O encerramento da Rádio Eldorado é o ponto de partida de um relato memorialista publicado por Julinho Bittencourt nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026, sobre a presença da emissora nas tardes do bairro do Boqueirão, em Santos, e sobre como sua programação marcou a infância do autor. De acordo com informações da Revista Fórum, o texto relaciona o fim da rádio à lembrança de um período em que o aparelho ocupava o centro da sala e conectava a casa a notícias, músicas e referências culturais.
No artigo, o autor descreve a vinheta da emissora como um som recorrente das tardes quentes em Santos. Segundo o relato, o noticiário incluía informações dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, com patrocínio da Pirelli, enquanto o menino que ele foi aguardava novas canções transmitidas pelo rádio da família.
Como a Rádio Eldorado aparece nas lembranças do autor?
O texto apresenta a rádio como parte da rotina doméstica e afetiva. O aparelho, colocado no meio da sala, irradiava sambas antigos e também nomes que o autor descreve como novidades daquele período, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. Ao redor desse ambiente sonoro, a mãe cantava pela casa, as crianças brincavam e o pai comentava as notícias enquanto dirigia.
Essa memória também inclui um episódio específico: a descoberta de um samba de João Nogueira sobre a morte do pai. No artigo, o cronista afirma que, naquele momento, não imaginava que o tema se refletiria por toda a vida. O texto, assim, mistura a história da emissora com recordações pessoais e familiares.
“Com notícias fornecidas pelos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, a Pirelli informa”.
O que o artigo relata sobre a trajetória da emissora?
O autor recorda ainda uma visita aos estúdios da Eldorado quando já era estudante de jornalismo, acompanhado do amigo Cláudio Zaidan. Segundo o relato, foi a única vez em que ouviu, de dentro do estúdio, a vinheta do noticiário que o acompanhara desde a infância. A experiência é descrita como a entrada em uma lenda já conhecida pela escuta cotidiana.
Na reconstituição feita no texto, a antiga Eldorado AM é apresentada como uma trilha sonora de época. O autor afirma que a emissora em amplitudes médias deixou de existir em 2013, ao lado de outras rádios AM, mas que permaneceu uma continuidade na Rádio Eldorado FM, na frequência 107,3. Ele também menciona a ligação da estação com o grupo que mantém o jornal Estadão.
Por que o fim da Eldorado FM é tratado como o encerramento de um ciclo?
O artigo informa que a Eldorado FM sairá do ar no mês seguinte, após quase 70 anos de história somando as fases AM e FM. A notícia é narrada pelo autor em tom de espanto e melancolia, associado à percepção de que hábitos de escuta mudaram com o avanço das plataformas sob demanda, que passaram a permitir que o público monte a própria programação.
Mesmo assim, o cronista afirma que a emissora seguia com programação musical, programas literários e noticiários ao longo do dia. No texto, a avaliação sobre a rádio é claramente afetiva e opinativa, apontando continuidade de qualidade até seu momento final no dial.
- O texto situa a infância do autor no Boqueirão, em Santos.
- A memória sonora central é a vinheta do noticiário da Rádio Eldorado.
- O relato cita artistas ouvidos na emissora, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e João Nogueira.
- A crônica informa que a Eldorado AM saiu de cena em 2013 e que a Eldorado FM também deixará o ar.
O que o texto sugere sobre o rádio e outros meios?
Na parte final, o autor amplia a reflexão e afirma que o rádio pode estar se tornando um veículo de outros tempos, assim como o jornal impresso e a TV aberta. Ele estende essa ideia também aos meios digitais, ao observar que sites e blogs igualmente poderão envelhecer com o tempo.
A conclusão, porém, é de permanência simbólica. Mesmo diante do encerramento das atividades, a Rádio Eldorado é apresentada como um desses veículos capazes de permanecer como marca de seu tempo. Mais do que registrar o fechamento de uma emissora, o artigo da Revista Fórum transforma esse fato em evocação de memória, escuta e formação cultural.