A Allbirds, marca de tênis de lã associada ao público do Vale do Silício, acertou a venda de todos os seus ativos e de sua propriedade intelectual para a American Exchange Group por US$ 39 milhões. O acordo, divulgado em 30 de março de 2026, ainda depende da aprovação dos acionistas e tem conclusão prevista para o segundo trimestre, com distribuição dos recursos aos investidores esperada para o terceiro trimestre. De acordo com informações do TechCrunch, o valor da operação equivale a cerca de um décimo dos US$ 348 milhões levantados pela companhia em seu IPO de 2021, quando a empresa chegou a atingir avaliação superior a US$ 4 bilhões no primeiro dia de negociação.
Embora se trate de uma empresa americana, o caso chama atenção também no Brasil por ilustrar os riscos de expansão acelerada e de reprecificação de marcas de consumo listadas em bolsa, tema acompanhado por investidores e pelo varejo no país. A Allbirds ganhou projeção internacional no segmento de calçados casuais e sustentáveis, um nicho que também influencia movimentos de marca e posicionamento no mercado brasileiro.
A reação imediata do mercado foi positiva: as ações da Allbirds subiram 36% no after-hours após a notícia. Antes disso, os papéis haviam encerrado 30 de março cotados a US$ 2,98, o que atribuía à empresa valor de mercado de US$ 24,5 milhões. Nesse contexto, o preço de venda de US$ 39 milhões representou um prêmio em relação ao nível em que a companhia vinha sendo negociada.
O que está incluído na venda da Allbirds?
Segundo o texto original, a transação prevê a venda de todos os ativos da Allbirds e também de sua propriedade intelectual para a American Exchange Group. A compradora é descrita como uma empresa privada de gestão de marcas, com 18 anos de atuação, e dona de marcas como Aerosoles e Jonathan Adler.
O fechamento do negócio ainda depende de uma etapa formal de aprovação dos acionistas. Se esse aval for concedido, a expectativa é que a conclusão ocorra no segundo trimestre. Depois disso, os recursos obtidos com a operação deverão ser distribuídos aos acionistas em algum momento do terceiro trimestre.
- Aprovação dos acionistas ainda é necessária
- Conclusão do acordo é esperada no segundo trimestre
- Distribuição dos recursos aos acionistas é prevista para o terceiro trimestre
Por que a venda chama atenção em relação ao IPO?
A operação ganha relevância porque evidencia a diferença entre o valor atual do negócio e o entusiasmo que cercou a empresa quando abriu capital em 2021. Naquele momento, a Allbirds levantou US$ 348 milhões no IPO. No primeiro dia de negociação, sua avaliação chegou a superar US$ 4 bilhões, patamar muito acima do preço acertado agora para a venda dos ativos.
O contraste ajuda a dimensionar a trajetória de queda da companhia desde a abertura de capital. O texto informa que o recuo da marca foi amplamente documentado nos anos seguintes, tornando a venda por US$ 39 milhões um marco simbólico do encolhimento do negócio em comparação com o pico de valorização visto no mercado.
Como a Allbirds perdeu força após abrir capital?
Após o IPO, a Allbirds ampliou sua atuação de forma agressiva, tanto no varejo físico quanto em categorias adjacentes de produtos. Entre os itens citados estão leggings, jaquetas e tênis de corrida de performance. De acordo com a reportagem original, essa expansão não se conectou com os clientes centrais da marca.
Como consequência, as perdas financeiras se acumularam. O cofundador Tim Brown reconheceu posteriormente que o ritmo acelerado de crescimento trouxe custos para a identidade da empresa.
“parte do nosso DNA.”
A declaração foi usada para resumir o entendimento interno de que a expansão rápida demais comprometeu elementos que ajudavam a definir a marca. O texto original não acrescenta outros detalhes sobre eventuais mudanças operacionais futuras após a aquisição pela American Exchange Group.
Quem é a compradora American Exchange Group?
A American Exchange Group é apresentada como uma empresa privada de gestão de marcas com 18 anos de atuação. Além de assumir os ativos e a propriedade intelectual da Allbirds, a companhia também controla marcas como Aerosoles e Jonathan Adler.
Com esse acordo, a Allbirds caminha para encerrar um ciclo iniciado há 11 anos, depois de passar de símbolo de consumo no setor de tecnologia a uma venda por valor muito inferior ao que arrecadou na abertura de capital. O caso também reforça como a avaliação de mercado de empresas de consumo pode mudar de forma significativa em poucos anos, especialmente quando a expansão não encontra resposta do público principal.