
Os preços médios do etanol combustível iniciaram a safra 2025/26 em patamares superiores aos registrados no mesmo período da temporada anterior no mercado brasileiro. De acordo com informações do Canal Rural, o levantamento divulgado na primeira semana de abril de 2026 pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, revela uma valorização nas cotações, embora o volume físico comercializado tenha apresentado uma trajetória de queda no intervalo analisado.
Este movimento de preços ocorre em um momento de transição e início de moagem em diversas unidades produtoras do Centro-Sul, principal região sucroenergética do país, que responde por cerca de 90% da produção nacional. O monitoramento feito pelo Cepea é um dos principais balizadores para as negociações entre usinas e distribuidoras, refletindo as condições de oferta e a demanda interna pelo biocombustível. A sustentação dos valores nas usinas impacta diretamente a cadeia de suprimentos e, consequentemente, a paridade de preços nos postos de combustíveis.
Como se comportaram os preços do etanol na nova safra?
Os dados indicam que tanto o etanol hidratado, utilizado diretamente pelos consumidores finais, quanto o etanol anidro, que é misturado à gasolina (atualmente na proporção legal de 27% no Brasil), apresentaram médias de preços nominais acima das observadas no início do ciclo 2024/25. Especialistas apontam que a entressafra e o ritmo de entrada da nova produção influenciaram a manutenção desses níveis elevados. O mercado paulista, que serve como referência nacional, demonstrou resiliência nas cotações mesmo com a proximidade do aumento da oferta sazonal.
A valorização do produto nas usinas é acompanhada de perto por agentes do setor, uma vez que o preço do biocombustível precisa manter uma relação de competitividade com a gasolina para atrair o consumidor. Historicamente, o etanol é considerado vantajoso quando seu preço representa até 70% do valor do derivado de petróleo, embora a eficiência dos motores modernos tenha flexibilizado esse patamar para cerca de 73% em algumas regiões.
Por que houve queda no volume comercializado?
Apesar da alta nos preços, a quantidade de etanol negociada registrou uma retração. Esse fenômeno pode ser explicado por uma postura mais cautelosa dos compradores, que buscam gerenciar seus estoques de forma mais estratégica, aguardando janelas de oportunidade ou maior clareza sobre o volume total da safra 2025/26. Por outro lado, as usinas podem estar priorizando o armazenamento ou o mix de produção voltado ao açúcar, dependendo da rentabilidade comparativa no mercado internacional naquele momento.
Os principais fatores que influenciaram o volume de negócios incluem:
- Menor liquidez no mercado spot nas semanas de transição de safra;
- Foco das unidades produtoras no cumprimento de contratos de longo prazo;
- Ajustes logísticos para o escoamento da produção inicial;
- Expectativas quanto à produtividade dos canaviais após períodos de variação climática.
Qual é o papel do Cepea no mercado de combustíveis?
O Cepea desempenha uma função técnica fundamental ao fornecer índices semanais que servem de base para a formação de preços no setor sucroenergético. Por meio de uma metodologia rigorosa que analisa negócios reais entre produtores e compradores, a instituição garante transparência ao mercado. Na safra 2025/26, o acompanhamento desses índices será crucial para entender como a oferta de biocombustíveis se comportará diante de um cenário econômico de volatilidade nos preços internacionais do petróleo.
Além dos preços, o levantamento de volume ajuda a identificar gargalos na demanda. Quando o volume comercializado cai enquanto os preços sobem, há um indicativo de que o mercado está operando com baixa oferta imediata ou que os preços atingiram um teto de resistência por parte das distribuidoras. O equilíbrio entre essas variáveis definirá a saúde financeira das usinas ao longo de todo o ciclo produtivo que se inicia.
O setor agora volta as atenções para a produtividade agrícola e o teor de Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que mede a qualidade e a capacidade de rendimento da cana que chega às indústrias. Caso as condições climáticas favoreçam a colheita, espera-se que a oferta de etanol aumente progressivamente, o que poderá trazer novos ajustes aos preços médios nas próximas semanas, equilibrando a relação entre oferta, demanda e volume negociado.