Menos de uma década atrás, a Sérvia tinha apenas um par reprodutor da espécie de águia imperial oriental. Agora, graças ao trabalho incansável de conservacionistas, a situação está mudando. De acordo com informações do The Guardian, a Sociedade de Proteção e Estudo de Aves da Sérvia (BPSSS) registrou 19 pares reprodutores no ano passado, dos quais dez conseguiram criar filhotes com sucesso.
Quais são os desafios enfrentados pelas águias imperiais?
A intensificação da agricultura na região de Vojvodina levou ao desmatamento de carvalhos e choupos, tornando-a uma das regiões menos florestadas da Europa. “Você pode dirigir aqui por uma hora e meia e não ver uma única árvore com mais de cinco metros”, afirma Milan Ružić, diretor executivo da BPSSS. Além disso, a perseguição histórica e o envenenamento de aves de rapina contribuíram para o declínio da espécie.
Como a conservação está ajudando as águias?
Com o apoio do projeto PannonEagle Life, financiado pela UE, a BPSSS tem monitorado territórios e reabilitado águias feridas. “Nos cafés das vilas, destacávamos que havia menos águias imperiais em todo o país do que pessoas bebendo cerveja na sala”, diz Ružić. Essa conscientização tem ajudado a mudar a mentalidade local, reduzindo a caça e o envenenamento.
Quais são os próximos passos para a conservação?
A recuperação das águias ainda é frágil, com a escassez de árvores e a lenta adaptação a plataformas de nidificação artificiais. Além disso, a prática de envenenamento persiste, apesar das campanhas de conscientização. “É um problema de mentalidade”, afirma Ružić. No entanto, a população de águias está se expandindo ao longo dos corredores fluviais a uma taxa estimada de 15 a 20 km por ano.
Embora os desafios permaneçam, Ružić está otimista: “A tendência mudou. A menos que algo dramático aconteça, elas continuarão voltando”.
Fonte original: The Guardian