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To Lam é eleito presidente do Vietnã por cinco anos e centraliza poder

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O atual secretário-geral do Partido Comunista, To Lam, foi eleito por unanimidade como o novo presidente do Vietnã para um mandato de cinco anos. A votação ocorreu no parlamento vietnamita nesta terça-feira (7 de abril), marcando uma consolidação histórica de poder no país asiático, visto que ele agora acumulará as duas funções mais importantes do Estado.

De acordo com informações do UOL Notícias, a decisão tomada pela Assembleia Nacional do Vietnã encerra o tradicional modelo de liderança coletiva. A indicação oficial do Partido Comunista havia sido finalizada no final do mês de março, permitindo que o ex-chefe de segurança pública, To Lam, centralize sua autoridade governamental de maneira inédita na política contemporânea da nação.

Quais são os impactos políticos da concentração de poder no Vietnã?

A dupla função assumida pelo líder de 68 anos gera debates sobre o futuro político da nação. Especialistas apontam que a mudança aproxima o sistema vietnamita do modelo adotado pela vizinha China, onde a centralização decisória é a norma. A acumulação dos cargos de presidente e secretário-geral confere ao mandatário ferramentas robustas para conduzir o Estado de partido único de forma direta.

O pesquisador sênior do Instituto ISEAS Yusof Ishak, em Singapura, Le Hong Hiep, analisa os dois lados dessa transição. “Concentrar mais poder nas mãos de To Lam pode representar riscos para o sistema político do Vietnã, como o aumento do autoritarismo”, alertou o especialista. Por outro lado, ele ressalta que o movimento estrutural “pode permitir que o Vietnã formule e implemente políticas de forma mais rápida e eficaz”, favorecendo a estabilidade.

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Alexander Vuving, do Centro de Estudos de Segurança Ásia-Pacífico, nos Estados Unidos, corrobora a tese de uma transformação profunda no regime. Segundo ele, o fato “mudará a política interna do Vietnã para um novo normal, onde a maioria das antigas suposições sobre a política vietnamita, incluindo aquelas sobre liderança coletiva, não são mais válidas”. Vale lembrar que Lam já havia ocupado os dois postos temporariamente após a morte do ex-secretário-geral Nguyen Phu Trong, ocorrida em 2024. Desde então, mesmo após ceder a presidência ao general Luong Cuong, manteve protagonismo em reuniões com líderes estrangeiros.

Como o novo presidente planeja conduzir a economia e a diplomacia?

No campo econômico, o governo foca na competitividade global. Durante seu primeiro mandato como líder partidário, o mandatário implementou um pacote de reformas financeiras voltadas para o longo prazo. Após assegurar sua recondução ao cargo no mês de janeiro, o chefe de Estado estabeleceu metas ambiciosas para impulsionar o mercado interno vietnamita.

O plano de desenvolvimento promovido pela atual gestão foca nos seguintes pilares fundamentais:

  • Busca ativa por um crescimento econômico contínuo de dois dígitos.
  • Adoção de um novo modelo de expansão, reduzindo a dependência da manufatura de baixo custo.
  • Emissão de diretrizes que enfatizam o papel de liderança das empresas estatais, tranquilizando a ala tradicionalista.
  • Apoio simultâneo à expansão estratégica dos conglomerados privados do país.

Investidores internacionais, peças essenciais para uma economia dependente do setor de exportações liderado por multinacionais estrangeiras, costumam elogiar a estabilidade política oferecida pela nação asiática. O atual líder é frequentemente considerado um presidente favorável ao ambiente de negócios, mas sua busca por avanços acelerados gera alertas entre críticos sobre potenciais riscos de corrupção, favoritismo corporativo, bolhas de ativos e desperdícios fiscais.

Já no cenário diplomático, a abordagem adotada é estritamente pragmática. O governo planeja manter intacta a estratégia da “diplomacia do bambu”, uma política voltada para o equilíbrio delicado das relações bilaterais com as grandes potências globais, ao mesmo tempo em que consolida e amplia ativamente as parcerias internacionais já existentes. Para o Brasil, a manutenção dessa estabilidade externa e econômica é relevante, uma vez que o Vietnã se consolidou como um dos principais parceiros comerciais do agronegócio brasileiro no Sudeste Asiático (Asean), sendo um grande importador de commodities nacionais como soja, milho e algodão.

Khang Vu, pesquisador visitante do Boston College, argumenta que a dinâmica externa deve permanecer estável. “O duplo cargo de Lam não sinalizaria mudanças na política externa do Vietnã, mesmo que haja preocupações de que o país esteja concentrando mais poder em um único indivíduo”, explicou o acadêmico, indicando que as diretrizes internacionais independem da nova formatação administrativa do país asiático.

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