A startup de educação Alicerce, operando internacionalmente sob a holding Aliquest, captou US$ 20 milhões em uma rodada de investimentos da série B para expandir seu modelo de reforço escolar do Brasil para os Estados Unidos. A operação, revelada nesta semana, visa aplicar a metodologia de aulas de recomposição de aprendizagem para alunos no contraturno escolar americano, adaptando um sistema criado há sete anos para atender famílias de baixa renda e combater a defasagem educacional estrutural.
De acordo com informações da Capital Reset, a captação milionária contou com a participação de diversos empresários americanos ligados à Young Presidents Organization, além do apoio de 20 atuais acionistas da companhia. Com o novo aporte financeiro, a holding alcançou uma avaliação de mercado de US$ 100 milhões antes da entrada dos recursos, o equivalente ao dobro do valor registrado em sua rodada anterior de série A, que ocorreu no ano de 2021.
Como funcionará a expansão da Alicerce no mercado americano?
A entrada no território norte-americano ocorrerá por meio de parcerias diretas com instituições de ensino locais. O fundador e CEO da Aliquest, Paulo Batista, explica que a iniciativa foca em utilizar a própria infraestrutura escolar existente e os professores locais. Os profissionais recebem cerca de US$ 40 por hora extra para lecionar disciplinas fundamentais, como matemática e leitura, logo após o término das aulas regulares diárias.
“As aulas terminam às 15h. Se o professor precisar de dinheiro, ele vai dirigir um Uber ou vai ser técnico do time de beisebol, por exemplo”
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, detalhou o executivo, ressaltando a oportunidade de reter o talento docente nas próprias escolas e gerar renda adicional para educadores.
Um projeto piloto conduzido durante um ano em uma escola privada com financiamento público no estado do Colorado apresentou resultados expressivos. Os alunos participantes recuperaram, em média, um ano e meio de atraso escolar, enquanto os estudantes que permaneceram fora do programa continuaram estagnados em seu desenvolvimento cognitivo.
Quais são os principais fatores que motivaram a internacionalização?
A decisão de iniciar a expansão global da empresa pelos Estados Unidos baseia-se em uma combinação de elementos estratégicos e deficiências educacionais. O país norte-americano oferece maior acesso a capital e possui um ecossistema maduro focado em investimentos de impacto. Além disso, o desempenho dos estudantes americanos no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, conhecido mundialmente pela sigla Pisa, preocupa as autoridades públicas e especialistas locais.
Para contextualizar a situação global de aprendizagem, os dados oficiais do Pisa mostram os seguintes cenários:
- Apenas três por cento dos alunos no Brasil atingem um nível considerado adequado de conhecimento aplicado.
- Nos Estados Unidos, o índice de proficiência adequada chega a 25 por cento dos jovens avaliados.
- Na China, a taxa de sucesso alcança 75 por cento dos estudantes inseridos no sistema educacional.
“O problema da educação nos Estados Unidos é uma questão de segurança nacional. Na era da IA, o que vai separar uma distopia de uma utopia é a capacidade de reduzir a desigualdade de acesso à educação básica”
, afirmou o fundador da startup educacional.
Qual é a atual estrutura de negócios e o planejamento futuro da startup?
No modelo americano, as famílias de baixa renda poderão utilizar vouchers provenientes de programas estaduais e federais para custear parte do reforço oferecido pela Aliquest. A empresa de impacto já contratou cinco professores e pretende implementar a metodologia de ensino em pelo menos 30 escolas distribuídas nos estados da Flórida, Geórgia e Colorado até o mês de dezembro deste ano.
No mercado brasileiro, a Alicerce atende atualmente cerca de 40 mil alunos, que estão divididos em três frentes principais de atuação corporativa e social:
- Negócios diretos com famílias, que representam oito por cento dos alunos, concentrados em seis unidades na região metropolitana de Curitiba.
- Parcerias corporativas, abrangendo 22 por cento do volume com clientes de grande porte, como a construtora MRV, a locadora Localiza e a empresa de energia Eneva.
- Contratos governamentais, operados sem fins lucrativos pelo Instituto Alicerce, que concentram 70 por cento dos estudantes por meio de parcerias estratégicas com 25 prefeituras estabelecidas em sete estados brasileiros.
O planejamento estratégico de longo prazo da holding prevê a chegada das operações educacionais a 30 países até o ano de 2030, com o objetivo ambicioso de alcançar 100 nações no futuro. Enquanto as operações contínuas nas Américas seguirão sob gestão direta dos fundadores, a expansão comercial projetada para a Ásia, Europa e África adotará um modelo escalável de franquias regionais.