Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (23) aponta que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode aumentar os custos com empregados formais na economia entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano. De acordo com informações do G1, isso representa um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos das empresas.
Quais são os impactos esperados?
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a redução da jornada pode resultar em uma diminuição da produção e aumento do custo unitário do trabalho, o que traria pressão de custos e perda de competitividade para as empresas nacionais.
“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, disse Alban.
Como a mudança afetaria diferentes setores?
A projeção da CNI considera dois cenários para a manutenção do nível de horas trabalhadas: a realização de horas extras pelos empregados atuais ou a contratação de novos trabalhadores. Proporcionalmente, o impacto para o setor industrial pode ser de até 11,1% da folha de salários, resultando em um aumento de despesas de R$ 87,8 bilhões com horas extras e de R$ 58,5 bilhões anuais com novas contratações. Entre os setores mais afetados estão a indústria da transformação, construção, comércio e agropecuária.
Qual é o impacto nas micro e pequenas empresas?
As micro e pequenas empresas, que representam 52% do emprego formal no Brasil, seriam as mais impactadas pela redução da jornada de trabalho. Alban afirmou que essas empresas não dispõem de recursos ou estrutura para ampliar suas equipes, o que pode levar à redução da produção e perda de competitividade.
“A dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas será ainda maior. Como resultado, essas indústrias tendem a reduzir a produção, perder a competitividade e comprometer os postos de trabalho”, afirmou Alban.
Fonte original: G1


