Os peruanos vão às urnas neste domingo, 12 de abril, para eleger um novo presidente e os integrantes de um Congresso bicameral recentemente restabelecido, em uma disputa marcada por número recorde de candidatos, fragmentação política e forte preocupação com corrupção e segurança pública. Cerca de 27 milhões de eleitores estão aptos a votar no Peru, onde a instabilidade política impediu que presidentes concluíssem mandatos completos na última década. De acordo com informações do G1, as seções eleitorais abrem às 7h no horário local e fecham às 17h.
A votação ocorre em meio a um ambiente de incerteza. As cédulas de papel, com 44 centímetros, são descritas como as mais longas da história do país. As pesquisas de opinião indicam pequena vantagem para Keiko Fujimori, que aparece à frente de ao menos três concorrentes próximos: os ex-prefeitos de Lima Rafael López Aliaga e Ricardo Belmont, além de Carlos Alvarez, apresentado como um outsider político e ex-comediante.
Por que a disputa presidencial no Peru é considerada imprevisível?
O cenário é visto como imprevisível porque nenhum dos candidatos supera 15% nas intenções de voto, o que, segundo analistas citados pela reportagem, torna quase certo um segundo turno em junho. Além disso, os nomes logo atrás de Fujimori aparecem em empate técnico, o que reforça a fragmentação da corrida eleitoral.
Urpi Torrado, da empresa de pesquisas Datum Internacional, afirmou que os três candidatos que aparecem atrás de Fujimori estão tecnicamente empatados. Já Nicolas Watson, da consultoria Teneo, avaliou que os candidatos posicionados em um segundo pelotão não devem ser descartados, mesmo com índices entre 4,5% e 6% de apoio. As pesquisas também sugerem que cerca de 13% dos eleitores seguem indecisos.
Como a instabilidade política influencia esta eleição?
Para muitos peruanos, a atual disputa reflete um enfraquecimento institucional mais profundo. Desde 2018, o país teve oito presidentes, em um período marcado por impeachments, prisões e saídas forçadas do cargo. Esse histórico ampliou a percepção de crise política e colocou sobre a eleição a expectativa de possível ruptura com esse ciclo.
Segundo o analista político Fernando Tuesta, o pleito pode representar tanto uma saída para a instabilidade quanto a continuidade desse processo. A votação, portanto, ocorre sob o peso de uma década de turbulência, escândalos e frustração do eleitorado.
Quais temas dominam a campanha eleitoral peruana?
A corrupção segue como um dos principais temas da campanha. De acordo com a reportagem, quatro ex-presidentes estão atualmente na prisão, em sua maioria por casos de suborno ligados à construtora Odebrecht. Alberto Fujimori, ex-presidente e pai de Keiko Fujimori, cumpriu 16 anos de prisão por abusos de direitos humanos e morreu em 2024 após ser libertado por razões humanitárias.
Ao mesmo tempo, a insegurança passou a rivalizar com a corrupção como principal preocupação dos eleitores. O Peru não era tradicionalmente associado ao crime organizado, mas homicídios e extorsão cresceram, atingindo sobretudo trabalhadores do setor de transportes e pequenas empresas, segundo Paula Muñoz, da Universidad del Pacífico, em Lima.
- Cerca de 27 milhões de eleitores estão aptos a votar
- As seções eleitorais funcionam das 7h às 17h no horário local
- Nenhum candidato tem mais de 15% nas pesquisas
- O segundo turno em junho é apontado como cenário quase certo
- Corrupção e segurança pública concentram a atenção da campanha
Que propostas ganharam força diante da preocupação com segurança?
Dados oficiais citados na reportagem mostram que os casos de extorsão cresceram quase 20% no ano passado, enquanto as taxas de homicídio atingiram novos recordes. Esse avanço da criminalidade tem alimentado apoio a propostas mais duras, especialmente entre candidatos de direita, em linha com uma tendência observada em outros países da América Latina.
Entre as propostas mencionadas estão o envio de tropas, o restabelecimento da pena de morte, a retirada dos tribunais internacionais de direitos humanos e a permissão para que magistrados que atuam em casos criminais permaneçam anônimos, retomando o modelo dos chamados “juízes sem rosto”, que o Peru não adota desde 1997. O resultado da eleição deve indicar se o eleitorado optará por uma mudança de rumo ou pela continuidade de respostas mais duras diante da crise política e de segurança.