Petrobras avalia possíveis projetos em parceria com a estatal mexicana Pemex após uma reunião realizada nesta sexta-feira (24), no México, entre a presidente da companhia brasileira, Magda Chambriard, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e representantes da petroleira do país. Segundo a empresa, o encontro tratou de possibilidades de colaboração em iniciativas de interesse mútuo. De acordo com informações do Valor Empresas, Chambriard cumpre agendas no México desde quarta-feira (22).
A reunião ocorre em meio à defesa pública, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de uma aproximação entre Petrobras e Pemex para a produção de petróleo em águas profundas. Em março, Lula já havia anunciado a visita de Chambriard a Sheinbaum neste mês. Nesta semana, durante evento na Alemanha, o presidente voltou a dizer que negocia um acordo com o governo mexicano para exploração de petróleo em águas profundas no Golfo do México.
O que foi discutido entre Petrobras e Pemex?
Segundo nota citada pela Petrobras, os executivos discutiram possibilidades de colaboração entre as duas empresas em projetos considerados de interesse mútuo. O texto original não detalha quais seriam esses projetos, nem informa prazos, valores ou etapas formais de negociação.
O encontro reforça um movimento político e empresarial de aproximação entre Brasil e México no setor de petróleo. Até o momento, porém, o conteúdo divulgado aponta para uma avaliação de oportunidades, sem anúncio de acordo fechado.
Qual é o papel de Lula nessa aproximação?
Lula vem defendendo, em agendas públicas, a cooperação entre Petrobras e Pemex, especialmente na produção de petróleo em águas profundas. O presidente já havia mencionado a visita de Magda Chambriard à presidente mexicana e, mais recentemente, afirmou na Alemanha que negocia um entendimento com o governo do México para explorar petróleo em águas profundas no Golfo do México.
Essas declarações colocam a agenda energética como um ponto relevante na relação bilateral. Ainda assim, o texto não informa se há memorando assinado, cronograma definido ou modelo de parceria já estabelecido entre as partes.
Como a Braskem se conecta a essa agenda no México?
Outra ligação da Petrobras com o mercado mexicano ocorre por meio da Braskem, empresa na qual a estatal brasileira detém participação de 36,1% do capital total e 47% do capital votante. Apesar disso, a Petrobras não citou a petroquímica entre os temas debatidos nas agendas realizadas no México.
A Braskem mantém no país a joint venture Braskem Idesa, que enfrenta dificuldades financeiras. Segundo o texto original, a companhia estaria estruturando um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo mecanismo conhecido como Chapter 11, conforme notícias já veiculadas na mídia.
- A Braskem tem 75% do controle da Braskem Idesa.
- Os outros 25% pertencem ao grupo Carso, do empresário mexicano Carlos Slim.
- A operação da subsidiária mexicana começou em 2016.
- A empresa não atingiu plena capacidade de produção devido à escassez de matéria-prima fornecida pela Pemex.
Por que a operação da Braskem Idesa enfrenta dificuldades?
De acordo com o material publicado, a Braskem Idesa nunca alcançou sua capacidade total de produção por causa da falta de matéria-prima, cujo fornecimento depende da estatal mexicana Pemex. Esse contexto ajuda a explicar a relevância do mercado mexicano para empresas brasileiras do setor de energia e petroquímica.
Embora a Braskem não tenha sido mencionada pela Petrobras como tema formal das conversas no México, a existência dessa operação e seus entraves compõem o pano de fundo das relações empresariais entre os dois países. No momento, o foco informado pela Petrobras permanece na análise de possíveis projetos conjuntos com a Pemex.