A disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União provocou um novo atrito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro após a eleição de um novo ministro pelo Congresso Nacional na última semana. O episódio ocorreu em Brasília, no processo de escolha conduzido pela Câmara e depois referendado pelo Senado, e expôs divergências sobre o apoio a candidaturas dentro do campo bolsonarista. De acordo com informações do DCM, a controvérsia ampliou o distanciamento político entre os dois.
Segundo a publicação, Flávio participou inicialmente do anúncio da deputada Soraya Santos, do PL do Rio de Janeiro, como candidata ao cargo. No entanto, no dia da votação, passou a liderar uma articulação dentro do partido para que a parlamentar deixasse a disputa e apoiasse o deputado Elmar Nascimento, do União Brasil da Bahia. O movimento não avançou, e o deputado Odair Cunha, do PT de Minas Gerais, acabou eleito pela Câmara, com posterior confirmação no Senado.
Como a disputa pela vaga no TCU agravou o desgaste?
Michelle Bolsonaro apoiava Soraya Santos e demonstrou insatisfação depois da retirada da candidatura. Em uma rede social, escreveu:
“Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia!”
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A manifestação pública foi interpretada, segundo o relato da matéria original, como mais um sinal do afastamento entre Michelle e Flávio em meio a disputas e desacordos políticos recentes no entorno da família Bolsonaro.
O episódio se soma a outros momentos de divergência interna envolvendo aliados e integrantes da família. No início de abril, Michelle interveio em uma discussão na rede X envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira. Depois da troca de mensagens, Flávio publicou um vídeo defendendo reaproximação entre aliados.
“O momento é de pacificação e união. Vamos olhar para frente. O que mais importa, agora, é o futuro do nosso Brasil”
Na sequência, Nikolas Ferreira respondeu:
”Concordo, presidente. Cada um fazendo sua parte, chegaremos lá“
Quais outros episódios recentes expuseram divisões na família Bolsonaro?
Em março, durante um evento nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro mencionou o envio de uma gravação ao pai, Jair Bolsonaro, que, segundo o texto original, cumpre prisão domiciliar e está impedido de usar celular e redes sociais. Após a repercussão, Michelle divulgou uma nota para comentar a fala.
“Desconhecemos o contexto e a motivação para a utilização dos termos exatos mencionados por ele na sua fala, os quais parecem ter levado a uma interpretação equivocada por parte da imprensa e de algumas autoridades. Temos convicção de que essa não era a intenção de Eduardo.”
Antes disso, em dezembro de 2025, outro desentendimento veio à tona durante as discussões sobre a disputa pelo governo do Ceará. Na ocasião, filhos de Jair Bolsonaro apoiaram uma possível candidatura de Ciro Gomes, identificado na matéria como PSDB-CE, enquanto Michelle se posicionou a favor do senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará.
Em discurso citado pelo texto original, Michelle criticou o apoio ao nome de Ciro Gomes e afirmou:
“Como ficar feliz com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos?”
Depois dessas divergências, Flávio acusou Michelle, sua madrasta, de agir de forma “autoritária e constrangedora”, ainda de acordo com a reportagem reproduzida.
Quais são os principais pontos do episódio?
- Flávio Bolsonaro participou do anúncio inicial de Soraya Santos para a vaga no TCU.
- No dia da votação, ele atuou para que Soraya apoiasse Elmar Nascimento.
- A articulação não prosperou.
- Odair Cunha foi eleito pela Câmara e referendado pelo Senado.
- Michelle Bolsonaro reagiu publicamente e lamentou a retirada da candidatura de Soraya.
- O caso se soma a outros atritos recentes entre Michelle e integrantes da família Bolsonaro.
Com a sucessão desses episódios, a disputa pela vaga no TCU se tornou mais um capítulo das divergências políticas entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, num cenário em que alianças, apoios e manifestações públicas têm exposto fissuras dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.