O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou, em 31 de março de 2026, a construção do novo Hospital Bairro Novo, localizado no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. A iniciativa faz parte das celebrações pelos 333 anos da capital paranaense e contará com um aporte total de R$ 100 milhões. O objetivo da nova unidade hospitalar é ampliar o atendimento especializado para os moradores da região sul da cidade e de municípios vizinhos da Região Metropolitana. Para além de Curitiba, a obra reforça a rede do SUS em uma área de forte integração urbana com cidades do entorno, o que pode reduzir a pressão sobre atendimentos de média e alta complexidade na capital e na região metropolitana.
De acordo com informações da Agência Paraná, o projeto prevê a substituição da estrutura do atual Centro Médico Comunitário Doutor Orlando Greca, que funciona desde 1997 com limitações técnicas e físicas. Do montante investido, R$ 98 milhões são provenientes do Tesouro Estadual, via Secretaria da Saúde (Sesa), enquanto R$ 2 milhões são destinados pela Prefeitura de Curitiba como contrapartida.
Qual será a capacidade de atendimento do novo hospital?
A futura estrutura terá aproximadamente 13,6 mil metros quadrados de área construída e operará integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O planejamento indica a criação de 235 leitos de internação, o que representa um aumento de 487% em relação aos 40 leitos atuais da unidade antiga. Além disso, o governador confirmou um investimento adicional de R$ 35 milhões para a aquisição de equipamentos modernos, garantindo o funcionamento pleno do centro cirúrgico e das áreas de diagnóstico.
A distribuição dos leitos incluirá atendimento adulto e pediátrico, com suporte de 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e quatro salas cirúrgicas. Com essa ampliação, a estimativa de produtividade anual da unidade é expressiva:
- 10,7 mil internamentos hospitalares;
- seis mil procedimentos cirúrgicos;
- 27 mil consultas especializadas;
- 9 mil exames de tomografia;
- 13,8 mil exames de raio-X.
Como o hospital impactará a rede de saúde regional?
O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, ressaltou que a unidade funcionará como um hospital geral com diversas especialidades, incluindo ortopedia e pronto-socorro. A localização estratégica no Bairro Novo visa reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para centros hospitalares mais distantes, como Campo Largo ou Campina Grande do Sul, desafogando as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) locais que operam atualmente sob alta demanda. Na prática, a medida se insere na política de regionalização da assistência, modelo adotado no SUS para distribuir serviços por territórios e evitar deslocamentos longos de pacientes em busca de atendimento especializado.
Esse é um projeto que começamos lá atrás, de descentralizar a saúde do Paraná, tudo isso para que as pessoas que precisam de uma cirurgia eletiva não tenham que ir longe. A ideia é que possamos continuar ampliando o atendimento em Curitiba, que atende muita gente da Região Metropolitana.
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, destacou que a parceria entre o estado e o município resultou no maior volume de recursos a fundo perdido da história da capital. Ele mencionou que, além do hospital, outros investimentos em infraestrutura e saúde, como as obras na Linha Verde e a UPA de Santa Felicidade, totalizam R$ 500 milhões em intervenções coordenadas.
Quais são as outras obras hospitalares previstas no estado?
O anúncio do Hospital Bairro Novo integra um cronograma de expansão da rede pública estadual que inclui o lançamento de nove hospitais em diferentes regiões em 2026. Municípios como Matinhos, Foz do Iguaçu, Cascavel, Colombo e São José dos Pinhais já possuem obras em andamento ou ordens de serviço assinadas. O Governo do Estado também tem destinado repasses para santas casas e hospitais filantrópicos para modernização de alas de urgência e emergência.
As obras do Hospital Municipal de São Mateus do Sul já estão em fase de conclusão, com previsão de entrega para o primeiro semestre. Paralelamente, os hospitais de Cianorte, Colombo e São José dos Pinhais seguem ritmos de execução que variam entre 32% e 65%. Esses investimentos buscam consolidar a regionalização dos serviços de saúde no Paraná, priorizando o atendimento de média e alta complexidade próximo às residências dos usuários.

