Projetos de lei em discussão no Brasil propõem ampliar a participação do Estado na exploração de terras raras, enquanto a Petrobras avançou na escolha de uma parceira para desenvolver combustível sustentável de aviação a partir de etanol em Paulínia, e a Microsoft virou foco do mercado de carbono após relatos sobre uma suspensão temporária na compra de créditos de remoção de CO2. As informações foram publicadas nesta edição da newsletter Verdinhas, da Capital Reset. De acordo com informações da Capital Reset, os temas reúnem debates sobre política mineral, transição energética e financiamento climático.
No caso das terras raras, dois projetos de lei querem colocar o Estado no centro da atividade. Uma das propostas prevê um regime semelhante ao do pré-sal, em que empresas privadas dividiriam produção e tecnologia com o governo. A outra sugere a criação de uma estatal nos moldes da Petrobras, apelidada de “Terrabras”, com atuação direta no setor e possibilidade de abertura de capital.
O que está em debate sobre a proposta de uma “Terrabras”?
As propostas receberam críticas de representantes do setor mineral. Segundo o texto, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) avalia que a criação de uma estatal ou de um novo modelo de partilha pode afastar investimentos. A entidade afirma que os principais entraves para o avanço da atividade estão em áreas como tecnologia de processamento, financiamento, logística e segurança jurídica.
O posicionamento do Ibram foi resumido em nota citada pela publicação, segundo a qual a criação de uma empresa pública não eliminaria esses obstáculos. O debate, portanto, opõe a ideia de maior protagonismo estatal à avaliação de agentes privados de que o foco deveria estar em condições estruturais para desenvolver a cadeia produtiva.
Como a Petrobras pretende produzir combustível sustentável para a aviação?
A Petrobras selecionou a empresa americana Honeywell para desenvolver um projeto de produção de SAF, o combustível sustentável de aviação, em sua refinaria em Paulínia, no interior de São Paulo. De acordo com a reportagem, será a primeira planta de grande escala da América Latina a usar a rota tecnológica conhecida como álcool para jato, ou ATJ, na sigla em inglês.
Esse processo permite transformar álcoois, como o etanol produzido a partir de cana-de-açúcar ou milho, em combustível apto a ser misturado ao querosene fóssil. A rota é apontada como promissora no Brasil em razão da ampla disponibilidade de etanol. O movimento se insere no esforço de buscar alternativas de menor emissão para o setor aéreo.
- Projeto será desenvolvido na refinaria de Paulínia, em São Paulo
- A parceira tecnológica escolhida foi a Honeywell
- A rota usada será a de álcool para jato, conhecida como ATJ
- O insumo pode incluir etanol de cana-de-açúcar ou de milho
O que aconteceu com a Microsoft no mercado de carbono?
Segundo o portal americano Heatmap, a Microsoft suspendeu temporariamente as compras de créditos de remoção de CO2, o que provocou reação no mercado. A Capital Reset afirma que a notícia repercutiu porque, de acordo com a BloombergNEF, a empresa adquiriu 96% da oferta global em 2025. Entre esses créditos estão os gerados por iniciativas de reflorestamento.
A Microsoft negou a informação de suspensão. Conforme a publicação, a empresa declarou apenas que realiza revisões estratégicas constantes para ajustar o ritmo de suas compras. Desenvolvedores brasileiros ouvidos pela Capital Reset disseram não ter recebido comunicação da companhia sobre qualquer mudança nesse sentido.
Que outros temas ambientais e de transição energética aparecem no material?
A edição também cita uma ação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no STF para suspender a obrigação de instituições financeiras utilizarem dados do Prodes na análise para concessão de crédito rural. Em nota mencionada pela reportagem, a entidade argumenta que o uso dessas informações fere a presunção de inocência e o direito à ampla defesa, além de afirmar que imagens de satélite não distinguem automaticamente o desmatamento legal do ilegal.
Outro destaque é o financiamento emergencial de US$ 1,65 bilhão, cerca de R$ 8,2 bilhões, obtido pela startup sueca Stegra para concluir a construção de sua nova usina siderúrgica. Segundo o texto, a empresa afirma que pretende produzir aço com redução de 95% nas emissões de CO2 em comparação com o processo tradicional, por meio de uma rota baseada em hidrogênio verde.
Por fim, a publicação registra o reconhecimento à pesquisadora brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa, incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista Time, na categoria Pioneiros. O destaque se refere à sua trajetória em microbiologia do solo e ao uso de bactérias para substituir fertilizantes químicos na agricultura brasileira.