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Reino Unido busca tecnologia limpa da China, diz CEO da Octopus Energy

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O Reino Unido precisa cooperar com a China para avançar no desenvolvimento de tecnologia limpa, afirmou Greg Jackson, fundador e CEO da Octopus Energy, ao defender parcerias para turbinas eólicas e outras soluções energéticas. A declaração foi dada em entrevista recente ao Nikkei Asia, em meio à expansão da empresa na Ásia e ao debate sobre custo, segurança e produção industrial britânica. De acordo com informações do Valor Econômico, a companhia também ampliou sua atuação no Japão e na Coreia do Sul.

O tema tem reflexos além da Europa. Para o Brasil, a discussão é relevante porque a transição energética também depende de cadeias globais de equipamentos, como turbinas eólicas, painéis solares e sistemas de armazenamento, em um mercado no qual a China tem peso central na manufatura.

A Octopus Energy, hoje a maior fornecedora residencial de energia do Reino Unido após a aquisição da divisão residencial da Shell, passou a mirar mais fortemente o mercado chinês. No início de 2026, a empresa formou a joint venture Bitong Energy para comercialização de energias renováveis e, poucos meses antes, assinou um contrato com a fabricante chinesa Ming Yang Smart Energy para levar tecnologias ao mercado eólico britânico.

Por que o CEO da Octopus defende parceria com a China?

Segundo Jackson, a avaliação da empresa é que, em grande parte das áreas de tecnologia limpa, as soluções chinesas estão entre as mais avançadas. Em entrevista ao Nikkei Asia, ele afirmou:

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“Estamos agora em um estágio em que, na maioria das áreas de tecnologia limpa, as tecnologias chinesas são as melhores do mundo”

Na mesma entrevista, ele acrescentou:

“Para evitar que uma grande lacuna se abra, quero trabalhar com a China.”

Jackson comparou o momento do setor energético britânico ao da indústria automobilística do país na década de 1980, quando parcerias com montadoras japonesas ajudaram a revitalizar a produção local. A partir dessa lógica, ele argumenta que um arranjo semelhante com empresas chinesas poderia fortalecer a fabricação de turbinas eólicas no Reino Unido.

Quais são os argumentos econômicos a favor dessa cooperação?

A Octopus calcula que o uso de turbinas chinesas poderia gerar economia de 30 bilhões de libras ao Reino Unido ao longo da vida útil dos equipamentos. Segundo a empresa, parte dessa vantagem viria do fato de essas turbinas serem cerca de 30% mais baratas do que modelos produzidos no Reino Unido ou em outras partes da Europa.

Jackson também sustenta que a ampliação da concorrência ajudaria a reduzir preços. Ao comentar a estrutura da indústria europeia, ele afirmou:

“Existem apenas dois grandes fabricantes de turbinas eólicas na Europa. Essa é uma cadeia de suprimentos muito frágil”

Na mesma linha, acrescentou:

“O que descobri no setor de energia é o poder surpreendente das empresas estabelecidas de criar cortinas de fumaça, manter margens de lucro elevadas, custos altos e impedir a concorrência. Acho que esse é o maior risco.”

No Brasil, discussões sobre custo de equipamentos, conteúdo local e dependência de fornecedores externos também aparecem com frequência nos setores eólico e solar, o que aproxima o debate britânico das escolhas industriais e energéticas feitas no país.

  • Joint venture Bitong Energy criada no início de 2026
  • Acordo com a Ming Yang Smart Energy para o mercado eólico britânico
  • Estimativa de economia de 30 bilhões de libras ao longo da vida útil das turbinas
  • Projeto de 1,5 bilhão de libras para fábrica em Ardersier ainda aguarda aprovação do governo

Quais são as críticas e os riscos apontados nesse debate?

Críticos da parceria citam preocupações de segurança nacional ao entregar a uma entidade chinesa controle sobre uma fonte de energia. Em resposta, Jackson afirmou que a Octopus desenvolveu sistemas próprios de segurança cibernética e de controle para serem incorporados às turbinas.

A empresa também destaca sua plataforma de inteligência artificial Kraken, usada para permitir que clientes desloquem o consumo de eletricidade para horários em que a energia renovável é mais barata. Ao rebater o argumento de um eventual “interruptor de desligamento” em turbinas eólicas, Jackson disse:

“O tal ‘interruptor de desligamento’ em turbinas eólicas precisa ser analisado de forma imparcial”

“Nosso sistema elétrico é projetado para funcionar em dias sem vento. Portanto, desligar uma turbina eólica dessa forma é uma medida pouco eficaz quando se trata de atacar a infraestrutura energética de alguém.”

Outra frente de questionamento envolve supostas ligações da Ming Yang com o Corpo de Produção e Construção de Xinjiang, organização paramilitar sancionada pelos Estados Unidos por acusações de violações de direitos humanos contra os uigures. Pequim nega essas acusações. Jackson afirmou que a Octopus leva essas preocupações a sério e defendeu a fabricação local como forma de ampliar a transparência.

O que está em jogo para o Reino Unido e para a Europa?

A Ming Yang propôs construir no porto de Ardersier, perto de Inverness, na Escócia, o que seria a maior fábrica de turbinas eólicas do Reino Unido. O projeto, estimado em 1,5 bilhão de libras e com potencial para criar cerca de 1.500 empregos, ainda depende de aprovação do governo britânico.

Enquanto isso, governos europeus vêm discutindo limites ao uso de equipamentos chineses em projetos de energia renovável, sob o argumento de segurança e de proteção à indústria local. No ano passado, a Alemanha analisou o uso de turbinas da Ming Yang no parque eólico offshore de Waterkant, mas os investidores acabaram optando pela Siemens Gamesa. O debate, portanto, envolve não só custo e competitividade, mas também segurança estratégica e política industrial.

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