A Anthropic informou que está discutindo seu modelo de inteligência artificial de fronteira, o Claude Mythos, com a administração de Donald Trump, mesmo após o Pentágono ter proibido o uso da empresa e de suas ferramentas por questões ligadas à cadeia de suprimentos e à segurança nacional. A declaração foi feita nesta segunda-feira, 13 de abril, pelo cofundador Jack Clark durante o evento Semafor World Economy, em Washington, nos Estados Unidos. De acordo com informações do Olhar Digital, a empresa sustenta que a disputa contratual com o Departamento de Defesa não altera seu interesse em tratar do tema com o governo.
Segundo o relato, a restrição imposta pelo Pentágono ocorreu após um impasse sobre salvaguardas para o uso militar das ferramentas de IA da companhia. No mês passado, a agência classificou a Anthropic como um risco da cadeia de suprimentos, o que levou à proibição de uso pelo próprio Pentágono e também por seus contratados. Ainda assim, a empresa afirma manter conversas com autoridades sobre o Mythos e sobre futuros modelos.
O que Jack Clark disse sobre as conversas com o governo?
Durante o evento em Washington, Jack Clark afirmou que a empresa segue disposta a dialogar com o governo dos Estados Unidos sobre seus sistemas de inteligência artificial. Ele reconheceu a existência de uma disputa contratual, mas indicou que o tema não deve interromper as tratativas sobre segurança nacional e sobre as capacidades dos modelos desenvolvidos pela Anthropic.
“Temos uma disputa contratual restrita, mas não quero que isso atrapalhe o fato de que nos importamos profundamente com a segurança nacional”
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Na sequência, Clark afirmou que o governo precisa conhecer esse tipo de tecnologia e disse que a empresa está em contato com as autoridades sobre o Mythos e também sobre os próximos modelos. A fala sugere uma tentativa de manter aberto o canal institucional, mesmo em meio ao embate com o setor de defesa.
“Nossa posição é que o governo tem que saber sobre essas coisas… Então, absolutamente, estamos conversando com eles sobre o Mythos e vamos conversar com eles sobre os próximos modelos também.”
Por que o Pentágono proibiu a Anthropic?
O motivo apontado no texto original foi uma disputa entre a Anthropic e o Pentágono sobre as salvaguardas aplicáveis ao uso militar de suas ferramentas de IA. Como resultado, a empresa foi classificada como risco da cadeia de suprimentos no mês passado. Essa classificação levou ao bloqueio do uso de seus produtos tanto pelo Departamento de Defesa quanto por empresas contratadas pelo órgão.
O caso também chegou à Justiça. Na semana passada, um tribunal federal de apelações de Washington, D.C., recusou-se, por ora, a bloquear a lista negra de segurança nacional aplicada pelo Pentágono à Anthropic. A decisão representou uma vitória para a administração Trump, segundo o texto de origem, e ocorreu após outro tribunal de apelações ter chegado a conclusão oposta em um processo separado movido pela empresa.
- A Anthropic foi classificada como risco da cadeia de suprimentos pelo Pentágono.
- O uso de suas ferramentas foi proibido pelo órgão e por contratados.
- Um tribunal de apelações manteve, por enquanto, a lista negra de segurança nacional.
- As conversas com o governo sobre o Mythos continuam, segundo Jack Clark.
O que é o Claude Mythos e por que ele chama atenção?
O Claude Mythos foi anunciado em 7 de abril e descrito pela Anthropic, em publicação de blog citada no texto, como seu modelo “ainda mais capaz” para codificação e tarefas agênticas. A referência a tarefas agênticas diz respeito à capacidade do sistema de atuar de forma autônoma em determinadas atividades.
Especialistas ouvidos pela Reuters, também mencionada no artigo original, afirmaram que as capacidades avançadas de programação do modelo podem lhe dar uma habilidade potencialmente sem precedentes para identificar vulnerabilidades de segurança cibernética e elaborar formas de explorá-las. O texto, no entanto, não detalha quais medidas de contenção ou controle estariam sendo discutidas entre a empresa e o governo dos Estados Unidos.
Também não ficaram claros, até o momento citado na reportagem original, a natureza exata das conversas da Anthropic com o governo nem quais agências estariam envolvidas nas tratativas. Assim, o quadro descrito é o de uma empresa que segue buscando interlocução com a administração federal enquanto enfrenta restrições formais no âmbito do Departamento de Defesa.