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TJ-MG decide que farmacêutico tem direito a adicional de insalubridade em grau máximo

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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) proferiu uma decisão favorável a um profissional farmacêutico, garantindo o direito ao recebimento do adicional de insalubridade em grau máximo. A sentença estabelece que o pagamento deve ser realizado de forma retroativa, abrangendo o período em que o trabalhador esteve exposto a agentes nocivos sem a devida compensação financeira prevista em lei. O entendimento da corte reforça que a natureza do risco à saúde prevalece sobre a frequência da exposição ao agente agressor.

De acordo com informações do ConJur, a Justiça mineira considerou que o contato, ainda que eventual, com agentes biológicos e químicos prejudiciais é suficiente para caracterizar o direito ao adicional de 40% sobre o salário-base. A decisão é um marco importante para a categoria dos profissionais de saúde que atuam em farmácias públicas ou unidades de atendimento, onde a manipulação de medicamentos e o contato com pacientes são rotineiros e inerentes ao cargo ocupado.

O caso chegou à segunda instância após questionamentos sobre a intensidade da exposição do trabalhador. A tese central do processo girou em torno da interpretação do risco acentuado. Enquanto a defesa da administração pública argumentava que o benefício máximo deveria ser restrito a quem mantém contato permanente e ininterrupto com patógenos, os desembargadores do TJ-MG seguiram o entendimento de que o risco é intrínseco à função técnica exercida, independentemente da duração exata do contato diário.

Como o tribunal define o grau máximo de insalubridade?

Para a configuração da insalubridade em grau máximo, os magistrados analisaram os laudos periciais e a legislação trabalhista brasileira, especificamente a Norma Regulamentadora 15 (NR-15). O texto legal estabelece diferentes níveis de adicionais (dez, 20 ou 40%) baseados na periculosidade dos agentes presentes no local de trabalho. No caso dos farmacêuticos que atuam em contato direto com agentes infectocontagiosos, a jurisprudência tem caminhado para a aplicação do teto do benefício.

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A decisão judicial destacou que o exercício da atividade em condições insalubres não exige que o profissional esteja exposto durante 100% de sua jornada laboral. Se a tarefa executada faz parte das atribuições normais do cargo e envolve o risco de contágio ou intoxicação, a proteção jurídica deve ser aplicada de forma integral. Isso ocorre porque o dano à saúde pode ser causado por um único episódio de exposição inadequada, o que torna o argumento da proporcionalidade temporal insuficiente para negar o direito.

Quais são os efeitos do pagamento retroativo para o trabalhador?

O reconhecimento do direito retroativo significa que o autor da ação receberá as diferenças salariais acumuladas desde o início do período em que a insalubridade foi constatada, respeitando o prazo de prescrição quinquenal. Isso implica que os valores devidos nos últimos cinco anos, contados a partir do ajuizamento da ação, devem ser quitados com as devidas correções monetárias e juros previstos na legislação vigente.

Além do impacto financeiro direto, a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais serve como precedente para outros processos semelhantes que tramitam no estado. O Judiciário mineiro tem sinalizado uma interpretação mais protetiva ao trabalhador da saúde, valorizando a perícia técnica que identifica o ambiente hostil à integridade física. Os principais pontos observados no acórdão incluem:

  • A natureza técnica das atividades desempenhadas pelo farmacêutico no atendimento;
  • A presença comprovada de agentes químicos e biológicos no ambiente hospitalar ou farmacêutico;
  • A insuficiência de equipamentos de proteção individual para anular totalmente o risco;
  • O cumprimento dos requisitos estabelecidos pela Justiça do Trabalho e tribunais superiores.

A sentença reforça a necessidade de as instituições realizarem avaliações periódicas das condições de trabalho e garantirem a remuneração adequada aos riscos assumidos pelos servidores e empregados. A ausência de pagamento voluntário do adicional obriga os profissionais a recorrerem ao Poder Judiciário para garantir direitos consolidados. Em resumo, o entendimento assegura que a proteção ao trabalhador deve ser ampla e a concessão do grau máximo é uma medida de justiça e preservação da dignidade humana no trabalho.

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