A Vale informou nesta quinta-feira, 16, que sua produção de minério de ferro somou 69,675 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado consta no Relatório de Produção e Vendas da companhia e foi acompanhado por aumento nas vendas totais de minério de ferro, que atingiram 68,713 milhões de toneladas. De acordo com informações do Valor Empresas, o avanço foi sustentado principalmente pelo desempenho do Sistema Sudeste e pelo recorde do S11D, em Carajás.
As vendas de pelotas totalizaram 8,169 milhões de toneladas, alta de 13,7%, enquanto as vendas de finos de minério de ferro cresceram 4,7%, para 59,436 milhões de toneladas. Já as vendas de run-of-mine, o minério bruto, recuaram 16,3%, para 1,578 milhão de toneladas. Segundo a mineradora, o crescimento das vendas ficou em linha com a alta da produção.
O que explicou o avanço da produção da Vale no trimestre?
O crescimento da produção foi puxado pelo Sistema Sudeste, que produziu 19,2 milhões de toneladas no trimestre, 3,1 milhões de toneladas a mais do que no mesmo intervalo de 2025. A empresa atribuiu esse desempenho ao avanço do projeto Capanema, ao desempenho de Brucutu e à redução do tempo de parada para manutenção no Complexo Itabira.
“O aumento ocorreu devido ao contínuo ramp-up [avanço de produção] do projeto Capanema, que deve atingir capacidade total no segundo trimestre; ao forte desempenho de Brucutu, alcançando a maior produção de primeiro trimestre desde 2018, após o aumento da produção da quarta e quinta linhas de processamento, e à redução do tempo de parada para manutenção no Complexo Itabira”, disse a Vale no relatório.
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No Sistema Norte, a produção foi de 33,2 milhões de toneladas entre janeiro e março, 1,2 milhão de toneladas abaixo do registrado um ano antes. De acordo com a companhia, a queda refletiu a menor disponibilidade de run-of-mine em Serra Norte, parcialmente compensada pela otimização do portfólio de produtos dentro do plano de lavra.
Qual foi o destaque operacional em Carajás?
O S11D, em Carajás, registrou novo recorde de produção para um primeiro trimestre, com 19,9 milhões de toneladas. A Vale afirmou que o desempenho foi impulsionado por iniciativas de confiabilidade dos ativos e pelo maior uso de equipamentos móveis.
Nas pelotas, a alta foi atribuída à maior produção nas plantas de pelotização de Tubarão, em razão da maior disponibilidade de pellet feed proveniente de Itabira. Esse movimento ajudou a sustentar o aumento das vendas do produto no período.
O que aconteceu com as operações da Vale em Omã?
A companhia informou que, em meados de março, a produção nas plantas de pelotização de Omã foi interrompida para manutenção anual programada. Ao mesmo tempo, as atividades de construção na planta de concentração de Sohar também foram suspensas.
“Em função dos desdobramentos relacionados aos conflitos no Oriente Médio, incluindo restrições logísticas, espera-se que as plantas de Omã retomem suas operações no final do terceiro trimestre”, disse a mineradora.
“Durante esse período, o pellet feed originalmente destinado a Omã será redirecionado para as plantas de pelotização de Tubarão e para vendas de finos, mantendo inalterado o guidance de produção de aglomerados para 2026, em 30–34 milhões de toneladas”, informou a companhia.
Com esse redirecionamento, a empresa afirmou que a projeção de produção de aglomerados para 2026 permanece inalterada. A faixa estimada segue entre 30 milhões e 34 milhões de toneladas.
Como ficaram preços, níquel e cobre no trimestre?
O preço médio realizado nos finos de minério de ferro foi de US$ 95,8 por tonelada, alta de 5,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. No caso das pelotas, o preço médio ficou em US$ 133,8 por tonelada, queda de 5%. Já o prêmio all-in, ajustado pelo índice de preço 61%Fe, totalizou US$ 6,2 por tonelada, aumento de US$ 2,6 frente ao quarto trimestre de 2025.
Na divisão de metais básicos, a produção de níquel chegou a 49,3 mil toneladas, avanço de 12,3%, enquanto a de cobre alcançou 102,3 mil toneladas, alta de 12,5%. As vendas de níquel somaram 44,8 mil toneladas, com crescimento de 15,2%, e as de cobre atingiram 91,2 mil toneladas, elevação de 11,4%.
- Produção de níquel: 49,3 mil toneladas
- Produção de cobre: 102,3 mil toneladas
- Vendas de níquel: 44,8 mil toneladas
- Vendas de cobre: 91,2 mil toneladas
O preço médio realizado na venda de cobre foi de US$ 13.143 por tonelada, alta de 47,8% na comparação anual. No níquel, o preço médio foi de US$ 17.015 por tonelada, avanço de 5,6%.
O que a Vale decidiu sobre as concessões ferroviárias?
Também nesta quinta-feira, o conselho de administração da Vale aprovou a continuidade das negociações conduzidas pelo comitê executivo para otimizar os contratos de concessão da Estrada de Ferro Carajás e da Estrada de Ferro Vitória a Minas. As tratativas envolvem o Ministério dos Transportes, a ANTT e a estatal Infra.
Em comunicado ao mercado, a mineradora afirmou que a conclusão da otimização dos contratos, caso seja aprovada pelo TCU, poderá trazer maior previsibilidade, segurança jurídica e definitividade às obrigações e aos investimentos associados às duas concessões. A empresa acrescentou que permanece adimplente e que seguirá cumprindo integralmente os contratos em vigor.