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Petróleo cai após post de Trump; mercado registra apostas prévias

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Operadores do mercado financeiro negociaram milhões de dólares em contratos ligados ao petróleo poucos minutos antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicar, na segunda-feira, 24 de março de 2026, uma mensagem sobre o Irã que provocou forte queda no preço da commodity. Segundo a reportagem, o movimento ocorreu antes da abertura dos mercados americanos e levantou questionamentos de analistas sobre a possibilidade de investidores terem agido com conhecimento prévio do anúncio. De acordo com informações do G1 Economia, com base em dados analisados pela BBC, o preço do petróleo desabou 14% em minutos após a publicação.

A movimentação é acompanhada com atenção no Brasil porque o Brent, referência internacional, influencia o mercado de combustíveis e as ações de petroleiras como a Petrobras. Oscilações bruscas na commodity também costumam repercutir no câmbio, na inflação e nos custos de transporte.

Às 8h04, no horário de Brasília, Trump escreveu na rede Truth Social que Washington havia tido “conversas muito boas e produtivas” com Teerã sobre uma “resolução completa e total” das hostilidades. A reação foi imediata: bolsas passaram a subir e o petróleo caiu, chegando a US$ 84 por barril. Antes disso, os mercados vinham reagindo à escalada de tensão no Oriente Médio e à possibilidade de ataques à infraestrutura de energia iraniana.

O que os dados de mercado mostraram antes da postagem?

Os registros analisados pela BBC indicam um aumento expressivo nas negociações cerca de 15 minutos antes da mensagem de Trump. Às 7h49, investidores fizeram 733 apostas em contratos de petróleo WTI na bolsa New York Mercantile Exchange, a Nymex. Um minuto depois, esse total subiu para 2.007 contratos, em um volume equivalente a US$ 170 milhões.

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No mercado de Brent, referência internacional do petróleo, o padrão foi semelhante. Em poucos minutos, o total de contratos comprados saltou de 20 para 1,6 mil, em operações equivalentes a US$ 150 milhões. Dados de outras segundas-feiras, segundo a reportagem, indicam que esse nível de atividade nesse horário não é comum.

  • WTI: salto de 733 para 2.007 contratos
  • Brent: avanço de 20 para 1,6 mil contratos
  • Horário-chave: cerca de 15 minutos antes da postagem
  • Reação posterior: queda de 14% no preço do petróleo

Por que essas operações levantaram suspeitas no mercado?

Analistas ouvidos pela BBC afirmaram que o comportamento foi atípico. Mukesh Sahdev, principal analista de petróleo da XAnalysts, disse que o volume chamou atenção porque, naquele momento, não havia sinais públicos de negociações sérias entre Estados Unidos e Irã que justificassem apostas tão grandes em queda do petróleo.

“Isso parece incomum, com certeza”, disse Mukesh Sahdev, principal analista de petróleo da XAnalysts.

“Naquele momento, não havia sinais de que nenhuma conversa séria estaria acontecendo entre EUA e Irã. Então apostar tanto dinheiro que o petróleo cairia é algo que desperta perguntas.”

Rachel Winter, parceira da gestora Killik & Co, também afirmou que houve especulação sobre possível uso de informação privilegiada, embora tenha destacado que isso não está comprovado. A reportagem informa ainda que a Casa Branca foi procurada. Um porta-voz disse ao Financial Times que o governo não tolera que autoridades lucrem ilegalmente com informação privilegiada.

“Um pouco antes da postagem na mídia social, muitas pessoas compraram contratos que os permitiriam lucrar com a queda do preço do petróleo”, disse Rachel Winter, parceira da empresa de gestão de patrimônio Killik & Co.

“Então está havendo alguma especulação sobre informação privilegiada. Não sabemos se isso é verdade, mas esperamos que haja alguma investigação sobre isso.”

Como o conflito e as falas de Trump afetaram os preços?

No sábado, 21 de março, Trump havia ameaçado “aniquilar” as usinas de energia do Irã caso o país não abrisse em 48 horas o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás do mundo. A ameaça pressionou os mercados asiáticos na abertura de segunda-feira e ajudou a elevar o preço do petróleo antes da reversão provocada pela nova postagem.

O Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é um dos principais corredores energéticos do planeta. Por isso, qualquer tensão na região costuma afetar rapidamente o preço internacional do barril, com reflexos também para importadores e exportadores, incluindo o Brasil.

O cenário internacional já vinha sendo marcado por forte volatilidade. Segundo a reportagem, os mercados financeiros sofrem oscilações com a guerra no Oriente Médio, em meio à alta dos custos de produção e transporte. Ao mesmo tempo, qualquer sinal de possível trégua tem provocado queda no petróleo e alta nas bolsas.

Qual foi a reação do Irã e quais órgãos foram procurados?

No fim do dia de segunda-feira, o governo iraniano negou a existência de negociações e classificou a informação como “fake news”. A negativa contribuiu para novo movimento nos mercados asiáticos na terça-feira. Em postagem no X, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que se tratava de notícia falsa usada para manipular os mercados financeiros e de petróleo.

A BBC também informou ter procurado a Commodity Futures Trading Commission, reguladora do mercado futuro nos Estados Unidos, e a Financial Conduct Authority, do Reino Unido, mas ainda aguardava resposta.

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