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Yuvelis Morales Blanco recebe prêmio por barrar fracking no rio Magdalena

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Yuvelis Morales Blanco, ativista ambiental afro-colombiana de 24 anos, recebeu em 2026 o Goldman Environmental Prize por sua atuação contra projetos de fracking em Puerto Wilches, às margens do rio Magdalena, na Colômbia. Segundo o relato, sua mobilização ajudou a frear a exploração por fraturamento hidráulico na maior bacia fluvial do país, em um contexto de ameaças de morte, deslocamento forçado e disputa política sobre o futuro da atividade. De acordo com informações da Inside Climate News, a premiação reconhece seu papel na defesa ambiental e no movimento pelos direitos da natureza.

Morales Blanco cresceu nas margens do Magdalena e afirmou ter aprendido desde a infância a “ler” o rio. Em 2018, um derramamento de óleo atingiu a região e, segundo a reportagem, matou milhares de animais e forçou centenas de moradores a deixar suas casas, inclusive integrantes da comunidade pesqueira afro-colombiana da qual ela faz parte. Ela tinha 16 anos quando passou a se projetar como uma das vozes mais conhecidas na resistência local à expansão de combustíveis fósseis.

Como a atuação de Yuvelis Morales Blanco ganhou projeção na Colômbia?

O trabalho da ativista se consolidou a partir de 2019, quando surgiram propostas de projetos-piloto de fracking em Puerto Wilches. O método de extração, que injeta água, areia e produtos químicos em formações rochosas para liberar combustíveis fósseis, é descrito no texto original como associado a impactos ambientais e riscos à saúde humana, incluindo contaminação de águas subterrâneas, esgotamento de aquíferos, atividade sísmica, câncer e defeitos congênitos.

Em resposta, Morales Blanco ajudou a fundar a organização juvenil anti-fracking Aguawil, que passou a promover protestos e ações de informação porta a porta. A iniciativa buscava traduzir o debate técnico para a realidade cotidiana de pescadores e agricultores da cidade. Na avaliação apresentada por ela à reportagem, promessas de prosperidade ligadas à ampliação da produção fóssil não se confirmavam na vida da população local, que continuava sem serviços básicos de qualidade, como saúde e educação.

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Quais riscos a ativista enfrentou durante a campanha contra o fracking?

Com o aumento da visibilidade do movimento, vieram também as ameaças. A reportagem informa que um morador disse a Morales Blanco que ela acabaria morta. Dois anos depois, ela recebeu sua primeira ameaça de morte. Em 2022, após um protesto pacífico que ajudou a organizar, homens armados teriam ido até sua casa, o que a levou a deixar o local e se mudar temporariamente para a França.

O texto também destaca que a Colômbia figura de forma recorrente entre os países mais perigosos para defensores ambientais. Nesse cenário, a trajetória de Morales Blanco passou a simbolizar não apenas a resistência ao fracking, mas também a vulnerabilidade de lideranças comunitárias que enfrentam interesses econômicos em territórios ambientalmente sensíveis.

O que aconteceu com os projetos de fracking no país?

Semanas após a saída temporária da ativista, um tribunal colombiano suspendeu os projetos de fracking até a realização de consultas com as comunidades. Depois disso, o presidente Gustavo Petro impôs uma moratória nacional à prática. Ainda assim, a reportagem ressalta que o tema permanece em disputa política, já que os colombianos voltarão às urnas em 31 de maio para eleger um novo presidente, abrindo a possibilidade de revisão da proibição.

Além do impacto institucional, o reconhecimento internacional dado pelo Goldman Prize colocou a ativista entre seis premiados da edição e dentro da primeira turma formada apenas por mulheres nos 37 anos de história da premiação. O dado foi destacado como sinal do papel central das mulheres em conflitos socioambientais na linha de frente.

Como Yuvelis define sua relação com o rio Magdalena e com a natureza?

Na entrevista reproduzida pela reportagem, Morales Blanco associa sua militância à própria relação afetiva e espiritual com o território. Ao explicar como enxerga a natureza, ela disse:

“I’m the daughter of the river, and I look at nature not as a resource, but as life itself.”

Em outro trecho, a ativista argumenta que a perda de um rio não afeta apenas o abastecimento de água, mas também a forma como uma comunidade compreende sua existência e sua dignidade. Sua fala se alinha ao movimento dos direitos da natureza, que defende o reconhecimento de ecossistemas como sistemas vivos, e não apenas como ativos econômicos a serem explorados.

  • Morales Blanco recebeu o prêmio Goldman Environmental Prize em 2026
  • Ela ajudou a fundar a organização anti-fracking Aguawil em 2019
  • Projetos na região foram suspensos por decisão judicial
  • Gustavo Petro adotou uma moratória nacional ao fracking
  • A ativista relata ter sofrido ameaças de morte e exílio temporário

A premiação, portanto, reconhece uma trajetória que reúne defesa territorial, denúncia de impactos ambientais e participação em uma discussão mais ampla sobre o estatuto jurídico da natureza na Colômbia e em outros países.

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