A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a empresa BusX Ltda, vinculada ao Grupo Catedral, a operar 98 novos trechos de ônibus rodoviários interestaduais em todo o Brasil. A liberação, anunciada na primeira janela de solicitações das novas regras do setor, ocorreu em maio de 2026 e foca predominantemente em trajetos que não possuíam atendimento anterior.
De acordo com informações do Diário do Transporte, a agência reguladora aprovou um total de 47.291 solicitações em todo o país. Com essa medida administrativa, o número global de mercados autorizados deve saltar de 33.961 para 72.340, representando um expressivo crescimento de 113% na oferta teórica de rotas rodoviárias interestaduais para os passageiros.
Como a ANTT dividiu as novas rotas aprovadas?
A distribuição das rotas aprovadas pela agência federal prioriza a expansão do serviço para locais isolados e o fomento da livre concorrência. Do total geral liberado no território nacional, o órgão classificou as linhas solicitadas da seguinte maneira estrutural:
- 38.379 referem-se a mercados desatendidos, onde não havia nenhuma oferta de viagem por ônibus regular;
- 8.912 são considerados mercados monopolistas, operados até o momento por apenas uma viação;
- 5.459 trechos, montante equivalente a 11,5% do total, passarão futuramente por um processo seletivo público.
No caso específico das liberações voltadas para a BusX, 90 ligações foram concedidas em áreas que não tinham qualquer tipo de cobertura viária interestadual. Trajetos longos como Araripina em Pernambuco a Guarulhos em São Paulo, e Simões Filho na Bahia a Teresina no Piauí, estão entre as novidades confirmadas. As oito concessões restantes envolvem trechos operados por empresas únicas, a exemplo da rota entre Crato, no Ceará, e Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Qual é a participação de plataformas na nova regulamentação?
A abertura do mercado de transportes rodoviários atraiu de forma incisiva empresas de tecnologia que operam passagens via aplicativo. A gigante multinacional FlixBus obteve permissão para explorar 1.230 mercados diretamente com sua marca própria. Desse volume volumoso, 1.158 correspondem a rotas inéditas sem atendimento prévio, e 72 incidem sobre trajetos onde já existia uma operadora tradicional estabelecida.
A plataforma Buser, que se notabilizou no Brasil pelo modelo de fretamento colaborativo, adotou uma estratégia corporativa diferente para participar desta expansão da agência reguladora. A companhia assegurou 27 mercados oficiais não em seu próprio CNPJ, mas por meio de duas viações de linhas regulares recém-adquiridas por sua holding administrativa: a Transportes Santa Maria e a Expresso JK. Dessas rotas, 26 são inéditas e uma visa promover a concorrência direta no trecho entre Contagem e Três Rios.
As novas linhas rodoviárias têm viabilidade garantida?
Apesar dos números robustos anunciados pelo governo federal nas publicações, especialistas do setor de transporte e entidades ligadas ao segmento de aplicativos, como a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, avaliam os resultados com extrema cautela mercadológica. A principal preocupação evidenciada é que as autorizações firmadas no papel não se traduzam automaticamente em ônibus circulando pelas rodovias.
Muitas empresas cadastradas podem não conseguir cumprir todas as exigências técnicas estipuladas pela agência para colocar a frota na rua. Além disso, rotas traçadas em regiões geográficas muito isoladas apresentam severas dificuldades logísticas. Como avaliou detalhadamente o advogado Ilo Löbel da Luz, profissional especializado nas diretrizes de transportes rodoviários:
Grande parte dos mercados concedidos não vai ser operada, porque muitos destes mercados não são viáveis ou não conseguem compor uma linha rentável na prática. Resumindo: a janela no final pode ser uma grande ilusão.