A arrecadação federal com impostos, contribuições e outras receitas somou R$ 222,1 bilhões em fevereiro de 2026, informou a Receita Federal nesta terça-feira, 24 de março de 2026. O resultado foi registrado no Brasil e representa alta real de 5,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação. Segundo o órgão, o avanço ocorreu principalmente pelo crescimento da contribuição previdenciária e pelo desempenho de tributos como PIS/Cofins, IRRF-Capital e IOF. O valor também foi o maior já registrado para meses de fevereiro desde o início da série histórica, em 1995.
De acordo com informações do G1 Economia, a arrecadação havia somado R$ 210,2 bilhões em fevereiro do ano passado, em valores corrigidos pela inflação. Com isso, o resultado deste ano superou o patamar anterior e estabeleceu um novo recorde para o mês na série histórica da Receita Federal, órgão do Ministério da Fazenda responsável pela administração dos tributos federais.
O que explica o recorde de arrecadação em fevereiro?
Segundo a Receita Federal, o recorde foi impulsionado principalmente pela alta na arrecadação da contribuição previdenciária e pelo comportamento favorável de tributos federais específicos. Entre eles, o órgão destacou o PIS/Cofins, o IRRF-Capital e o IOF, imposto que teve aumento no ano passado.
O resultado também está relacionado, de acordo com o texto original, ao crescimento da economia brasileira e aos aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A combinação desses fatores ajudou a elevar a entrada de recursos nos cofres federais.
- alta na tributação de fundos exclusivos e das offshores;
- mudanças na tributação de incentivos concedidos por estados;
- aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então;
- imposto sobre encomendas internacionais, conhecido como taxa das blusinhas;
- reoneração gradual da folha de pagamentos;
- fim de benefícios para o setor de eventos, no Perse;
- início da taxação das bets;
- aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
- alta na tributação dos juros sobre capital próprio.
Como ficou o resultado no primeiro bimestre?
Nos dois primeiros meses de 2026, ainda segundo os dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 547,9 bilhões sem correção pela inflação. Em valores corrigidos pela variação dos preços, o total chegou a R$ 550,2 bilhões.
Esse montante representa crescimento real de 4,41% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a arrecadação foi de R$ 526,9 bilhões. De acordo com a Receita Federal, também se trata de recorde histórico para o primeiro bimestre.
Qual é a relação entre arrecadação e meta fiscal de 2026?
Assim como nos últimos anos, o governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as contas públicas em 2026. Para este ano, a meta é de saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto, equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões.
Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, há uma faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Na prática, isso significa que a meta será considerada formalmente cumprida se o governo registrar saldo zero ou se alcançar superávit de até R$ 68,6 bilhões, dentro desse intervalo previsto.
O texto também permite retirar desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas, com uso desses recursos para pagamentos como precatórios. Segundo a reportagem original, isso faz com que a previsão prática seja de rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026, mesmo que o cálculo oficial da meta aponte resultado positivo. Se esse cenário se confirmar, as contas do governo deverão permanecer negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.