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Agentes de IA redefinem o C-level, mas decisão humana segue central

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Os agentes de IA estão mudando a forma como CEOs, CIOs e CTOs atuam nas empresas, mas a tomada de decisão humana continua no centro da estratégia corporativa, segundo defenderam Dell Technologies e Whirlpool durante um painel no VTEX Day, realizado na última quinta-feira, 16 de abril de 2026. O debate ocorreu no evento com falas de Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil, e Roberta Nogueira, CIO da Whirlpool na América Latina, sobre como a inteligência artificial vem alterando processos, cultura organizacional e rotinas de liderança. De acordo com informações do IT Forum, a avaliação dos executivos é que a tecnologia deve servir para ampliar eficiência sem substituir o papel humano nas escolhas estratégicas.

Durante a discussão, os executivos afirmaram que a IA não deve ser tratada apenas como uma ferramenta de tecnologia da informação, mas como um recurso capaz de redesenhar a maneira como os negócios são conduzidos. Ao mesmo tempo, defenderam que a incorporação desses sistemas exige transformação cultural e revisão de processos internos, para evitar o uso da tecnologia em atividades que não geram valor real.

Por que Dell e Whirlpool dizem que a decisão humana continua indispensável?

Ao abordar os riscos da adoção apressada da inteligência artificial, Diego Puerta afirmou que um dos problemas atuais é a chamada “automação do inútil”, quando empresas aceleram com tecnologia processos que sequer deveriam continuar existindo. Na avaliação dele, o avanço dos agentes autônomos pode aumentar produtividade, mas não elimina a necessidade de julgamento humano, especialmente em contextos que dependem de racionalidade, experiência e interpretação situacional.

“O mantra que temos é: AI escala, o homem decide. O trabalho repetitivo e pouco excitante precisa ser revisto, abrindo oportunidades em frentes onde a racionalidade e o contexto humano são insubstituíveis”

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Puerta comparou o momento atual a debates anteriores sobre transformação digital, como o temor de que o comércio eletrônico acabaria com as lojas físicas. Segundo ele, a combinação entre pessoas e máquinas tende a gerar resultados mais amplos do que a substituição pura e simples de uma ponta pela outra.

Como a Whirlpool tem aplicado IA na operação industrial?

Na Whirlpool, a estratégia passa por aproximar a adoção da IA da rotina concreta dos trabalhadores. Roberta Nogueira citou a “Fábrica do Futuro”, na unidade de Rio Claro, em São Paulo, como um hub de automação e robótica voltado à melhoria da operação. Segundo ela, a companhia tem apostado na capacitação das equipes de manufatura para identificar, a partir da experiência prática, onde a inteligência artificial pode otimizar o uso de dados na produção.

“Capacitamos o time de manufatura, que conhece profundamente a operação, para que eles mesmos identifiquem onde a IA pode otimizar os dados da produção. Quando o funcionário vê valor real no trabalho dele, a mudança ocorre naturalmente”

Ao responder sobre a comparação entre a atual revolução da IA e a robotização das fábricas, a executiva afirmou que a diferença está na capacidade da tecnologia de organizar fluxos de informação e detectar padrões em uma velocidade fora do alcance humano. Ainda assim, ressaltou que a definição do que fazer com esses achados continua sob responsabilidade das pessoas.

“A IA resolve problemas que antes não tínhamos sequer capacidade computacional para descobrir que existiam, mas ainda é função humana tomar as decisões”

Quais exemplos práticos foram citados no painel?

O painel também apresentou casos concretos de uso corporativo da tecnologia. Segundo Puerta, um grande terminal portuário utilizou agentes de IA para melhorar o aproveitamento de espaço físico limitado. O sistema passou a processar variáveis em tempo real, como fluxo de navios, clima e safra, para apoiar a operação sem retirar dos operadores experientes o poder de decisão.

No setor de consumo, Roberta Nogueira afirmou que a Brastemp usa agentes para personalizar a jornada de compra. A tecnologia, segundo ela, ajuda a compreender diferentes configurações familiares e a sugerir produtos mais adequados ao espaço e à rotina de cada cliente.

“O consumidor é diferente e a IA nos permite tratar essa complexidade de forma tranquila, garantindo que o produto atenda à necessidade real de quem compra”

  • Na indústria, a IA foi associada à otimização de dados de produção.
  • Na logística, foi citada para apoio ao uso mais eficiente de espaço e variáveis operacionais.
  • No consumo, apareceu como ferramenta de personalização da jornada de compra.
  • Em todos os exemplos, a decisão final permaneceu com profissionais humanos.

Ao fim do debate, Puerta defendeu uma visão de futuro em que a inteligência artificial pode elevar produtividade e melhorar a qualidade de vida no trabalho, mas sem alterar o fundamento relacional das empresas. Para ele, ética, contexto e relacionamento profissional seguem como bases da atividade corporativa.

“Os negócios continuam sendo feitos entre pessoas. A IA pode dobrar nossa produtividade e até melhorar nossa qualidade de vida, mas a essência do relacionamento profissional ainda é o que sustenta a empresa”

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