As transações agênticas foram classificadas como uma “megatendência” por Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo, durante o 19º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos, realizado nesta terça-feira, 14, em São Paulo. Segundo ele, o avanço desse modelo de operação deve exigir novas camadas de segurança e autenticação para garantir que agentes automatizados atuem de fato em nome do usuário e dentro dos parâmetros esperados.
De acordo com informações do Mobile Time, Greco afirmou que o uso de agentes em pagamentos demandará validações adicionais, tanto para confirmar a identidade do responsável pela transação quanto para verificar a interação entre os sistemas envolvidos.
“No momento em que tiver um agente fazendo transações pelo usuário será necessário ter um outro nível de autenticação, para garantir que ele é o responsável pela operação”
Além da autenticação, Greco apontou a necessidade de controle sobre a comunicação entre agentes. O executivo disse que será preciso assegurar que os dois lados de uma interação automatizada estejam se comunicando corretamente e operando conforme o esperado. A fala foi feita no evento do setor em São Paulo, onde também foram apresentados dados sobre a evolução dos meios eletrônicos de pagamento no país.
“Teremos que saber se os dois lados estão se falando, se estão agindo da forma esperada ou não estão fazendo nada”
O que mostram os dados da Abecs sobre meios eletrônicos de pagamento?
No último ano, os métodos de pagamento online movimentaram R$ 4,5 trilhões, com aumento de mais de 10% em relação a 2024, segundo dados apresentados pela Abecs. No último trimestre de 2025, essas plataformas registraram volume transacionado equivalente a quase 60% do consumo das famílias brasileiras, o que representa mais de 38% do PIB.
A entidade estima que, em 2026, os meios eletrônicos de pagamento cresçam em torno de 10%. Também foram divulgados números sobre pagamentos por aproximação: dados da Abecs e do IBGE indicam que, em 2025, transações via NFC movimentaram R$ 2 trilhões na economia brasileira, alta de 31% em relação ao período anterior. A maior parte desse total, 73,6%, foi realizada de forma presencial.
Como ficaram Tap on Phone e o comércio online?
Somados os pagamentos, o Tap on Phone alcançou R$ 78 bilhões no último ano. Para este ano, a expectativa apresentada é de que a tecnologia transacione R$ 100 bilhões. Greco atribuiu essa projeção a uma análise de mercado que aponta ampliação da oferta da solução por mais provedores.
No comércio online, os consumidores responderam por R$ 1,1 trilhão em compras com cartão, alta de 18% na comparação com 2024. Já os pagamentos recorrentes avançaram mais de 30%, chegando a R$ 141,9 bilhões, de acordo com os números citados no congresso.
Qual é a proposta para Open Finance e cartões?
Segundo Greco, agentes do setor podem ter encontrado um caminho para viabilizar o Open Finance para cartões por meio do Click to Pay. A proposta é que a operação passe a ser executada pelos Iniciadores de Transação de Pagamento, os ITPs, segmento que, conforme relatado no evento, não tem volume tão expressivo em pagamentos via Pix.
“Permitir essa operação fará com que os iniciadores operem como um intermediário, dessa forma, a transação é rentabilizada para eles e o consumidor se beneficia do sistema Open Finance usando seu cartão”
A Abecs informou que consultou associações de ITPs e pretendia se reunir na quarta-feira, 14, com as bandeiras de cartão para discutir os pontos observados. Na avaliação de Greco, essa pode ser uma forma mais rápida de ampliar o uso do Open Finance com cartão dentro da estrutura já utilizada pelos iniciadores.
“Acreditamos que é uma maneira rápida e pacífica de levar o conforto das transações com cartão para quem utiliza os ITPs dentro do Open Finance”
- Transações agênticas foram tratadas como tendência pelo presidente da Abecs
- Executivo defendeu novo nível de autenticação para operações feitas por agentes
- Pagamentos online movimentaram R$ 4,5 trilhões no último ano
- NFC somou R$ 2 trilhões em 2025, com predominância de uso presencial
- Setor discute uso de Click to Pay por ITPs no Open Finance para cartões