho intenso da nave em alta velocidade nas camadas superiores da atmosfera, em uma das fases mais críticas da missão. De acordo com informações do g1, o material foi cedido pela empresa Sen, que opera um sistema de câmeras em 4K instalado na estação.
O vídeo também foi compartilhado nas redes sociais pelo astronauta canadense Chris Hadfield. Segundo o relato, a Artemis II foi a primeira missão tripulada do novo programa lunar da NASA e levou astronautas ao redor da Lua antes do retorno ao planeta, marcando a volta de humanos às proximidades lunares pela primeira vez desde a Apollo 17, em 1972.
Por que a reentrada da cápsula Orion foi um momento tão delicado?
A reentrada é considerada uma das etapas mais arriscadas de uma missão espacial. Nesse trecho, a cápsula enfrenta temperaturas extremas provocadas pelo atrito com a atmosfera terrestre e pode alcançar velocidades de dezenas de milhares de quilômetros por hora. Apesar desse cenário, os astronautas relataram que a nave teve bom desempenho durante o retorno.
O comandante da missão, Reid Wiseman, afirmou em entrevista coletiva na quinta-feira, dia 16, que a descida foi tranquila quando observada da janela da cápsula. Ele e o piloto Victor Glover disseram que a nave se saiu bem ao longo de toda a missão, incluindo justamente a etapa da reentrada, apontada como a parte mais perigosa do trajeto.
O que aconteceu com o alarme de incêndio na Orion durante a missão?
No penúltimo dia da Artemis II, com a tripulação ainda no espaço, o alarme de incêndio da cápsula disparou, segundo Wiseman. O comandante não detalhou o que acionou o alerta nem explicou quais procedimentos foram adotados para solucionar a ocorrência, mas disse que a situação ficou sob controle em poucos minutos.
“Foi tenso. Não foi assustador, mas foi tenso por alguns minutos até reconfigurarmos tudo”, afirmou.
Wiseman também destacou a importância do treinamento da equipe para lidar com situações inesperadas. Segundo ele, o princípio básico ensinado aos astronautas é evitar reações impulsivas e avaliar as informações disponíveis antes de tomar uma decisão em conjunto com o controle da missão.
“Vamos avaliar a máquina, ver o que ela está nos dizendo, ver o que Houston [o controle de missão da NASA] está nos dizendo, e então tomar uma decisão integrada”, acrescentou.
Como a tripulação descreveu os efeitos do voo ao redor da Lua?
Os dez dias de missão deixaram marcas nos quatro integrantes da tripulação: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Mesmo após o retorno, os astronautas disseram ainda ter dificuldade para processar a experiência vivida.
Koch relatou que acordou convencida de que ainda estava flutuando e se surpreendeu ao ver uma camiseta cair no chão. Já Hansen, em seu primeiro voo espacial, disse ter ficado impressionado com a percepção da profundidade da galáxia vista a olho nu, descrevendo uma sensação que, segundo ele, não pode ser reproduzida com fidelidade por fotos ou vídeos.
- A missão durou dez dias.
- A tripulação teve quatro astronautas.
- O voo levou humanos às proximidades da Lua pela primeira vez desde 1972.
Quais são os próximos passos do programa Artemis?
Na coletiva, os astronautas também comentaram o futuro do programa lunar da NASA. Christina Koch disse considerar viável a existência de uma base permanente na Lua. Wiseman afirmou que, se a missão tivesse contado com um módulo de pouso, a tripulação teria descido à superfície lunar.
A meta da NASA, segundo a reportagem, é voltar a pousar humanos na Lua ainda nesta década, na missão Artemis IV. O programa busca preparar o retorno sustentado à superfície lunar e, no longo prazo, servir de base para futuras viagens tripuladas a Marte.