O Complexo da Maré, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro e um dos maiores conjuntos de favelas da cidade, com mais de 140 mil moradores, contabilizou 160 mortes em decorrência de operações policiais ao longo de dez anos, entre 2016 e 2025. Nesse período, foram realizadas 231 operações policiais, resultando em 1.538 episódios de violência e violações de direitos contra os residentes das 15 comunidades que compõem o complexo. De acordo com informações da Radioagência Nacional, o ano de 2019 registrou o maior número de vítimas, com 30 óbitos, enquanto 2024 teve o maior número de operações, com 42 ações policiais.
Os dados foram divulgados na 9ª edição do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2025, elaborado pela ONG Redes da Maré, organização civil fundada por moradores que atua no território desde 2007. O relatório aborda os impactos da violência armada nos direitos básicos da população, como o acesso à educação e à saúde.
Impactos nas perícias criminais
Segundo Tainá Alvarenga, coordenadora do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré, um dos dados mais preocupantes é o elevado número de operações policiais com baixo registro de perícias no local.
O que a gente vem observando como padrão é a não preservação da cena do crime por esses agentes de segurança que estão presentes nas operações policiais, a não entrada das instituições que são responsáveis pela perícia de local, com discursos de que esses territórios são instáveis, não estão estabilizados, na verdade.
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Outros reflexos na comunidade
O boletim aponta que, somente em 2025, o cotidiano da Maré sofreu diversas interferências causadas por ações de grupos armados. Foram registradas 11 mortes, 141 registros de disparos de arma de fogo, invasões de escolas, deslocamentos forçados e ameaças, além de casos de violência física, psicológica e verbal.
Posicionamento das polícias
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que desconhece a metodologia utilizada na pesquisa e a rastreabilidade dos dados. A instituição acrescentou que a atuação das forças de segurança se baseia em critérios técnicos, inteligência e planejamento operacional, com foco no cumprimento de mandados judiciais, na repressão qualificada ao crime organizado e na preservação de vidas.
Ainda segundo a corporação, a escolha pelo confronto é sempre do criminoso, que coloca em risco a integridade dos agentes envolvidos e a vida de moradores e trabalhadores.
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) não havia se manifestado sobre os efeitos das operações detalhadas pela pesquisa.
*Com informações da Agência Brasil

