A gigante sul-coreana Samsung Electronics avalia encerrar as vendas de seus televisores e eletrodomésticos no mercado da China até o fim deste ano, redirecionando seus esforços comerciais estratégicos para os Estados Unidos. De acordo com informações do Valor Empresas, a decisão oficial sobre a retirada gradual dos estoques varejistas deve ser comunicada a funcionários e parceiros locais até o final do mês de abril. O recuo no continente asiático reflete a forte pressão imposta pela concorrência interna.
Por que a Samsung quer sair do mercado chinês de eletrodomésticos?
O principal motivo para a reformulação das operações comerciais é o ambiente altamente competitivo criado pelos rivais locais. Fabricantes chineses elevaram significativamente a qualidade de seus produtos e componentes, mantendo os preços finais reduzidos para o consumidor, o que desafiou a hegemonia das empresas sul-coreanas e japonesas em escala global. Além disso, a crescente preferência dos consumidores do país por marcas nacionais tornou a sustentabilidade dos negócios estrangeiros muito complexa.
Durante um evento de apresentação de novas telas de vídeo realizado no dia 15 de abril, o chefe da divisão, Yong Seok-woo, confirmou o cenário adverso, embora a matriz tenha declarado que nenhuma decisão definitiva foi formalizada até o atual momento. A estratégia da fabricante agora envolve:
- Manter apenas a produção local de geladeiras, máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado exclusivamente voltados para a exportação.
- Redirecionar os recursos financeiros e estruturais na China para impulsionar os setores de semicondutores e smartphones.
- Liquidar gradualmente todo o atual estoque chinês de televisores e equipamentos domésticos.
Como estão os números globais de vendas de televisores?
Os dados de mercado ilustram a rápida ascensão das companhias chinesas no setor de tecnologia residencial. Dos quase 33 milhões de aparelhos de TV comercializados na China no ano de 2025, as marcas estrangeiras, incluindo a linha da Samsung, responderam por menos de um milhão de unidades, conforme relatórios de análise da Runto Technology.
No panorama mundial, corporações como Hisense e TCL dominaram 31,9% das vendas de televisores em 2025, ultrapassando os 30,4% de participação combinada da Samsung e da concorrente sul-coreana LG Electronics, de acordo com levantamentos da Euromonitor. Para fins de comparação histórica, no ano de 2016, os asiáticos detinham apenas 16% de fatia de mercado, contra 35% das marcas da Coreia do Sul. O setor de eletrodomésticos e telas, que representa 17% da receita consolidada da companhia, registrou um prejuízo operacional de 200 bilhões de won (cerca de US$ 136 milhões) no último ano fiscal, marcando o primeiro registro de perdas do segmento desde a fundação da corporação.
Qual é a nova estratégia da marca para o mercado dos EUA?
Para reverter o histórico recente de balanços negativos e enfrentar o avanço agressivo da concorrência, a companhia aposta de forma incisiva na introdução de modelos de ponta para os consumidores americanos. O plano inclui a comercialização de televisores integrados com recursos avançados de inteligência artificial, capazes de exibir informações complexas baseadas em comandos de voz, com foco voltado para as atualizações tecnológicas visando a Copa do Mundo de Futebol, que começa no mês de junho.
A fabricante sustenta a liderança isolada nas vendas de TVs nos Estados Unidos no ano de 2025, de acordo com o instituto Mordor Intelligence, e mantém alta participação no varejo de eletrodomésticos de grande porte, como refrigeradores. Apesar dos riscos econômicos envolvendo prováveis tarifas de importação americanas, os executivos da divisão garantem que a mitigação de custos será efetivada a partir da utilização estratégica de suas fábricas globais, englobando as instalações industriais presentes na América do Sul.
O movimento estratégico de encolhimento segue uma tendência de reestruturação profunda já adotada nos últimos anos por tradicionais fabricantes japonesas, que também enfrentaram duras dificuldades comerciais. Como exemplo, no mês de março, o Grupo Sony anunciou o repasse de 51% de sua participação global no segmento de televisores e de uma fábrica operante na Malásia para a TCL. Anteriormente, a tradicional divisão de telas da Toshiba havia sido adquirida integralmente pela Hisense no ano de 2017, enquanto a histórica marca Sharp foi comprada pela taiwanesa Foxconn em 2016.