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A Conspiração Condor leva ao cinema um “Watergate” brasileiro na ditadura

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A Conspiração Condor, longa dirigido por André Sturm, imagina uma trama de investigação jornalística inspirada em um “Watergate” brasileiro ao retratar, em meio à ditadura civil-militar dos anos 1970, uma repórter que passa a apurar as mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart. De acordo com informações da Revista Fórum, o filme está em cartaz nos cinemas e acompanha uma jornalista de coluna social, vivida por Mel Lisboa, designada para cobrir o velório de JK, quando recebe a informação de que o acidente que matou o ex-presidente poderia não ter ocorrido da forma descrita oficialmente.

O longa também reúne Dan Stulbach, Maria Manoella e Nilton Bicudo no elenco, além de participação especial de Pedro Bial como Carlos Lacerda. A proposta do filme, segundo a reportagem, parte da proximidade entre as mortes de Lacerda, Kubitschek e Goulart, que lançaram em 1966 a Frente Ampla em oposição ao regime.

Como o filme constrói essa investigação ficcional?

Na trama, a personagem de Mel Lisboa enfrenta a resistência do editor e a vigilância do censor do jornal ao tentar aprofundar a apuração. O roteiro foi escrito por André Sturm em parceria com Victor Bonini e combina fatos históricos com ficção verossímil, em diálogo com filmes de investigação política produzidos nos Estados Unidos nos anos 1970.

Entre as referências citadas por Sturm estão Todos os Homens do Presidente, de Alan J. Pakula, A Trama, também de Pakula, e I… como Ícaro, de Henri Verneuil. A reportagem destaca que o diretor buscou uma narrativa centrada na investigação e na busca pela verdade, sem priorizar dramas pessoais da protagonista.

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“A minha maior felicidade é que as pessoas saiam do cinema pensando, na dúvida, porque tudo o que tem no filme a respeito dos personagens reais é verdadeiro, e, a ficção que tem no meio, ela é muito verossímil porque parte de elementos factuais”, explica o cineasta.

O que motivou André Sturm a desenvolver o projeto?

Segundo a entrevista à Fórum, o diretor começou a desenvolver o filme ao perceber que as mortes de Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart ocorreram em intervalo curto. Para ele, esse dado histórico, associado ao contexto político da época, oferecia base para uma ficção ancorada em elementos reais.

Sturm também afirmou que tomou como referência o chamado “cinema americano adulto” dos anos 1970, marcado por visões menos simplificadas sobre poder e instituições. A reportagem aponta que o filme adota esse clima de desconfiança política e de enfrentamento a estruturas mais amplas de poder.

“Eu digo que é o ‘cinema americano adulto’, porque deixa de ter o mocinho e o bandido. A gente começa a perceber que as coisas não são simples assim, porque o presidente não manda sozinho, o governo não age sozinho”, explica Sturm.

Que temas históricos e políticos aparecem na obra?

A reportagem informa que o longa faz alusão à Operação Condor, campanha de repressão política articulada entre ditaduras latino-americanas com apoio dos Estados Unidos. Embora seja uma obra de ficção, o filme relaciona esse ambiente político a fatos históricos e à atuação de aparelhos repressivos na região.

Outro ponto destacado é a reprodução, no contexto brasileiro da época, do Experimento de Milgram, estudo sobre obediência à autoridade conduzido pelo psicólogo Stanley Milgram. Para Sturm, esse elemento ajuda a discutir mecanismos de manipulação e submissão dentro de sistemas autoritários.

“Essa sequência para mim é fundamental, porque utilizando a autoridade governamental e científica, você leva as pessoas a fazerem coisas que a princípio não fariam. Elas se sentem legitimadas”, explica.

  • O filme é ambientado nos anos 1970.
  • A protagonista é uma jornalista de coluna social.
  • A investigação começa no velório de Juscelino Kubitschek.
  • O roteiro mistura fatos reais e ficção verossímil.
  • A obra está em cartaz nos cinemas.

Por que o diretor rejeita a ideia de esgotamento do tema da ditadura?

De acordo com a reportagem, André Sturm contesta a avaliação de que filmes sobre a ditadura civil-militar brasileira seriam excessivos. Ele argumenta que obras recentes abordam o período por gêneros distintos, como melodrama, thriller de investigação e narrativas mais violentas, e que a quantidade de produções sobre esse recorte histórico ainda é pequena diante da duração do regime.

Nesse sentido, A Conspiração Condor é apresentado como um thriller político que usa convenções do cinema de investigação para revisitar um período de repressão e censura. O foco da obra, segundo Sturm, está menos em oferecer respostas definitivas e mais em provocar dúvida e reflexão a partir de elementos históricos conhecidos.

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