Tim Cook deixará o cargo de CEO da Apple para assumir a presidência executiva da empresa, mas continuará responsável por parte da interlocução política da companhia, inclusive com o presidente Donald Trump. A mudança foi informada pela própria Apple em comunicado citado em reportagem publicada na terça-feira, 21 de abril de 2026, nos Estados Unidos. Segundo o texto, Cook seguirá atuando no relacionamento com formuladores de políticas ao redor do mundo, em um contexto de disputas regulatórias, tarifas e pressões sobre o setor de tecnologia.
De acordo com informações do The Verge, a Apple afirmou em comunicado que, “como presidente executivo, Cook auxiliará em certos aspectos da empresa, incluindo o engajamento com formuladores de políticas ao redor do mundo”. A reportagem interpreta essa definição como um sinal de que ele continuará à frente das relações políticas mais sensíveis da companhia, em especial com Trump.
Por que Tim Cook continua com papel político na Apple?
Ao longo de sua gestão como CEO, Cook foi descrito como um dos principais responsáveis por conduzir a Apple em disputas políticas delicadas. A reportagem destaca que ele precisou equilibrar os interesses comerciais da empresa na China com preocupações de autoridades dos Estados Unidos, além de tentar obter decisões regulatórias mais favoráveis sem ampliar tensões com funcionários e consumidores da marca.
Esse papel incluiu aparições públicas ao lado de Trump em momentos politicamente sensíveis. O texto relembra, por exemplo, a visita de Cook com o presidente a uma fábrica no Texas em 2019, ocasião em que Trump afirmou de forma incorreta que a Apple estava construindo uma nova planta de manufatura nos Estados Unidos por causa de suas políticas. Também menciona que, no ano passado, Cook entregou ao presidente um presente simbólico: uma peça de vidro “Made in the USA” produzida pela fornecedora Corning e montada em ouro de 24 quilates.
A reportagem também cita críticas dirigidas a Cook por sua presença em uma sessão de cinema na Casa Branca para a exibição do documentário Melania, no mesmo dia em que Alex Pretti foi morto por agentes federais em Minneapolis durante um protesto contra o Immigration and Customs Enforcement. Depois, segundo o texto, Cook fez referência vaga aos “eventos em Minneapolis” e mencionou uma “boa conversa com o presidente”.
Quais foram os resultados dessa estratégia para a empresa?
Segundo a análise do The Verge, a atuação política de Cook trouxe resultados concretos para a Apple em alguns momentos. A reportagem afirma que sua articulação ajudou a empresa a obter uma exclusão tarifária para o iPhone no primeiro mandato de Trump. O texto também diz que smartphones escaparam de parte das novas tarifas no segundo mandato do presidente.
A relação entre os dois, porém, não eliminou todos os problemas da companhia. Ainda de acordo com a reportagem, o governo de Joe Biden moveu uma ampla ação antitruste contra a Apple, e a gestão Trump manteve esse processo até agora, acusando a empresa de dominar ilegalmente mercados de smartphones. O texto também relembra a disputa antitruste com a Epic Games, na qual a Apple venceu em grande parte, mas depois foi duramente criticada pela juíza do caso, que a acusou de violar deliberadamente uma ordem judicial e retirou da empresa parte importante do controle sobre a App Store.
- Exclusão tarifária para o iPhone no primeiro mandato de Trump
- Smartphones poupados de parte das novas tarifas no segundo mandato
- Continuidade de ação antitruste contra a Apple
- Pressões judiciais e regulatórias sobre a App Store
- Impacto potencial das tarifas de até US$ 1 bilhão em um único trimestre
O que muda com a chegada de John Ternus ao comando?
Com a saída de Cook da chefia executiva, o vice-presidente sênior de engenharia de hardware da Apple, John Ternus, assumirá o cargo de CEO. A transição ocorre em meio a desafios regulatórios relevantes para a empresa, segundo a reportagem.
Entre esses desafios, o texto destaca iniciativas globais para regular inteligência artificial e pressões para que lojas de aplicativos verifiquem a idade dos usuários. Nesse cenário, a permanência de Cook como presidente executivo indica, de acordo com a análise, que a Apple pretende manter sua experiência política e institucional em um momento de forte escrutínio sobre as grandes empresas de tecnologia.