A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) realizou, durante o mês de março de 2026, uma série de treinamentos técnicos voltados para a implementação de um novo aplicativo digital destinado ao monitoramento da mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) em diversas regiões do estado. A iniciativa visa fortalecer as ações do Programa Estadual de Controle e Erradicação da praga, considerada uma das maiores ameaças fitossanitárias para a fruticultura nacional. As capacitações ocorreram em polos estratégicos do nordeste paraense e do Baixo Amazonas, como Castanhal, Capanema, Capitão Poço, Almeirim e Juruti, preparando servidores para utilizar a tecnologia diretamente em campo.
De acordo com informações da Agência Pará, o sistema foi desenvolvido internamente pela Diretoria de Defesa e Inspeção Vegetal. O projeto, liderado pelo servidor Josivan Barbosa, busca garantir que a coleta de dados sobre a praga seja realizada com maior fidelidade e agilidade. Com a nova ferramenta, os agentes fiscais podem registrar o estado das armadilhas diretamente em dispositivos móveis, integrando as informações ao Sistema de Defesa Agropecuária do Pará (SIDIAGRO).
Como funciona o novo aplicativo de monitoramento da Adepará?
O software foi projetado para operar em smartphones e tablets com sistema operacional Android. Uma das principais inovações técnicas é a sua funcionalidade híbrida, que permite ao técnico registrar os dados de monitoramento mesmo em áreas rurais sem acesso à internet. Assim que o dispositivo detecta uma conexão estável, as informações são sincronizadas automaticamente com a base de dados central da agência, eliminando a necessidade de preenchimento manual de planilhas de papel e reduzindo consideravelmente o risco de erros de transcrição.
O treinamento incluiu simulações práticas de cadastro de armadilhas e fluxo de envio de dados. Em Capitão Poço, por exemplo, o trabalho é minucioso, cobrindo quatro rotas distintas com mais de 100 armadilhas instaladas. A agilidade proporcionada pela ferramenta digital é vista como um diferencial competitivo para a defesa vegetal do estado, permitindo respostas muito mais rápidas em caso de detecção do inseto em novas áreas geográficas.
Quais regiões do Pará receberam a capacitação técnica?
A descentralização do treinamento foi essencial para cobrir as áreas de maior risco e produção frutícola. Em Castanhal, a capacitação reuniu profissionais de aproximadamente 20 municípios. Em Capanema, o foco foi a integração com unidades locais, enquanto em Juruti, o treinamento destacou a importância estratégica do município por ser a primeira parada de navios na rota Amazonas-Pará. Juruti funciona como uma barreira sanitária fundamental para impedir a dispersão da mosca-da-carambola vinda de estados vizinhos.
Segundo Pedro Pedrosa, da regional de Capitão Poço, a tecnificação das atividades representa um avanço significativo para a categoria no estado:
“Eu vejo essa ferramenta como um passo à frente do nosso trabalho uma vez que nós estamos tecnificando as nossas atividades. Hoje, com esse monitoramento feito através de tablets e de celulares através do sistema ele informa em tempo real os monitoramentos feitos em cada uma das armadilhas distribuídas nos municípios.”
Qual é o impacto esperado para o agronegócio paraense?
A modernização dos processos de fiscalização não apenas otimiza o tempo dos servidores, mas também assegura a segurança jurídica e sanitária da produção paraense. A mosca-da-carambola é uma praga quarentenária que, se não controlada, pode causar severos embargos à exportação de frutas brasileiras. Com dados organizados e seguros, o estado reforça sua posição de conformidade com as normas federais e internacionais de sanidade vegetal exigidas pelo mercado.
Adalberto Tavares, gerente do programa, ressalta que a ferramenta valoriza o esforço das equipes de campo ao transformar o trabalho braçal em inteligência de dados estratégica:
“É uma forma de transformar os excelentes resultados obtidos pelas equipes em dados organizados, com mais controle, gestão e segurança das informações. Além de facilitar o trabalho dos técnicos, também traz economia de tempo nas ações de monitoramento.”
O reconhecimento desse esforço já é visível em âmbito nacional. Em 2024, o programa coordenado pela agência recebeu o selo de Boas Práticas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A consolidação do uso do aplicativo é o próximo passo para manter o estado como referência em defesa fitossanitária. Os principais benefícios da nova metodologia incluem:
- Redução drástica no uso de formulários físicos de papel nas inspeções;
- Monitoramento georreferenciado das armadilhas em tempo real;
- Sincronização de dados offline para atuação em áreas remotas;
- Maior precisão estatística para o planejamento de ações de erradicação;
- Agilidade na geração de relatórios técnicos para órgãos federais.
Atualmente, o sistema passa por uma fase final de testes e ajustes para identificar eventuais inconsistências antes da implantação definitiva em todas as unidades regionais da Adepará. A expectativa é que, em breve, todo o fluxo de monitoramento da mosca-da-carambola no território paraense seja exclusivamente digital, consolidando de vez a modernização tecnológica da defesa agropecuária estadual.
