A Amazon confirmou nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, um acordo definitivo para comprar a Globalstar por US$ 11,57 bilhões, em uma operação que também inclui parceria com a Apple para ampliar a conectividade via satélite em modelos atuais e futuros de iPhone e Apple Watch. O negócio foi anunciado no contexto da expansão do projeto de órbita baixa da empresa, o Amazon Leo, e busca incorporar serviços diretos para dispositivos em áreas sem cobertura de redes celulares terrestres. De acordo com informações do Convergência Digital, a transação ainda depende de aprovações regulatórias e metas operacionais.
Com a aquisição, a Amazon passa a incorporar a infraestrutura da Globalstar, cerca de 30 satélites e, sobretudo, o espectro de radiofrequência da empresa, que tem autorizações globais para serviços móveis via satélite. A combinação desses ativos com a constelação do Amazon Leo deve ampliar a cobertura móvel em regiões remotas ou de difícil acesso, com oferta de conectividade para consumidores, empresas e governos.
O que muda com a compra da Globalstar pela Amazon?
Segundo o anúncio, os sistemas atuais e as futuras gerações de satélites da Globalstar devem operar em conjunto com a rede da Amazon. A proposta é formar uma rede híbrida de serviços fixos e móveis via satélite, reunindo a estrutura já existente da Globalstar com a expansão planejada pela companhia de Jeff Bezos no segmento de órbita baixa.
O acordo também reforça a estratégia da Amazon no mercado de conectividade direta para dispositivos, conhecido como direct-to-device, ou D2D. Esse modelo permite que aparelhos se conectem por satélite mesmo fora do alcance das redes móveis tradicionais, ampliando a resiliência das comunicações e abrindo espaço para usos em logística, internet das coisas, operações governamentais e conectividade rural.
Como fica a parceria com a Apple e os iPhones?
O anúncio inclui uma parceria com a Apple para que o sistema Amazon Leo forneça conectividade via satélite a modelos atuais e futuros de iPhone e Apple Watch. A integração deverá permitir funções como envio de mensagens de emergência, comunicação com contatos, solicitação de assistência em estradas e compartilhamento de localização mesmo em áreas sem cobertura convencional.
Atualmente, a Apple já usa a infraestrutura da Globalstar em recursos como o Emergency SOS via satélite, disponível em dispositivos lançados a partir do iPhone 14. Com o novo acordo, a Amazon assumirá esse suporte e passará a colaborar no desenvolvimento de futuras funcionalidades ligadas a esse tipo de conectividade.
Qual é o impacto para o projeto Amazon Leo?
A operação ocorre em um momento em que a banda larga via satélite ganha espaço como alternativa para ampliar a cobertura em locais de difícil acesso. No entanto, a Amazon ainda está atrás da própria meta de expansão de sua constelação, anteriormente conhecida como projeto Kuiper e agora renomeada para Amazon Leo.
De acordo com o texto original, a empresa tem cerca de 180 satélites em órbita e pediu à Federal Communications Commission, agência reguladora dos Estados Unidos, uma dispensa ou prorrogação do prazo para alcançar 1.600 satélites em órbita até julho. O plano da companhia prevê o lançamento de um sistema próprio de comunicação direta com dispositivos a partir de 2028.
- A operação envolve cerca de 30 satélites da Globalstar
- A Amazon passa a controlar frequências autorizadas globalmente
- O sistema D2D próprio está previsto para 2028
- A conclusão da transação é esperada para 2027
Quais são os próximos passos da transação?
Pelos termos divulgados, acionistas da Globalstar poderão escolher entre receber US$ 90 por ação em dinheiro ou ações da Amazon, com mecanismos de ajuste e limitação de pagamento em caixa. A operação já conta com aprovação de acionistas que representam cerca de 58% do poder de voto da empresa.
A conclusão do negócio está prevista para 2027, desde que sejam cumpridas as exigências regulatórias e operacionais. Se confirmada, a compra reforça a competição no mercado global de satélites de órbita baixa, em que a conectividade direta com dispositivos é tratada como uma frente estratégica para ampliar a comunicação em escala global.