Uma equipe internacional liderada por pesquisadores chineses anunciou a simulação cosmológica HyperMillennium, descrita como a maior já desenvolvida, para reconstruir a evolução de estruturas do universo desde instantes posteriores ao Big Bang ao longo de dez bilhões de anos. De acordo com informações da Revista Fórum, o estudo modela uma região cúbica do espaço com 12 bilhões de anos-luz de lado, usando 4,2 trilhões de partículas virtuais de matéria escura, 13 petabytes de dados e mais de 100 milhões de horas de processamento.
A iniciativa foi apresentada como uma nova ferramenta digital para a comunidade científica investigar a formação e a evolução do cosmos. Segundo o texto original, a simulação emprega uma técnica de N-corpos para reconstituir como estruturas de larga escala surgiram e se desenvolveram, permitindo rastrear a formação de galáxias ao longo do tempo. Com a incorporação de modelos físicos de formação galáctica, o sistema também produz um catálogo detalhado com posições, brilho e outras características desses objetos.
O que é a simulação HyperMillennium?
A HyperMillennium é uma simulação cosmológica de larga escala criada para oferecer aos pesquisadores um ambiente virtual de análise do universo. O projeto busca apoiar estudos sobre matéria escura e energia escura, além de contribuir para missões de mapeamento astronômico de nova geração, como o Telescópio da Estação Espacial Chinesa e a missão Euclid, da Agência Espacial Europeia.
O primeiro artigo científico do projeto foi publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Como teste de validação, a equipe comparou os resultados da simulação com observações reais de Abell 2744, um aglomerado de galáxias situado a cerca de quatro bilhões de anos-luz da Terra, e relatou uma correspondência em nível de pixel.
Quais recursos computacionais foram usados no projeto?
O trabalho exigiu infraestrutura computacional de grande porte. A equipe utilizou o software PhotoNs, desenvolvido pelos próprios pesquisadores para supercomputadores chineses, após mais de uma década de trabalho em algoritmos e otimização. A execução envolveu mais de dez mil cartões aceleradores, além de mais de 100 milhões de horas de núcleo de CPU e dez milhões de horas de cartão acelerador.
- 13 petabytes de dados gerados
- Mais de 100 milhões de horas de núcleo de CPU
- Dez milhões de horas de cartão acelerador
- Mais de dez mil cartões aceleradores utilizados
Segundo o texto, esses números colocam o projeto em uma escala inédita. O objetivo é permitir o estudo de estruturas cósmicas raras e massivas com maior nível de detalhe, sem perder capacidade estatística.
O que disseram os pesquisadores e especialistas sobre o estudo?
O pesquisador Wang Qiao, dos Observatórios Astronômicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências, afirmou:
“A simulação foi concluída com alta resolução de força e precisão temporal, e também representou um avanço em escala computacional. Ela permite que cientistas estudem estruturas cósmicas extremamente raras e massivas em detalhes refinados, mantendo forte poder estatístico”
Mike Boylan-Kolchin, professor da Universidade do Texas em Austin, descreveu a simulação como
“uma maravilha computacional”
e disse que ela ajudará a desvendar segredos da energia escura e do universo primitivo. No mesmo contexto, o texto informa que Volker Springel, diretor do Instituto Max Planck de Astrofísica, declarou que o projeto
“redefine os limites da cosmologia numérica”
e disse estar
“extremamente impressionado”
com o esforço da equipe.
Como os dados da simulação serão usados daqui para frente?
De acordo com o NAOC, o primeiro lote de dados da simulação já foi disponibilizado para a comunidade científica global por meio do Centro Nacional de Dados Astronômicos. A liberação desse material pode ampliar o uso da ferramenta em pesquisas sobre a estrutura do universo e no apoio a observações futuras.
Com isso, a HyperMillennium passa a funcionar como uma base de comparação para estudos observacionais e teóricos. No relato publicado, o projeto é apresentado como um marco computacional e científico voltado a aprimorar a compreensão sobre a evolução cósmica, sem deixar de servir como suporte para novas missões astronômicas internacionais.