O projeto Smart City Canaã dos Carajás, desenvolvido pelos pesquisadores Renato Francês e João Weyl, do Laboratório de Inteligência Artificial aplicada a Cidades Inteligentes (LabCity), conquistou a 13ª edição do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE). A iniciativa, vinculada ao Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá — o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na Amazônia —, venceu na categoria Gestão Inovadora em cerimônia recente realizada em Belém, capital paraense. O trabalho foca na utilização de inteligência artificial para diversificar a economia e otimizar serviços públicos no sudeste do Pará, servindo como modelo de transição tecnológica para outros municípios brasileiros historicamente dependentes da extração mineral.
De acordo com informações da Agência Pará, a premiação reconhece o esforço conjunto para implementar tecnologias de vanguarda na gestão municipal. O projeto está em atividade desde o início de 2020 e fundamenta-se em uma infraestrutura tecnológica que integra a Internet das Coisas (IoT), computação de alto desempenho e algoritmos avançados de Inteligência Artificial (IA) para tornar o cotidiano urbano mais eficiente.
O projeto tem uma importância de impacto direto na gestão pública, mas também na possibilidade de transbordar isso para a inovação e o empreendedorismo, para que a cidade possa ser um polo atrativo de iniciativas criativas que transformem Canaã no Porto Digital da Amazônia.
Como funciona o projeto Smart City Canaã dos Carajás?
A iniciativa utiliza uma plataforma digital robusta para monitorar e gerenciar diversos aspectos da vida urbana. Por meio de sensores e coleta de dados em tempo real, a prefeitura consegue obter diagnósticos precisos sobre as necessidades da população. Esse ecossistema tecnológico permite que o município de Canaã dos Carajás atue de forma preditiva, antecipando problemas de infraestrutura e melhorando a alocação de recursos públicos.
As aplicações desenvolvidas no âmbito do projeto são variadas e atendem a diferentes frentes da administração pública, incluindo as seguintes áreas prioritárias:
- Ouvidoria digital por meio do aplicativo Conecta Canaã;
- Controle rigoroso de acesso e segurança no transporte escolar;
- Monitoramento de buracos em vias públicas e descarte irregular de lixo por câmeras em viaturas;
- Levantamento de evidências para identificação precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Quais são os principais avanços na saúde e educação?
Um dos diferenciais do projeto é o uso da análise de sentimentos para auxiliar especialistas na detecção de casos de TEA em crianças nos anos iniciais do ensino fundamental. A ferramenta analisa o comportamento e as reações dos alunos, fornecendo dados que servem como base para diagnósticos mais rápidos e precisos. Na educação, o sistema de transporte escolar também recebeu melhorias, com tecnologias que garantem o controle efetivo sobre quem utiliza os veículos oficiais.
Além das questões sociais, a zeladoria urbana é otimizada pelo uso de visão computacional. Câmeras instaladas em veículos da prefeitura identificam automaticamente falhas no pavimento asfáltico e o acúmulo de resíduos em locais proibidos, gerando alertas imediatos para as equipes de manutenção. Esse processo reduz o tempo de resposta do poder público e ajuda no cumprimento do código de posturas do município.
Como o projeto estimula a economia e o empreendedorismo?
O Smart City Canaã dos Carajás também prevê a consolidação de um ecossistema de inovação local. O objetivo é criar um “berçário de startups”, incentivando jovens e empreendedores a utilizarem as bases tecnológicas do projeto para criar novos negócios. Essa estratégia é apoiada pelo Fundo Municipal de Desenvolvimento Sustentável de Canaã, que financia ideias inovadoras que contribuam para a melhoria da cidade.
A viabilização dessa estrutura só foi possível graças a um convênio firmado entre a prefeitura local, a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp). O projeto contou ainda com a colaboração de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), reforçando o caráter acadêmico e científico da iniciativa que agora recebe a chancela do Sebrae como um modelo de gestão tecnológica replicável para outras regiões do país.



