O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se empenhado em remodelar a política global, inicialmente através de tarifas e acordos comerciais, e mais recentemente por meio de ações militares. De acordo com informações do portal Grist, suas ações têm implicações significativas para a trajetória energética mundial e as mudanças climáticas. Para o Brasil, o enfraquecimento das metas ambientais globais pressiona diretamente o financiamento estrangeiro para a preservação da Amazônia e pode gerar incertezas para o agronegócio, que já enfrenta exigências climáticas rigorosas de mercados como a União Europeia.
Como Trump está impactando os acordos climáticos?
Antes de focar em ações militares, Trump dedicou sua política externa a minar o progresso internacional no combate ao aquecimento global. Diplomatas de sua administração pressionaram outros países a sabotarem tratados importantes sobre produção de plástico e emissões do setor de transporte. Além disso, lutaram para eliminar qualquer menção às mudanças climáticas em instituições internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU).
“É a maior fraude já perpetrada no mundo”, disse Trump sobre as mudanças climáticas, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro de 2025.
Quais foram as ações específicas contra o clima?
A primeira grande ação diplomática contra as mudanças climáticas foi tentar desmantelar a criação de um imposto global sobre carbono na indústria de transporte marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões mundiais. A administração Trump retirou os EUA das negociações e ameaçou países com medidas retaliatórias se apoiassem a taxação. Essa coerção resultou em um adiamento da decisão sobre o imposto.
Qual é o impacto das ações de Trump nas negociações climáticas?
Além do transporte marítimo, o governo norte-americano também influenciou negativamente as negociações sobre um tratado de plásticos, que visava impor limites à produção global do material. A oposição dos EUA, junto com outras nações produtoras de petróleo, resultou na falta de um acordo. Em outro caso, o Departamento de Estado dos EUA pressionou contra uma resolução proposta por Vanuatu na Assembleia Geral da ONU, que buscava limitar o aquecimento global e exigir reparações climáticas.
“Aqueles mais responsáveis pela crise serão frequentemente os primeiros a resistir à responsabilização”, afirmou Joie Chowdhury, advogada do Centro para o Direito Ambiental Internacional.
Como o mundo está reagindo às políticas de Trump?
Apesar das tentativas de Trump de promover os combustíveis fósseis, muitos países continuam a investir em energias renováveis. A invasão da Ucrânia pela Rússia destacou os riscos da dependência de combustíveis fósseis, levando a Europa e o Reino Unido a fecharem um grande acordo de energia eólica offshore. A postura da administração Trump pode levar a um isolamento diplomático de Washington, enquanto o restante do mundo avança em direção a uma transição energética mais limpa.
Fonte original: Grist