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Woodside adia produção de amônia com baixo carbono no Texas

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Instalação industrial com tubulações metálicas e torres de processamento químico sob um céu aberto.
Foto: Patrick Feller / flickr (by)

A empresa australiana Woodside Energy adiou o início da produção de amônia com baixo teor de carbono na planta Beaumont New Ammonia (BNA), localizada no sudeste do Texas, nos Estados Unidos. O projeto, que tinha como meta começar a operar em 2026, foi impactado por problemas de construção em uma instalação de fornecimento de matéria-prima de terceiros.

De acordo com informações do portal Rigzone, o atraso foi confirmado pela própria Woodside em comunicado divulgado na quinta-feira, 26 de março de 2026.

O que causou o atraso na produção de amônia?

A companhia informou que o adiamento se deve a questões construtivas na instalação de fornecimento de hidrogênio com carbono abatido, operada por terceiros. A produção de amônia de baixo carbono na planta depende diretamente do fornecimento desse hidrogênio e da entrada em operação de uma instalação de captura e armazenamento de carbono da Exxon Mobil Corp.

A condição já havia sido destacada pela antiga proprietária, a OCI Global, em comunicado de 30 de setembro de 2024, quando concluiu a venda do projeto para a Woodside.

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Qual o histórico de contratos do projeto?

A OCI Global havia firmado acordo com a Linde PLC em 6 de fevereiro de 2023 para o fornecimento de hidrogênio e nitrogênio com emissões reduzidas para o projeto Beaumont. Posteriormente, em 4 de abril de 2023, a Linde e a ExxonMobil anunciaram parceria para o transporte e armazenamento permanente de até 2,2 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano provenientes da planta de hidrogênio da Linde.

A Woodside assumiu o controle operacional do projeto após a conclusão da aquisição, que ocorreu por AUD 2,35 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 8,4 bilhões na cotação da época. A OCI continuou gerenciando a construção após a venda realizada em 2024.

Qual a capacidade de produção da planta BNA?

Com pico de produção de 1,1 milhão de toneladas métricas por ano, a planta tem potencial para aproximadamente dobrar as exportações americanas de amônia, segundo a Woodside. A amônia é uma matéria-prima central na produção de fertilizantes nitrogenados, insumo relevante para o agronegócio brasileiro, que depende de importações para parte do abastecimento. Mudanças na oferta internacional, portanto, podem repercutir no mercado global desse produto.

A empresa já garantiu contratos de venda no mercado convencional de amônia pelos preços de mercado vigentes e avança em novos acordos alinhados à produção esperada.

O projeto integra a estratégia da Woodside de investir em novos produtos energéticos e serviços de menor emissão de carbono.

“A Woodside garantiu acordos de venda a preços de mercado vigentes no mercado convencional de amônia, e novos acordos de comercialização estão em andamento em linha com a produção esperada da BNA.”

A executiva Liz Westcott, CEO da companhia, reforçou o compromisso com a entrega segura de amônia aos clientes mesmo diante de disrupções de mercado.

Como a transação financeira foi encerrada?

A OCI Global informou ter recebido US$ 470 milhões como parcela diferida da venda, correspondente a 20% do total, após deduções por obrigações construtivas pendentes e ajustes. A empresa estimou custo total de conclusão do projeto em US$ 1,8 bilhão. Suas obrigações remanescentes se limitam ao encerramento de faturas e à resolução de disputas contratuais com a Woodside.

A Woodside segue focada na conclusão segura das obras e, no longo prazo, mantém o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de um setor competitivo de amônia com baixo carbono nos Estados Unidos.

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