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Peter Magyar desafia Viktor Orbán em eleição decisiva na Hungria

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Peter Magyar, ex-aliado de Viktor Orbán, tornou-se o principal rival do primeiro-ministro nas eleições legislativas realizadas neste domingo, 12, na Hungria, em uma disputa que pode encerrar a longa hegemonia do líder nacionalista. O país, com pouco menos de 10 milhões de habitantes, vai às urnas enquanto Orbán busca um quinto mandato. Segundo o texto original, pesquisas independentes indicam vantagem de Magyar, algo inédito desde que o premiê chegou ao poder em 2010.

De acordo com informações da CartaCapital, com base em reportagem da AFP, Magyar ganhou projeção nacional em 2024 e passou a reunir apoio ao prometer desmontar, “tijolo por tijolo”, o sistema político construído por Orbán. Aos 45 anos, ele tem se apresentado como um conservador disposto a combater a corrupção e melhorar os serviços públicos.

Quem é Peter Magyar e como ele surgiu como rival de Orbán?

Há alguns anos, Magyar ainda integrava o círculo político ligado ao governo húngaro. Nascido em uma família conservadora influente, aproximou-se cedo da política e manteve vínculos com nomes centrais do poder em Budapeste. Durante a trajetória profissional, atuou como diplomata junto à União Europeia, chefiou o órgão estatal de empréstimos para a educação e participou da direção de outras entidades públicas.

Sua ligação com o núcleo do poder também se dava no plano pessoal. Magyar foi casado com Judit Varga, que ocupou o cargo de ministra da Justiça no governo Orbán. Os dois, que têm três filhos, se divorciaram em 2023. Antes disso, ele também havia feito amizade, ainda na universidade, com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán.

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Ao comentar sua trajetória, Magyar afirmou à AFP:

“Me chamavam de ‘eterno opositor’ dentro do Fidesz (partido de Orban)”

O que impulsionou o crescimento político de Peter Magyar?

A ascensão do opositor se acelerou no início de 2024, quando um escândalo envolvendo o perdão em um caso de abuso infantil abalou o governo. O episódio provocou a renúncia da presidente Katalin Novak e também a saída de Judit Varga do Ministério da Justiça. Foi nesse contexto que Magyar denunciou a corrupção do governo de Orbán e deixou seus cargos públicos.

Embora naquele momento tenha descartado ambições políticas, sua exposição aumentou rapidamente. A especialista em mídia Veronika Kovesdi, da Universidade ELTE de Budapeste, descreveu o político à AFP como alguém “corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos”. Segundo a análise reproduzida no texto original, suas mensagens nas redes sociais encontraram forte eco entre seguidores que o veem como figura de enfrentamento ao governo.

Magyar assumiu então o controle do partido TISZA, até então pouco conhecido, para disputar a eleição europeia de 2024. O resultado foi um segundo lugar, atrás da coalizão governista, consolidando sua condição de principal nome da oposição húngara.

Quais promessas e posições políticas marcam sua campanha?

Nos últimos dois anos, Magyar percorreu o país quase sem parar, segundo a reportagem, defendendo mudanças estruturais. Sua campanha tem enfatizado o combate à corrupção, a melhoria de serviços públicos e reformas voltadas a desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia destinados à Hungria.

Entre os principais pontos de sua plataforma citados no texto estão:

  • combate à corrupção no governo;
  • melhoria de serviços públicos, como a saúde;
  • reformas para liberar recursos da União Europeia;
  • aproximação mais confiável com a Otan e a UE;
  • postura mais crítica em relação à Rússia.

No campo internacional, Magyar promete tornar a Hungria um parceiro mais confiável da Otan e da União Europeia, em contraste com a proximidade de Orbán com Moscou após a invasão da Ucrânia. Ainda assim, ele mantém algumas posições conservadoras semelhantes às do premiê, como a recusa em enviar armas à Ucrânia e a oposição a uma integração acelerada de Kiev à UE.

Em outras frentes, o candidato tem adotado uma linha dura contra a imigração e promete encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados. Já em relação aos direitos da população LGBTQIA+, sua posição foi descrita no texto como vaga, embora ele defenda a igualdade perante a lei.

Por que esta eleição é vista como um teste inédito para Orbán?

Pela primeira vez desde que chegou ao poder, Orbán não aparece como favorito em uma disputa legislativa, segundo as pesquisas independentes mencionadas na reportagem. Esse cenário transformou Magyar no mais sério desafio ao comando do premiê desde 2010.

O analista Andrzej Sadecki, do Centro de Estudos Orientais, de Varsóvia, afirmou à AFP que a condição de ex-integrante do sistema fortalece o discurso do candidato opositor diante de antigos eleitores do Fidesz. Segundo ele, isso torna mais crível a denúncia de que o sistema estaria deteriorado internamente.

“De certa forma, Magyar é como Orban há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder”

À medida que sua popularidade cresceu, Magyar passou a enfrentar ataques políticos mais intensos. O próprio candidato classificou esse processo como um “tsunami de ódio e mentiras”, ainda segundo a AFP. Ele ridicularizou algumas acusações e negou outras, entre elas as acusações de suposto abuso doméstico contra Judit Varga.

Com esse quadro, a eleição legislativa deste domingo se tornou um marco para a política húngara. Mais do que a disputa entre dois conservadores, o pleito mede se o eleitorado está disposto a manter Orbán no poder por mais um mandato ou apostar em um ex-aliado que promete reorganizar o sistema por dentro.

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