A petro-masculinidade, termo criado pela cientista política Cara Daggett em 2018, descreve a fusão entre o uso de combustíveis fósseis, a negação das mudanças climáticas e a defesa de uma masculinidade patriarcal autoritária. Segundo The Guardian, esse conceito explodiu na esfera pública durante uma disputa no Twitter em 2022 entre Andrew Tate e Greta Thunberg.
Essa expressão da masculinidade tóxica, muitas vezes associada a comportamentos conscientes de oposição ao ambientalismo, demonstra por que, enquanto sociedade, ainda falhamos em criar uma visão ecológica compartilhada. Na prática, a petro-masculinidade é vista quando ações são tomadas contra iniciativas ecológicas em nome de manter uma imagem tradicional de masculinidade
O que é petro-masculinidade e como se manifesta?
O conceito de petro-masculinidade relaciona-se à maneira como o uso de combustíveis fósseis é culturalmente associado a uma identidade masculina. De acordo com a análise de Daggett, homens inseguros tendem a adotar uma identidade petro-masculina para reforçar sua autoridade masculina diante das mudanças sociais e ameaças às indústrias extrativistas tradicionais.
Essa manifestação pode ser observada em episódios como a modificação de motores a diesel para incrementar as emissões de gases, um protesto antiambiental conhecido como “rolling coal”, onde homens deliberadamente poluem o meio ambiente para se opor a veículos mais ecológicos.
Como a sociedade pode reverter a cultura da petro-masculinidade?
Para reverter essa tendência, é crucial adotar abordagens que promovam alternativas econômicas reais e viáveis. Iniciativas como o Green New Deal têm o potencial de oferecer milhões de empregos bem-remunerados em setores sustentáveis, como defendido por líderes como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez. Essas mudanças econômicas, aliadas a uma transição cultural, são fundamentais para desconstruir a petro-masculinidade.
Além disso, campanhas de conscientização e combate à cultura associada à petro-masculinidade têm sido essenciais. Através de críticas sociais e batalhas ideológicas online, ativistas ambientais trabalham para desvincular a identidade masculina da cultura dos combustíveis fósseis, promovendo uma nova forma de masculinidade ecológica.
O que é eco-masculinidade e como pode ajudar?
A eco-masculinidade propõe uma redefinição dos valores associados à masculinidade, integrando a proteção ambiental como um valor crucial. Homens são incentivados a reconhecer como a retórica tradicional pode ser prejudicial e a buscar identidade e propósito em comportamentos sustentáveis.
Especialistas defendem que abordar a questão como um desafio cultural, além de econômico e tecnológico, pode ser fundamental. Segundo Liz Plank, a chave está em alterar as prioridades masculinas, ensinando que a proteção do meio ambiente não é uma ameaça à masculinidade, mas sim uma expansão positiva de seus valores.