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Supertufão Sinlaku devasta as Ilhas Marianas antes da temporada de tempestades

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O supertufão Sinlaku, classificado como a tempestade mais forte do ano de 2026, atingiu o arquipélago das Ilhas Marianas e Guam nesta semana, deixando um rastro de destruição meses antes do início oficial da temporada de ciclones. De acordo com informações do Grist, o fenômeno de Categoria 5 gerou ventos de aproximadamente 297 quilômetros por hora, destelhou casas, causou inundações severas e deixou milhares de famílias abrigadas sem eletricidade, água encanada ou sinal de celular durante mais de dois dias no Pacífico ocidental.

Antes de alcançar os territórios americanos, a tempestade atingiu o estado de Chuuk, nos Estados Federados da Micronésia, resultando em uma pessoa morta e um pescador desaparecido no mar. Em seguida, o sistema passou pelo norte de Guam, provocando enchentes, até atingir as ilhas de Saipan e Tinian, na Comunidade das Ilhas Marianas do Norte. A rota foi semelhante à do supertufão Yutu, ocorrido há oito anos, que destruiu milhares de residências e forçou crianças a estudarem em tendas provisórias.

Por que a chegada do fenômeno surpreendeu os especialistas e moradores?

A região, que abriga cerca de 50 mil pessoas, incluindo populações indígenas chamorros e carolinas, está historicamente acostumada a tempestades destrutivas. No entanto, o impacto em pleno mês de abril, pelo menos dois meses antes do período habitual de formação de tufões, gerou alarme.

“Nunca vi nada parecido com isso, onde um tufão simplesmente não parece ir embora”

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, afirmou Ed Propst, morador chamorro e ex-legislador da comunidade, ressaltando que esta é a primeira vez que se recorda de um evento dessa magnitude tão cedo no ano.

A intensificação precoce está diretamente ligada ao aquecimento dos oceanos. Daniel Swain, cientista climático do Instituto da Califórnia para Recursos Hídricos, explicou que as temperaturas da superfície do mar na região estavam até cinco graus Fahrenheit acima da média recente.

“Como oceanos tropicais quentes são ‘combustível para furacões’, o atual supertufão se intensificou rapidamente em um ambiente favorável que está, pelo menos em parte, ligado às mudanças climáticas via aquecimento dos oceanos”

, destacou o pesquisador.

Como o governo federal americano está respondendo ao desastre natural?

A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) aprovou o auxílio para o arquipélago antes mesmo da chegada da tempestade e posicionou 90 funcionários em Guam e nas Ilhas Marianas do Norte. O centro de distribuição da agência armazenou cerca de 1,1 milhão de litros de água, 723 mil refeições, 5,3 mil leitos, milhares de cobertores, lonas e 78 geradores. Contudo, a agência alertou que um impasse no Congresso sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna, impulsionado por tensões políticas ligadas às políticas de imigração do governo de Donald Trump, pode prejudicar a disponibilidade contínua de fundos de socorro.

Organizações locais expressaram profunda preocupação com o cenário a longo prazo. Sheila Babauta, defensora da justiça climática e membro da organização Right to Democracy, relatou que a comunidade já enfrentava uma crise econômica e erosão costeira antes do desastre. Adi Martínez Román, codiretora da mesma organização, demonstrou apreensão com a remodelação permanente dos programas de alívio de desastres. Durante mais de um ano, o governo reduziu equipes da FEMA e removeu referências às mudanças climáticas das diretrizes federais.

“Essa é uma questão muito grande”

, avaliou Román sobre os recursos que estarão efetivamente disponíveis para a recuperação prolongada.

Quais são as dificuldades políticas enfrentadas pelos territórios dos Estados Unidos?

Durante a tempestade, o gabinete da deputada Kimberlyn King-Hinds, única representante da comunidade no Capitólio, tentou tranquilizar os residentes sobre o apoio contínuo em Washington. Chris Conception, porta-voz da legisladora, afirmou que questões de financiamento ainda não foram levantadas nas comunicações oficiais, mas reconheceu que o arquipélago depende pesadamente de suporte federal ágil. Antes do tufão, a região já havia solicitado ajuda devido à queda drástica no turismo pós-pandemia, pedindo mudanças em restrições de voos e vistos, mas sem obter compromissos concretos da administração federal.

A falta de representação política plena agrava consideravelmente a situação. Moradores de territórios dos Estados Unidos não podem votar para presidente e não possuem representação no Senado, o que dificulta a influência sobre políticas federais de infraestrutura e resiliência. Essa disparidade estrutural se torna cada vez mais crítica à medida que as comunidades enfrentam os piores efeitos das mudanças climáticas. Segundo autoridades locais, entre os principais impactos diários relatados na região estão:

  • Tempestades extremas e cada vez mais precoces;
  • Aumento do nível do mar e erosão costeira acelerada;
  • Branqueamento de corais que afeta o ecossistema;
  • Agravamento de doenças relacionadas ao calor excessivo;
  • Limitação severa no acesso à água potável fresca.

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