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Solidão na velhice está ligada a pior memória inicial, aponta estudo europeu

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A solidão em pessoas idosas está associada a pior desempenho inicial em testes de memória, mas não necessariamente a uma aceleração do declínio cognitivo ao longo dos anos, segundo um estudo longitudinal publicado na revista Aging & Mental Health. A pesquisa acompanhou 10.217 adultos de 65 a 94 anos, em 12 países europeus, durante seis anos, para avaliar como a sensação de solidão se relaciona com a recordação imediata e tardia. De acordo com informações da Wired, os participantes com níveis mais altos de solidão tiveram notas mais baixas no ponto de partida, embora a velocidade de queda da memória tenha sido praticamente igual à de pessoas que não relataram solidão.

O trabalho foi liderado por Luis Carlos Venegas-Sanabria, da Escola de Medicina e Ciências da Saúde da Universidad del Rosario. Os pesquisadores usaram dados do Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe, conhecido como SHARE, uma base longitudinal voltada ao estudo do envelhecimento. O objetivo foi observar, ao longo do tempo, o peso relativo da solidão e de outros fatores sobre o desempenho cognitivo na velhice.

O que o estudo concluiu sobre solidão e memória?

Os resultados indicam que a idade foi o fator mais importante para determinar o nível de memória e a velocidade de declínio. A partir dos 75 anos, as pontuações começaram a cair mais rapidamente, e, depois dos 85, essa redução se tornou mais acentuada. Além da idade, depressão e doenças crônicas, como diabetes, também estiveram associadas a escores iniciais mais baixos.

No caso da solidão, o efeito identificado pelos autores apareceu sobretudo no ponto de partida: idosos mais solitários lembravam menos palavras nos testes de recordação imediata e tardia. No entanto, esse fator não alterou a inclinação do declínio cognitivo ao longo dos seis anos analisados.

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“It suggests that loneliness may play a more prominent role in the initial state of memory than in its progressive decline,”

“The study underscores the importance of addressing loneliness as a significant factor in the context of cognitive performance in older adults.”

Como a pesquisa foi feita com os idosos europeus?

A equipe analisou informações de 10.217 adultos solteiros, com idades entre 65 e 94 anos, em 12 países da Europa. Durante seis anos, os pesquisadores acompanharam o nível de solidão relatado pelos participantes e o desempenho deles em testes de memória. O SHARE é descrito no texto original como uma das bases longitudinais mais robustas para o estudo do envelhecimento.

O estudo também observou a influência de outros elementos ligados à saúde e ao estilo de vida. Entre eles, a atividade física apareceu associada a melhores resultados iniciais de memória. Pessoas que praticavam atividade física moderada ou vigorosa ao menos uma vez por mês conseguiam recordar mais palavras nos testes aplicados.

Quais fatores também influenciaram o desempenho cognitivo?

Além da solidão, os pesquisadores destacaram outros fatores relacionados ao desempenho de memória no início do acompanhamento:

  • idade, especialmente a partir dos 75 anos;
  • depressão;
  • doenças crônicas, como diabetes;
  • prática de atividade física moderada ou vigorosa ao menos uma vez por mês.

Segundo o relato da Wired, a atividade física não mudou a velocidade do declínio, mas elevou a linha de base da memória, funcionando como uma espécie de “reserva cognitiva”. Já a solidão, embora tenha influenciado o nível inicial, não foi associada a uma piora mais rápida ao longo do período observado.

Por que essa discussão ganha importância com o envelhecimento da população?

O estudo não investigou diretamente as causas da ligação entre solidão e cognição, mas o texto cita hipóteses já levantadas em pesquisas anteriores. Entre elas estão a menor interação social, o maior risco de depressão e a presença mais frequente de problemas de saúde, como hipertensão ou diabetes, todos fatores que podem afetar o desempenho cognitivo.

A discussão se torna ainda mais relevante diante do envelhecimento populacional. Segundo projeções das Nações Unidas mencionadas no texto original, até 2050 uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos. Nesse cenário, demência e outras doenças neurodegenerativas associadas à idade tendem a representar um desafio crescente para os sistemas de saúde.

Os resultados do estudo, portanto, reforçam a importância de considerar a solidão como um fator relevante no contexto do desempenho cognitivo em idosos, sem concluir, porém, que ela acelere por si só o envelhecimento cerebral.

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