A Alares passará a ser a maior ISP competitiva de São Paulo após a aquisição da Desktop pela Claro, segundo informou o setor de telecomunicações nesta quinta-feira, 17 de abril de 2026. A mudança reposiciona a empresa no mercado paulista, onde hoje ela aparece atrás de Vivo, Claro e Desktop, e decorre de uma trajetória de crescimento baseada em expansão orgânica, compras de operadoras regionais e modernização de rede. De acordo com informações do Teletime, a companhia terá cerca de 370 mil clientes no estado.
Mesmo com a nova posição entre os provedores independentes, a distância em relação às grandes teles continua ampla. O texto informa que a Claro deverá somar cerca de seis milhões de clientes em São Paulo depois de concluir a compra da Desktop, enquanto a Vivo tem quase cinco milhões no estado. Ainda assim, o novo lugar da Alares é tratado pela empresa como um marco competitivo e um sinal da consolidação de sua estratégia de crescimento.
Como a Alares chegou a essa posição em São Paulo?
Segundo o CEO Denis Ferreira, a presença atual da empresa no estado é resultado de um plano iniciado antes da atual configuração do mercado. Ele relembra que, quando o fundo Grain comprou o grupo Conexão, a cobertura principal estava concentrada no Rio Grande do Norte e no Ceará, com participação pequena em São Paulo e no Sul de Minas.
“Quando a Grain (fundo de investimentos) comprou o grupo Conexão, na época, nossa cobertura principal estava no Rio Grande do Norte e Ceará. Havia apenas um pequeno pedaço de São Paulo e Sul de Minas”, afirma.
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Em 2022, o Grupo Conexão foi reestruturado e passou a operar como Alares. A partir desse momento, a companhia desenvolveu um modelo para acelerar integrações após aquisições, o que, segundo o executivo, permitiu ampliar a operação com mais rapidez. Ferreira afirmou que a última compra foi totalmente integrada em três meses.
Quais aquisições impulsionaram a expansão da empresa?
As compras de ativos regionais tiveram papel central na formação da atual base paulista da Alares. O avanço ocorreu em diferentes etapas e ampliou a presença territorial da companhia no interior, no sul do estado e no litoral.
- A aquisição da Webby acrescentou 115 mil assinantes e ampliou a presença da região de Marília até Presidente Prudente.
- Em 2024, a compra da Azza Telecom adicionou 140 mil assinantes, cobrindo do sul de São Paulo ao litoral.
- No fim de 2025, a IPNet foi incorporada com 25 mil assinantes, complementando a área da Azza.
De acordo com a reportagem, São Paulo hoje representa 45% da base da Alares no Brasil. Além das aquisições, a operadora também investiu em crescimento orgânico, com reforço de redes e expansão em áreas já atendidas. A empresa ainda iniciou operações greenfield em cidades como Limeira, Rio Claro, Araras e Atibaia, usando tecnologia XGS-PON.
“A opção pelo XGS-PON, juntamente com a oferta combinada com WiFi 6, foi exatamente para a gente ter argumentos diferentes. Que gerassem mais competitividade, novos argumentos de vendas”, afirma o CEO.
Qual será a estratégia para competir com Vivo e Claro?
A Alares afirma que pretende manter uma estratégia voltada à criação de valor, sem entrar em disputa baseada apenas em preço. Segundo Denis Ferreira, a companhia busca ampliar a percepção de qualidade e diferenciação dos serviços oferecidos aos clientes.
“Nós não entramos em guerra de preço. O que nós fazemos é sempre colocar cada vez mais valor percebido para o nosso cliente”, afirma Ferreira.
Nesse movimento, a empresa lançou o serviço de streaming Alares Play e também ampliou sua atuação no segmento B2B. O foco inclui soluções para condomínios, com serviços de segurança e controle de acesso. Paralelamente, a operadora trabalha em um projeto de infraestrutura descrito como AI-ready, com atualização do core operacional, expansão da capacidade de edge computing, agregação e cibersegurança. A expectativa é concluir essa etapa até o meio do ano.
“Quando você entra num mundo de demanda por inteligência artificial, preparar a sua rede passa a ser um desafio. Depois a gente vai vender isso para os clientes, no caso do B2B”, explica Denis Ferreira.
A empresa pretende continuar comprando ativos e entrar no móvel?
Segundo o CEO, a estratégia de crescimento por aquisições continuará. A companhia afirma que seguirá observando oportunidades que façam sentido em três frentes principais:
- mercado do ativo e complementariedade;
- qualidade do ativo;
- alinhamento de governança e cultura.
“Nós vamos continuar fazendo inorgânico, nós vamos continuar sendo protagonistas na consolidação do mercado”, afirma Ferreira.
Ao mesmo tempo, a Alares diz não ter intenção de entrar no segmento móvel no curto prazo. Ferreira reiterou que esse movimento não faz parte do planejamento imediato da companhia, mesmo com o avanço de outros operadores em São Paulo.
“Não faz parte do nosso plano de curto prazo (trabalhar com o segmento móvel). A gente não vê essa necessidade premente de ter esse serviço”, declara o CEO.