O diretório estadual do União Brasil em São Paulo afirmou na segunda-feira, 13, que pode atuar para inviabilizar a federação com o PP caso o comando da aliança seja entregue ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A reação foi formalizada em nota divulgada pelo presidente do partido no estado, Alexandre Leite, em meio à articulação sobre a direção da recém-aprovada Federação União Progressista. De acordo com informações da CartaCapital, o diretório paulista considera que a política do estado exige liderança local e rejeita uma condução externa.
A manifestação do diretório paulista foi apresentada como um repúdio à negociação que, segundo a nota, pretende deixar a liderança da federação com pessoas “alheias à realidade e aos desafios do nosso estado”. O texto também sustenta que, se não houver recuo, a direção estadual levará a discussão à Executiva Nacional do União Brasil e tentará barrar a aliança de forma definitiva.
O que motivou a reação do União Brasil em São Paulo?
O motivo central da reação foi a articulação para entregar a Ciro Nogueira o comando da federação entre União Brasil e PP. Embora o diretório afirme ter “profundo respeito” pelo senador, o documento argumenta que o cenário paulista demanda protagonismo próprio e capacidade de decisão conectada à realidade política local.
Na nota assinada por Alexandre Leite, o partido adota tom de advertência sobre os efeitos da disputa interna no processo eleitoral. O texto diz que a tentativa de impor essa solução pode gerar instabilidade mais ampla na construção da aliança.
“Caso o bom senso não prevaleça, o União Brasil São Paulo levará essa pretensão descabida à Executiva Nacional, e trabalhará para inviabilizar em definitivo qualquer aliança e irradiará instabilidade para todo o processo eleitoral”
Em outro trecho destacado pela publicação, Alexandre Leite reforça a resistência à condução externa da política estadual.
“Não aceitaremos ser governados por procuração”
Qual é o contexto da federação entre União Brasil e PP?
O embate ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral aprovar, em março, o registro da Federação União Progressista. Segundo a reportagem, essa é a quinta federação partidária do País, depois de Solidariedade-PRD, PT-PV-PCdoB, PSDB-Cidadania e PSOL-Rede.
Com a aprovação do registro, a discussão sobre o comando político da nova estrutura passou a ganhar peso nos estados. Em São Paulo, o diretório do União Brasil sinalizou que considera inaceitável perder influência sobre decisões locais em uma aliança que terá impacto direto nas eleições de 2026.
Quais são os principais pontos da nota do diretório paulista?
A manifestação do União Brasil em São Paulo reúne três eixos centrais:
- repúdio à articulação para entregar o comando da federação a Ciro Nogueira;
- defesa de protagonismo local na condução política em São Paulo;
- ameaça de recorrer à Executiva Nacional e atuar para inviabilizar a aliança.
O caso revela uma divergência interna relevante sobre a distribuição de poder na federação entre os dois partidos. A nota do diretório paulista não anuncia rompimento imediato, mas explicita que a resistência local pode se transformar em obstáculo para a consolidação da aliança, caso a negociação avance nos termos criticados pela direção estadual.
Até o momento, o texto reproduzido pela reportagem concentra-se na posição do União Brasil paulista e na reação à possível liderança de Ciro Nogueira. O episódio insere mais um elemento de tensão nas articulações partidárias voltadas ao processo eleitoral de 2026.