
Vários aeroportos na Itália, destino frequente de rotas diretas partindo do Brasil, começaram a implementar restrições rigorosas no fornecimento de combustível de aviação em abril de 2026. A medida de contingência, motivada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz devido aos conflitos no Oriente Médio, visa garantir a continuidade de serviços essenciais. De acordo com informações do UOL Notícias, terminais importantes como Veneza, Bolonha, Milão Linate e Treviso já emitiram avisos oficiais aos aviadores detalhando os limites de abastecimento de querosene.
As diretrizes estabelecem uma hierarquia rigorosa para a distribuição do insumo. Em locais como o terminal de Veneza, as autoridades aeroportuárias determinaram que a prioridade absoluta será concedida a voos médicos, operações de Estado e viagens com duração superior a três horas. Para as rotas mais curtas, foi imposto um teto máximo de 2 mil litros de combustível por aeronave. Essas regras preventivas estão programadas para durar inicialmente até o dia 9 de abril.
Para mitigar os impactos, as diretrizes de contingenciamento dividiram as operações aéreas em categorias específicas. Segundo as novas regras aplicadas:
- Voos de emergência médica e transporte de órgãos têm abastecimento totalmente liberado;
- Aeronaves em missões de Estado operam sem qualquer restrição de querosene;
- Rotas de longa distância recebem prioridade no cronograma das distribuidoras;
- Voos curtos (menos de três horas de duração) ficam limitados ao teto de 2 mil litros;
- Operações intercontinentais e do espaço Schengen, geridas por outros fornecedores locais, mantêm a normalidade.
Como a crise no Oriente Médio afeta a aviação europeia?
O gargalo imediato foi identificado nas operações da Air BP Italia, que relatou escassez da modalidade A1. Apesar do alerta, a operadora aeroportuária Save SpA, responsável por gerenciar as pistas de Veneza, Treviso e Verona, buscou tranquilizar o setor. A concessionária afirmou que os limites não afetam toda a cadeia de forma severa, visto que o problema está concentrado em um único fornecedor, enquanto outras empresas continuam operando normalmente.
O continente europeu depende fortemente de importações para manter sua malha aérea em funcionamento. A região do Golfo Pérsico é a principal origem do produto comprado pela Europa, representando aproximadamente 50% de todas as importações da União Europeia e do Reino Unido. O bloqueio parcial de rotas marítimas vitais estrangulou o fluxo global de derivados de petróleo, criando um efeito cascata no transporte comercial. No Brasil, tensões geopolíticas semelhantes costumam impactar o setor aéreo, visto que o preço do querosene de aviação (QAV) sofre influência direta da cotação internacional do petróleo e do dólar.
Pierluigi Di Palma, diretor da agência de aviação civil italiana (ENAC), declarou que o cenário atual está sob controle e não deve gerar pânico entre os viajantes no curto prazo. Contudo, ele alertou que a manutenção das tensões geopolíticas pode agravar a logística a partir do final de abril. Diante dessa incerteza energética, a Lufthansa já estrutura planos de contingência, que incluem a possibilidade de manter aviões no solo se houver uma disparada irracional nos custos.
Quais são as perspectivas para o abastecimento energético?
O monitoramento da oferta de combustíveis fósseis segue constante por parte das autoridades internacionais. Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, avaliou o estado atual das reservas energéticas europeias e o impacto direto nas operações aeroportuárias do continente.
“Não há escassez física de combustível de aviação ou diesel na Europa no momento.”
A declaração, concedida ao mercado financeiro internacional, ressalta que o desafio primário atual é de natureza logística e de distribuição regional, não necessariamente uma falta absoluta de produto armazenado. No entanto, o executivo ponderou que o panorama pode se deteriorar velozmente nas próximas semanas caso a interrupção das rotas no Oriente Médio persista, forçando as companhias aéreas a repassarem custos operacionais mais altos aos passageiros, o que tem potencial para encarecer voos internacionais que conectam a Europa a destinos como o Brasil.