A arara-azul-de-lear, ave endêmica da Caatinga e de ocorrência exclusiva na Bahia, segue entre as espécies raras do país, apesar do crescimento recente de sua população. No Dia da Caatinga, o tema voltou ao debate com a divulgação de informações sobre a espécie, sua distribuição no norte baiano, suas características e as ameaças que ainda comprometem sua sobrevivência, como tráfico de animais silvestres, destruição do habitat, caça retaliatória e acidentes em linhas de energia. De acordo com informações da Eco Nordeste, o censo de 2024 estimou a população em cerca de 2.548 indivíduos.
A maior parte desses animais vive na Estação Ecológica do Raso da Catarina, entre os rios São Francisco e Vaza-Barris, na Bahia. A reportagem destaca que a expansão da rede elétrica em áreas do bioma, embora ligada ao atendimento de populações humanas sem acesso à eletricidade, pode representar risco quando ocorre sem planejamento adequado, com registros de mortes por descargas elétricas.
Quais são as principais ameaças à arara-azul-de-lear?
A bióloga Thatiana Andrade, coordenadora de Educação Ambiental do Grupo de Pesquisa e Conservação da Arara-azul-de-lear, afirmou que a espécie ainda enfrenta pressões importantes, mesmo após avanços recentes na conservação.
“Apesar do crescimento populacional da arara-azul-de-lear observado nos últimos anos, a espécie ainda enfrenta ameaças significativas”, comenta Thatiana Andrade, bióloga e coordenadora de Educação Ambiental do Grupo de Pesquisa e Conservação da Arara-azul-de-lear.
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Segundo ela, entre os fatores de risco estão a retirada de indivíduos para o tráfico internacional, a destruição do hábitat e a caça retaliatória motivada por prejuízos em lavouras de milho. A pesquisadora também citou novas pressões, como a eletroplessão em linhas de distribuição de energia e a competição por cavidades naturais com abelhas exóticas, o que pode afetar diretamente a sobrevivência da espécie.
- Tráfico internacional de animais silvestres
- Destruição do habitat
- Caça retaliatória em áreas agrícolas
- Mortes em linhas de distribuição de energia
- Competição por cavidades naturais com abelhas exóticas
Que ações de conservação já foram adotadas?
Para tentar reverter o quadro, foi elaborado o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear, o PAN Leari, vigente até 2011. O plano reuniu ações de conservação, pesquisa, fiscalização e educação ambiental. Em 2012, ele foi revisado com o objetivo de manter o crescimento populacional da espécie até 2017, além de garantir e ampliar a qualidade das áreas de ocorrência e envolver comunidades humanas da região na conservação.
De acordo com o texto original, o PAN Leari foi encerrado em maio de 2017 com 37% das ações concluídas, 29% iniciadas e não concluídas no prazo e 34% não iniciadas no período previsto. Após o encerramento, a espécie foi incluída no Plano de Ação Nacional para Conservação de Aves da Caatinga.
O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, o Cemave, monitora a população desde 2001 em parceria com diferentes instituições e pessoas. Esse acompanhamento é feito por meio de censos simultâneos em dormitórios localizados em árvores e paredões rochosos. A recuperação observada nos últimos anos é atribuída, segundo a reportagem, ao programa de conservação e às ações desenvolvidas com comunidades locais.
Onde a espécie vive e como foi localizada?
A área de ocorrência da arara-azul-de-lear permaneceu desconhecida por mais de um século. A reportagem informa que exemplares foram conhecidos por colonizadores em 1823, quando aves foram enviadas a zoológicos da Europa, mas sem indicação precisa de sua procedência. A redescoberta começou a tomar forma por volta de 1950, quando o ornitólogo brasileiro Olivério Mário de Oliveira Pinto encontrou um exemplar cativo em Juazeiro, na Bahia, e indicou uma provável região de ocorrência no Nordeste.
Já a localização efetiva da população silvestre ocorreu em dezembro de 1978, quando o ornitólogo alemão Helmut Sick e sua equipe encontraram 21 aves na região da Toca Velha, a cerca de 11 quilômetros de Canudos, na Bahia. Atualmente, a espécie vive em uma área extremamente restrita no sertão baiano, na Ecorregião do Raso da Catarina, em municípios como Canudos, Euclides da Cunha, Jeremoabo, Glória, Paulo Afonso, Monte Santo, Sítio do Quinto, Santa Brígida e Rodelas. Também há população dependente de manejo no entorno do Parque Nacional Boqueirão da Onça, em Campo Formoso e Sento Sé.
Quais são as características e a alimentação da arara-azul-de-lear?
A espécie mede entre 70 e 75 centímetros e pesa em torno de 900 gramas. Tem bico negro, cauda comprida e plumagem azul menos brilhante do que a da arara-azul-grande, com mancha amarela junto ao bico mais evidente. A cabeça e o pescoço são azul-esverdeados, enquanto costas, asas e parte superior da cauda têm coloração azul-cobalto.
Na alimentação, o principal destaque é o licuri, palmeira cujos cocos são consumidos em grande quantidade. A reportagem informa que a ave pode ingerir mais de 100 cocos em um único dia. Durante a busca por alimento, ao menos uma arara permanece em posição de vigilância em galhos mais altos, em revezamento com o grupo. O texto também destaca que o licuri atua como principal fonte alimentar e também como fonte de água para a espécie.