Oliver Schusser, vice-presidente da Apple responsável pelo Apple Music, afirmou em entrevista publicada em 24 de abril de 2026 que a plataforma trata o áudio espacial como principal padrão de qualidade sonora, enquanto o áudio sem perdas, conhecido como lossless, fica em segundo plano. Segundo o executivo, isso ocorre porque a maioria dos ouvintes não percebe diferença prática no formato lossless, especialmente em usos cotidianos, com equipamentos comuns e fora de ambientes controlados. De acordo com informações do Mundo Conectado, a declaração foi dada em conversa com Kristin Robinson, do Billboard.
Na entrevista, Schusser explicou que mudanças em padrões de áudio historicamente levam tempo para serem assimiladas pela indústria e pelo público. Nesse contexto, ele disse que o áudio espacial foi desenvolvido com dois critérios centrais: oferecer uma diferença perceptível para o público em geral e funcionar no maior número possível de dispositivos, inclusive fora do ecossistema da Apple.
Por que o Apple Music dá mais destaque ao áudio espacial?
De acordo com o relato, a avaliação da empresa é que o áudio espacial entrega uma mudança mais facilmente identificável para a maior parte dos usuários. Já o áudio lossless, embora tecnicamente superior em determinadas condições, exigiria circunstâncias mais específicas para que suas vantagens fossem percebidas com clareza.
Schusser afirmou que, em um teste cego realizado apenas com um iPhone e fones de ouvido comuns, até profissionais da indústria musical teriam dificuldade para identificar o formato sem perdas. Na mesma conversa, Kristin Robinson concordou com essa avaliação. A conclusão apresentada pelo executivo é que muitos fãs simplesmente não conseguem notar a diferença no uso diário.
O suporte a áudio lossless foi deixado de lado?
Segundo a entrevista, não. O Apple Music continua oferecendo suporte a arquivos em qualidade lossless, mas a prioridade estratégica da plataforma está concentrada naquilo que, na visão da empresa, produz efeito perceptível para mais assinantes. A posição descrita por Schusser é a de direcionar esforços para recursos com maior impacto prático no consumo diário.
O executivo também reconheceu que existe um grupo de ouvintes capaz de distinguir as nuances do áudio sem perdas. Ainda assim, ele indicou que esse público seria menor e, com frequência, dependeria de equipamentos especializados e de ambientes silenciosos para aproveitar a qualidade adicional.
Em que situações a diferença do lossless tende a ser menos perceptível?
A entrevista cita contextos cotidianos em que até ouvintes experientes teriam dificuldade para perceber benefícios do formato. Entre os exemplos mencionados estão deslocamentos no metrô, treinos na academia e viagens de avião, cenários marcados por ruído ambiente e condições pouco ideais para escuta crítica.
- uso com iPhone e fones de ouvido comuns;
- escuta fora de ambientes controlados;
- situações de ruído, como transporte público, academia e avião;
- necessidade eventual de equipamentos especializados para notar diferenças.
Com isso, a aposta da plataforma, segundo Schusser, é oferecer o maior benefício possível ao maior número de pessoas, ainda que isso não signifique destacar o formato tecnicamente mais avançado em todas as situações.
Que outros temas foram abordados na entrevista?
A conversa também tratou de rotatividade de assinantes, música gerada por inteligência artificial e modelos gratuitos adotados por concorrentes. Schusser declarou que o Apple Music tem a menor taxa de cancelamento de assinaturas da indústria, mas não apresentou números absolutos durante a entrevista.
Sobre conteúdos produzidos por inteligência artificial, o executivo afirmou que o volume ainda é residual na plataforma. Segundo ele, esse tipo de música representa menos de 0,5% do consumo total no serviço. Já em relação aos planos gratuitos mantidos por empresas concorrentes, Schusser os classificou como um mecanismo de marketing de baixo custo, ao avaliar que as gravadoras autorizam o uso do catálogo como ferramenta de promoção para atrair usuários e tentar convertê-los em assinantes pagos.
As declarações reforçam uma visão pragmática apresentada pelo executivo: mais do que defender o padrão de maior fidelidade técnica em qualquer cenário, o Apple Music estaria priorizando recursos cuja diferença possa ser percebida de forma mais imediata por uma base ampla de usuários.