A abstinência sexual tem ganhado visibilidade nas redes sociais por meio de criadores de conteúdo que relatam publicamente suas escolhas e experiências. A reportagem reúne os casos de Dominique Silver, atriz pornô e modelo que afirma estar celibatária há cerca de um ano, Lynn Saga, youtuber não binárie que se identifica no espectro assexual, e Marina De Buchi, empresária que diz estar se guardando para o casamento. De acordo com informações da Wired, o tema aparece em meio a discussões mais amplas sobre solidão, autonomia e mudanças no comportamento sexual de jovens mulheres.
Segundo a publicação, conversas sobre falta de sexo por muito tempo foram dominadas online pelos chamados incels, homens que se definem como involuntariamente celibatários. A reportagem, porém, aponta que mulheres jovens também estão fazendo menos sexo. Com base na National Survey of Family Growth, o texto informa que a ausência de atividade sexual entre mulheres de 22 a 34 anos subiu cerca de 50% entre 2013 e 2023, e a fatia das que não tiveram relações no último ano passou de 8% para 13% no período.
Por que o tema da abstinência sexual está ganhando força nas redes?
A matéria relaciona esse movimento a diferentes motivos, entre eles ansiedade com o cenário político e econômico, o impacto da reversão de Roe v. Wade nos Estados Unidos e um desejo maior de autonomia. O texto também menciona estudos segundo os quais homens e mulheres enfrentam taxas semelhantes de solidão, mas mulheres solteiras tendem a relatar mais felicidade do que homens solteiros.
No ambiente digital, a Wired afirma que um vocabulário específico vem se consolidando, com termos como femcel, boysober e opting out. A reportagem ouviu três pessoas bastante ativas online para mostrar como a abstinência pode assumir significados diferentes, a depender da trajetória pessoal, da identidade e das crenças de cada uma.
Quem é Dominique Silver e o que ela relata sobre o celibato?
Dominique Silver, mulher trans, supermodelo e atriz pornô conhecida profissionalmente como Natassia Dreams, afirma que não tem intimidade com ninguém, na vida pessoal ou profissional, há mais de um ano. Em entrevista à Wired, ela diz que muitas amigas também não estão se envolvendo com homens neste momento.
“A lot of my girlfriends are not entertaining men right now.”
Silver afirma que gostou de sexo por muito tempo, mas diz que duas décadas na indústria a expuseram a comportamentos masculinos que mudaram sua visão sobre relacionamentos. A reportagem relata que, antes de decidir pelo celibato, ela viajou ao Brasil para encontrar uma mulher com quem conversava e um homem com quem esperava construir uma relação à distância, mas ambos desistiram do encontro.
“It just made me reevaluate everything.”
Após esse episódio, ela afirma que passou a se fechar mais e buscou um trabalho como anfitriã para voltar a sair de casa e conhecer pessoas fora dos aplicativos. Segundo a reportagem, Silver também associa sua decisão a traumas e a um estilo de apego ansioso. Para ela, o momento atual é de reorganização pessoal e de busca por conforto na própria companhia.
Como Lynn Saga descreve a experiência de ser assexual?
Lynn Saga, youtuber de 29 anos, relata ter crescido na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e diz que ouviu falar em assexualidade aos 13 anos, por meio de uma amizade. Segundo a reportagem, hoje Saga se identifica como demissexual, termo do espectro assexual usado para descrever pessoas que só sentem atração sexual após a formação de um vínculo emocional profundo.
Em 2020, Saga criou um canal no YouTube voltado à assexualidade. A motivação, segundo o relato, era evitar que outras pessoas se sentissem quebradas ou isoladas por não se reconhecerem nos padrões mais comuns de desejo sexual.
“I don’t want anyone to feel the way I did.”
A Wired informa que Saga recebe mensagens de adolescentes e também de pessoas com mais de 60 anos, muitas dizendo que conhecer o conceito de assexualidade antes poderia ter ajudado a compreender melhor suas relações. Para Saga, a principal demanda não é explicação médica ou correção, mas aceitação.
“I want people who do feel the way I did to know that it’s OK. That they’re not broken.”
O que a reportagem mostra sobre as diferentes motivações para não fazer sexo?
Os relatos reunidos pela matéria indicam que a abstinência sexual não pode ser reduzida a uma única explicação. Entre os fatores mencionados no texto, aparecem:
- busca por autonomia pessoal;
- decepções amorosas e desgaste com aplicativos;
- identidade assexual ou demissexual;
- convicções religiosas;
- incertezas políticas e econômicas.
A reportagem também cita Marina De Buchi, dona de uma marca de joias, cristã e de inclinação conservadora, como exemplo de outra forma de abstinência: a decisão de esperar até o casamento. O trecho fornecido, porém, é interrompido antes de detalhar seu relato completo.
No conjunto, a matéria da Wired sugere que a internet passou a abrigar narrativas mais diversas sobre a decisão de não fazer sexo. Em vez de um fenômeno restrito a comunidades masculinas marcadas por ressentimento, o texto apresenta experiências ligadas a identidade, fé, proteção emocional e autonomia individual.