A Uber está ampliando sua atuação no setor de veículos autônomos ao combinar participação acionária em empresas de tecnologia com a compra futura de robotáxis, segundo análise publicada neste sábado, 19 de abril de 2026. O movimento foi descrito no boletim TechCrunch Mobility, que reúne informações sobre transporte e inovação, e aponta uma mudança na estratégia da companhia, que no passado tentou desenvolver parte dessa tecnologia internamente e agora parece priorizar a posse ou operação de ativos físicos ligados à mobilidade autônoma.
De acordo com informações da TechCrunch, com base também em cálculo citado pelo Financial Times, a Uber já teria comprometido mais de US$ 10 bilhões na área. Desse total, cerca de US$ 2,5 bilhões corresponderiam a investimentos diretos em empresas, enquanto os US$ 7,5 bilhões restantes estariam reservados para a compra de robotáxis nos próximos anos.
Como a Uber está reposicionando sua estratégia no setor autônomo?
O texto destaca que a empresa, antes associada a um modelo mais leve em ativos, volta a se aproximar de uma estratégia mais intensiva em capital. Em vez de concentrar recursos no desenvolvimento interno de tecnologias autônomas, a Uber estaria direcionando esforços para deter ou arrendar os veículos que deverão operar em sua plataforma. Esse redesenho pode alterar, no futuro, a composição de ativos no balanço da companhia.
Entre as empresas citadas como parte das apostas e parcerias da Uber estão WeRide, Lucid, Nuro, Rivian e Wayve. O boletim observa que a atuação da companhia se espalha por frentes como robotáxis, drones e transporte de cargas, indicando uma estratégia ampla dentro do ecossistema de mobilidade automatizada.
O que mudou em relação à fase anterior da empresa?
A publicação relembra que, entre 2015 e 2018, a Uber viveu uma fase de forte expansão em projetos próprios de tecnologia. Nesse período, lançou a desenvolvedora de táxis aéreos elétricos Uber Elevate, manteve a unidade interna de direção autônoma Uber ATG e reforçou essa frente com a aquisição da Otto em 2016. Em 2018, também comprou a startup de micromobilidade Jump.
Em 2020, porém, a companhia reduziu sua exposição direta a essas operações. A Uber vendeu a ATG para a Aurora, a Jump para a Lime e a Elevate para a Joby Aviation. Ainda assim, conforme o texto, a empresa não se desfez totalmente dessas apostas, pois manteve participações acionárias nas companhias envolvidas.
Na avaliação apresentada no boletim, a nova fase tem natureza diferente da anterior. A Uber não estaria repetindo exatamente a estratégia de desenvolver a tecnologia dentro de casa, mas buscando alcançar objetivo semelhante por outro caminho: participar financeiramente das empresas do setor e, ao mesmo tempo, assegurar acesso aos veículos autônomos que poderão integrar seus serviços.
Quais outros movimentos chamaram atenção no setor de mobilidade?
O boletim também reúne uma série de negócios e movimentações corporativas no segmento. A startup Slate, voltada a picapes elétricas acessíveis, levantou US$ 650 milhões em uma rodada Série C liderada pela TWG Global. Segundo a publicação, a empresa já captou cerca de US$ 1,4 bilhão e pretende colocar seus primeiros veículos em produção até o fim de 2026.
Outros aportes mencionados incluem a Glydways, de São Francisco, que arrecadou US$ 170 milhões em rodada Série C para desenvolver pods autônomos pessoais em faixas dedicadas de dois metros de largura nas cidades. Já a Loop captou US$ 95 milhões em uma rodada Série C liderada pela Valor Equity Partners e pelo fundo Valor Atreides AI Fund.
- Slate: US$ 650 milhões em rodada Série C
- Glydways: US$ 170 milhões em rodada Série C
- Loop: US$ 95 milhões em rodada Série C
- Uber: aumento de 4,5% na participação na Delivery Hero, segundo o Financial Times
Que outras notícias sobre empresas do setor foram destacadas?
Entre os demais destaques, a TechCrunch informou que a Monarch Tractor, desenvolvedora de tratores elétricos e autônomos, teve seus ativos adquiridos pela Caterpillar após enfrentar dificuldades na tentativa de migrar para um modelo de serviços de software. O boletim também menciona que a Uber está aumentando sua participação na Delivery Hero em 4,5%, em operação reportada pelo Financial Times.
Na parte de leituras e notas adicionais, o texto cita a saída de Doug Field da Ford, a expansão da fábrica da Lightship no Colorado, a parceria entre Rivian e Redwood Materials para armazenamento de energia com baterias de segunda vida e a criação, pela Tesla, de um novo aplicativo ligado ao sistema Full Self-Driving. A Waymo, por sua vez, começou a testar seus veículos autônomos em vias públicas de Londres, segundo o boletim.
O conjunto das informações indica um setor de mobilidade em rápida reorganização, com montadoras, startups e plataformas disputando espaço por meio de aportes bilionários, aquisições e novas alianças. No caso da Uber, o foco atual sugere uma tentativa de ganhar presença no mercado autônomo sem retomar integralmente a estrutura operacional que a empresa desmontou a partir de 2020.