A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está ampliando e modernizando as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) Norte e Sul em Londrina, no Norte do Estado, utilizando recursos financiados pelo banco de desenvolvimento alemão KfW. A iniciativa faz parte da segunda fase do programa Paraná Bem Tratado e visa aumentar a eficiência operacional e reduzir a emissão de gases de efeito estufa no saneamento básico paranaense. De acordo com informações da Agência Paraná, o montante total destinado a cinco obras no estado gira em torno de R$ 300 milhões.
A parceria entre a estatal e o banco alemão foi estabelecida para garantir tecnologias de baixo impacto ambiental. Embora o contrato formalize o envio dos recursos agora, as obras em Londrina já estão em estágio avançado, financiadas inicialmente com recursos próprios da Sanepar. O diretor-presidente da companhia, Wilson Bley, destaca que a relação de confiança com a instituição internacional permitiu que os trabalhos progredissem além da contrapartida mínima exigida.
“Temos esta parceria com o KfW desde o desenho deste modelo que tem grande impacto no que diz respeito à eficiência operacional e minimização da emissão dos gases de efeito estufa”, explica Bley.
Quais são as principais melhorias na ETE Sul de Londrina?
Os investimentos na ETE Sul, localizada no Parque Municipal João Milanez, viabilizam a criação de uma Central de Tratamento de Lodo. Esta unidade terá caráter regional, atendendo não apenas a cidade de Londrina, mas também os municípios de Cambé e Tamarana. A estrutura contará com sistemas avançados para a coleta, armazenamento e tratamento do biogás, que passará a ser utilizado como combustível no processo de secagem dos resíduos sólidos.
Segundo o gerente de Convênios e Parcerias da Sanepar, Eduardo Pegorini, a unidade emprega tecnologias inovadoras que transformam subprodutos do esgoto em fontes de energia. Atualmente, o biogás é queimado e o lodo é descartado em aterros, gerando custos logísticos e impactos ambientais que serão mitigados com as novas instalações.
Qual o impacto tecnológico da Central de Tratamento de Lodo?
A central utiliza equipamentos de alta complexidade técnica, raros no cenário brasileiro. O destaque é o sistema de secagem térmica, que possui componentes robustos para o processamento industrial dos resíduos. Entre os principais itens técnicos do sistema, destacam-se:
- Um tambor de aço modelo Bruthus com 18 metros de comprimento e 43 toneladas;
- Capacidade de processamento de até cinco toneladas de lodo por hora;
- Gerador de gases com seis metros de comprimento e 40 toneladas;
- Redução do volume de descarte de quatro caçambas de lodo úmido para apenas uma de lodo seco.
Com um investimento de R$ 58,8 milhões, a entrega final da obra na ETE Sul está prevista para novembro de 2024. O gerente-geral da Sanepar na Região Nordeste, Rafael Leite, enfatiza que o reaproveitamento do gás da estação evita a emissão de gases de efeito estufa, alinhando a operação aos conceitos modernos de estações de tratamento sustentáveis.
Como a ETE Norte contribuirá para a autossuficiência energética?
Na região do Jardim Eucalipto, a ETE Norte também recebe aportes significativos, orçados em R$ 62 milhões. O foco nesta unidade é a revitalização de cinco reatores anaeróbios e a construção de um novo digestor. O diferencial tecnológico será o aproveitamento do biogás para a geração de energia elétrica, que será consumida pela própria estação de tratamento para manter suas operações.
As obras na unidade Norte têm conclusão prevista para março de 2028. Além de Londrina, os recursos do banco alemão KfW estão sendo aplicados em melhorias nas ETEs de Umuarama (Pinhalzinho) e Curitiba (Padilha e Belém). O programa Paraná Bem Tratado, consolidado na última década, fundamenta-se na pesquisa e cooperação técnica com a agência alemã GIZ, focando na mitigação das mudanças climáticas por meio do tratamento de esgoto doméstico.
“O processo de secagem é capaz de reduzir o volume de quatro caçambas de lodo úmido para uma única caçamba de lodo seco. Aproveitando o gás da estação, deixamos de emitir gases de efeito estufa”, afirma Rafael Leite.