A chamada síndrome do pescoço tecnológico, também conhecida como tech neck, voltou ao centro das discussões sobre beleza e envelhecimento da pele em reportagem publicada em 27 de março de 2026 pelo Olhar Digital, ao ser associada ao uso frequente de smartphones. O termo descreve linhas horizontais no pescoço que, segundo especialistas ouvidos pela publicação, podem se intensificar com o hábito de olhar para baixo por longos períodos. De acordo com informações do Olhar Digital, a preocupação tem sido explorada pela indústria da beleza, que ampliou a oferta de produtos e tratamentos voltados à região do pescoço.
O tema reúne fatores estéticos, comportamentais e comerciais. Embora o envelhecimento natural da pele e a genética continuem apontados como elementos importantes para o surgimento dessas marcas, médicos afirmam que o uso contínuo de celulares pode agravar o quadro. A discussão também ocorre em meio a um movimento do setor de cuidados com a pele em busca de novas frentes de consumo, especialmente entre públicos mais jovens.
O que é a síndrome do pescoço tecnológico?
No campo estético, o tech neck é usado para descrever rugas ou linhas horizontais que aparecem no pescoço com o passar do tempo e que podem se tornar mais visíveis com a postura repetida de inclinar a cabeça para olhar a tela do celular. Especialistas ressaltam, porém, que esse uso do termo não deve ser confundido com a condição ortopédica de mesmo nome, relacionada a dores na coluna cervical.
A reportagem cita o relato da influenciadora Kelley Liu, de 24 anos, que passou a observar o problema após um comentário feito por sua mãe. Ela afirmou:
“Você tem mais rugas no pescoço do que eu”.
Depois, ao tentar entender a causa, disse:
“Será porque eu sou baixa? Talvez meu pescoço seja mais curto que o de outras pessoas, ou talvez seja porque eu tenho um iPhone desde os oito anos.”
O que especialistas dizem sobre as marcas no pescoço?
A dermatologista cosmética Melanie Palm afirmou que algumas linhas horizontais podem se aprofundar com o tempo em razão do comportamento repetitivo de olhar para baixo. Segundo a médica:
“Algumas dessas linhas horizontais fixas e mais profundas acabam piorando porque as pessoas passam literalmente horas no celular olhando para baixo”.
A publicação também menciona dados da empresa Harmony Healthcare IT, segundo os quais estadunidenses passam, em média, cinco horas e 16 minutos por dia no celular. Entre integrantes da geração Z, o tempo sobe para seis horas e 27 minutos diários. O texto apresenta esses números como parte do contexto que ajuda a explicar a maior atenção dada ao problema.
Como a indústria da beleza reagiu ao tech neck?
A reportagem aponta que marcas de beleza passaram a incorporar o tema em campanhas e lançamentos. Em um cenário de rotinas de cuidados mais enxutas, associado ao chamado skinimalismo, o pescoço surge como nova área de preocupação para consumidores e empresas.
- A Olay lançou um tratamento lifting para rosto e pescoço promovido em parte como resposta ao problema.
- A Solawave incluiu o tema em campanha ligada a máscaras de terapia com luz vermelha.
- A Brickell publicou conteúdo sobre rugas no pescoço e promoveu um creme firmador para a região.
- A RoC desenvolveu um produto hidratante em bastão específico para o pescoço e ampliou sua divulgação para um público mais jovem.
Entre os casos citados, a RoC informou que identificou o fenômeno em grupos de pesquisa há três anos e passou a direcionar sua comunicação também a consumidores mais novos. Segundo a marca, as vendas do sérum cresceram 17% no primeiro trimestre. Já a influenciadora Molly J. Curley, de 31 anos, relatou ter percebido o tema nas redes sociais e disse:
“Olhei no espelho e pensei: ‘Meu Deus, eu tenho tech neck’”.
Em seguida, acrescentou:
“Sou jovem demais para isso”.
Há alternativas além de cosméticos e procedimentos?
O texto informa que nem todos os consumidores apostam apenas em cremes. O cirurgião plástico Sam Rizk, de Nova York, afirmou que sua clínica registrou aumento de 25% em dois anos na procura por lifting de pescoço entre pacientes na faixa dos 30 anos, movimento que ele relaciona, em parte, à popularização do tech neck.
Ao mesmo tempo, a reportagem destaca que o próprio médico recomenda, em certos casos, medidas mais simples e menos invasivas, como suportes para celular que mantêm o aparelho na altura dos olhos. A proposta é reduzir a necessidade de inclinar a cabeça por períodos prolongados. Assim, a discussão sobre a síndrome do pescoço tecnológico se divide entre a percepção estética, os hábitos de uso de telas e o interesse comercial crescente em torno do tema.



