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Projeto de minério de ferro em Simandou pode mudar mercado global de aço verde

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O início das operações da mina de Simandou, na Guiné, reacendeu o debate sobre o futuro da cadeia global de minério de ferro e da produção de aço de menor emissão de carbono. Em 17 de janeiro, uma carga de 200 mil toneladas de minério chegou ao porto de Majishan, na província de Zhejiang, na China, na primeira entrega do projeto, descrito como o maior depósito inexplorado de minério de ferro de alto teor do mundo. De acordo com informações da Earth.Org, o empreendimento pode ampliar a oferta de matéria-prima de maior pureza, embora ainda existam incertezas sobre seu impacto efetivo na descarbonização do setor.

Localizada nas montanhas do sudeste da Guiné, a mina tem custo estimado em US$ 23 bilhões e é apresentada no texto original como o projeto de mineração mais intensivo em capital do mundo. A China detém cerca de 75% do projeto. Dos quatro blocos em que a mina é dividida, dois pertencem ao grupo chinês Winning Consortium Simandou, enquanto os demais são compartilhados entre a Rio Tinto, a Chalco Iron Ore Holdings e o governo guineano.

Por que Simandou chama tanta atenção no setor de aço?

Um dos principais fatores é o teor de ferro do minério, estimado em 65,3%, nível superior ao de muitas minas concorrentes. Segundo a reportagem, essa maior pureza tende a reduzir custos de processamento e coloca Simandou entre os projetos mais competitivos da mineração de minério de ferro. O material também é apontado como adequado para a produção de aço verde, em um momento em que a indústria global de ferro e aço ainda avança lentamente na redução de emissões.

O texto destaca que o setor responde por algo entre 7% e 9% das emissões globais de CO2 e enfrenta dificuldades conhecidas para se descarbonizar. Nesse contexto, a qualidade do minério de Simandou pode atender à demanda por processos industriais menos poluentes, especialmente em mercados pressionados por regras climáticas mais rígidas.

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Como o projeto se relaciona com a demanda por aço de menor carbono?

A reportagem associa esse movimento, em grande parte, ao Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia, que impõe cobrança relacionada ao carbono embutido em materiais importados pelo bloco. Com isso, fornecedores chineses de aço estariam ampliando a produção de aço verde para atender à demanda europeia. Entre os métodos citados está o Hydrogen-based Direct Reduced Iron, que, segundo o texto, tem potencial para reduzir emissões em mais de 50% na comparação com o aço convencional.

Embora a maior parte do minério de alto teor de Simandou deva ser processada na China, a matéria informa que o projeto também pode atrair interesse de outras siderúrgicas. O ministro de Minas da Guiné, Bouna Sylla, afirmou que o minério premium de Simandou pode ser destinado não só à China, mas também a usinas siderúrgicas da Europa e, possivelmente, do Oriente Médio.

“In Australia, they don’t have the premium. That gives Rio the opportunity to sell both Pilbara 62-grade and Simandou’s premium ore – not just to China, but to European steel mills and maybe the Middle East – for green steel,” Sylla said.

O que a Guiné pretende fazer com sua produção no longo prazo?

De acordo com o plano de longo prazo Simandou 2040, citado na reportagem, o governo da Guiné quer ampliar sua participação na cadeia de valor do aço. A proposta é avançar além da exportação de minério em estado relativamente bruto e desenvolver, ao longo do tempo, capacidade de processamento, refino e eventual produção de aço no próprio país, com foco em aço verde voltado aos mercados europeu e do Oriente Médio.

O texto relaciona essa estratégia a uma tendência mais ampla de nacionalismo de recursos, especialmente na África Ocidental francófona. A lógica é que países africanos historicamente capturam parcela limitada do valor de seus recursos naturais, já que grande parte do processamento industrial ocorre fora do continente. Se o plano avançar, a Guiné poderá gerar empregos, estimular o desenvolvimento econômico interno e reduzir sua dependência de importações de aço.

  • Primeira carga chegou à China em 17 de janeiro
  • Projeto tem custo estimado em US$ 23 bilhões
  • Teor de ferro do minério é de 65,3%
  • Plano Simandou 2040 prevê agregar mais etapas da cadeia produtiva na Guiné

Quais obstáculos podem limitar esse impacto?

A própria reportagem pondera que ainda é cedo para tratar Simandou como um ponto de virada definitivo para o aço de baixo carbono. Um dos riscos apontados é a possibilidade de a produção de aço verde se mostrar inviável na Guiné até 2040. Nesse cenário, o governo poderia optar pela produção convencional, caso o país avance lentamente na criação de uma cadeia de hidrogênio ou não cumpra seus planos de eletrificação, que incluem adicionar mais de 8 GW de hidrelétricas até 2040 e melhorar a confiabilidade da rede elétrica.

Outro desafio é o crescimento da demanda global por aço, projetado em 0,7% ao ano até 2030, segundo o texto. Como parte desse aumento vem de países com metas menos rigorosas para aço verde do que as da Europa, produtores convencionais teriam poucos incentivos para acelerar a descarbonização. Assim, o projeto pode representar uma oportunidade para uma cadeia mais limpa e diversificada, mas seu resultado final dependerá da evolução da infraestrutura elétrica, do hidrogênio e das políticas de limitação ao aço convencional.

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