Poluição nos Everglades persiste após 40 anos de restauração, aponta relatório - Brasileira.News
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Poluição nos Everglades persiste após 40 anos de restauração, aponta relatório

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A poluição por nutrientes nos Everglades, na Flórida, continua acima do padrão de qualidade da água que passará a valer em primeiro de maio, mesmo após quase 40 anos de obras de restauração ambiental, segundo um relatório citado em reportagem publicada em 17 de abril de 2026. De acordo com informações da Inside Climate News, a análise sustenta que as áreas úmidas artificiais criadas para filtrar a água não estão no ritmo necessário para cumprir a nova exigência.

O padrão, chamado Water Quality Based-Effluent Limitation, mede a poluição por nutrientes, especialmente fósforo, associada ao uso de fertilizantes nas extensas fazendas de cana-de-açúcar ao sul do lago Okeechobee, na região conhecida como Everglades Agricultural Area. A regra avaliará a água que sai de cerca de 60 mil acres de áreas úmidas projetadas para funcionar como barreira entre as fazendas e o ecossistema dos Everglades, fonte primária de água potável para milhões de pessoas na Flórida.

O que diz o novo relatório sobre a qualidade da água?

O documento foi preparado pela organização Friends of the Everglades e encaminhado em março ao Departamento de Proteção Ambiental da Flórida e ao South Florida Water Management District, órgão estadual responsável pela restauração dos Everglades. Segundo a reportagem, nenhuma das áreas de tratamento de águas pluviais está em trajetória de cumprir integralmente o padrão quando ele entrar em vigor no início do ano hídrico de 2027.

Antes que um reservatório em construção na Everglades Agricultural Area possa operar com capacidade total, essas áreas de tratamento precisam demonstrar conformidade completa com a regra por pelo menos cinco anos. O esforço de restauração dos Everglades, estimado em US$ 27 bilhões no texto original, é descrito como um dos mais ambiciosos do tipo, reunindo dezenas de projetos em escala de paisagem no centro e no sul da Flórida.

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A diretora-executiva da Friends of the Everglades, Eve Samples, afirmou que a crítica não é à forma como as áreas úmidas artificiais foram construídas e operadas, mas à insuficiência da área disponível para tratar a carga de fósforo. Segundo ela, a dimensão atual não seria suficiente para lidar com a poluição gerada em 400 mil acres de cultivo de cana-de-açúcar.

“We don’t question how the district has built and managed these stormwater treatment areas,” said Eve Samples, executive director of Friends of the Everglades. “It’s actually one of the success stories of Everglades restoration. The state has learned how to build and operate man-made wetlands. We simply don’t have a large enough area of them to handle the 400,000 acres of sugarcane that are polluting water in the Everglades. Without additional land it is impossible to see how the state is going to treat this phosphorus pollution.”

Quais dados indicam a persistência da poluição?

De acordo com a reportagem, o relatório mostra que a poluição por nutrientes, especificamente fósforo, que flui dessas áreas úmidas avaliadas em US$ 2 bilhões para zonas protegidas dos Everglades aumentou entre 2024 e 2025, em alguns casos de forma acentuada. O estudo foi baseado em cinco anos de dados do distrito de gestão da água, até o ano hídrico de 2025, medido de primeiro de maio a 30 de abril.

As conclusões reforçam alertas feitos em 2022 e 2024 pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos. Segundo a reportagem, a instituição já havia apontado que apenas uma área de tratamento estava em conformidade com o padrão determinado judicialmente e classificou como um “desafio significativo” cumprir a meta até 2026.

O limite exige que a concentração de fósforo na água liberada por essas áreas fique em 13 partes por bilhão ou menos em três de cinco anos hídricos. A regra também determina que o índice não ultrapasse 19 partes por bilhão em nenhum ano hídrico.

  • Meta principal: 13 partes por bilhão em três de cinco anos hídricos
  • Limite máximo anual: 19 partes por bilhão
  • Base do relatório: dados de cinco anos até o ano hídrico de 2025
  • Entrada em vigor do padrão: primeiro de maio

Qual foi a resposta das autoridades da Flórida?

Segundo a Inside Climate News, nem o Departamento de Proteção Ambiental da Flórida nem o South Florida Water Management District responderam aos pedidos de comentário da reportagem. Ainda assim, o distrito apresentou na semana anterior novos dados referentes ao ano hídrico de 2026 durante reunião de seu conselho.

Esses dados, conforme o texto, indicaram que quatro áreas de tratamento estavam em conformidade parcial com a regra, enquanto uma quinta permanecia muito acima do limite. No relatório ambiental anual do sul da Flórida, divulgado em março, o distrito atribuiu os níveis mais altos de fósforo no ano hídrico de 2025 a um evento de chuva significativo ocorrido em junho de 2024.

Apesar disso, o mesmo relatório estadual afirmou que essas áreas úmidas foram responsáveis, naquele ano, por uma redução de 81% nos níveis de fósforo que chegavam às áreas protegidas dos Everglades. O documento também informou que, desde o ano hídrico de 2020, estão em andamento projetos de reforma voltados a melhorar hidráulica, vegetação e desempenho do tratamento nessas estruturas.

Ainda de acordo com o relatório estadual citado pela reportagem, mais de 98% das áreas protegidas dos Everglades atenderam, durante o ano hídrico de 2025, a um padrão estadual separado de qualidade da água. O impasse, porém, permanece em relação ao novo limite específico que servirá de referência para a operação plena de parte importante do programa de restauração.

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