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Pausa nas redes sociais reverte declínio cognitivo e melhora a saúde mental

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Uma pausa curta no uso de smartphones e redes sociais é capaz de reverter os efeitos prejudiciais do declínio cognitivo e melhorar a saúde mental. A conclusão é baseada em pesquisas científicas recentes, que indicam que a redução do tempo de tela recupera a atenção, a memória e o foco dos usuários prejudicados pelo consumo excessivo das plataformas digitais.

De acordo com informações do Olhar Digital, o debate sobre os limites da tecnologia ganha força paralelamente a decisões judiciais nos Estados Unidos. Em um julgamento histórico na Califórnia, uma jovem de 20 anos processou a Meta e o YouTube, relatando ter perdido o controle sobre o uso dos aplicativos durante a adolescência, o que desencadeou quadros severos de ansiedade e depressão.

O júri americano concluiu que as gigantes da tecnologia foram negligentes e determinou o pagamento de uma indenização de R$ 30,5 milhões. Em março, outro processo no Novo México reforçou o movimento judicial contra empresas do Vale do Silício, sob a acusação de desenvolverem produtos programados para gerar dependência, de maneira comparável aos jogos de azar.

Como a redução de tela afeta o cérebro humano?

Um estudo publicado na revista PNAS Nexus monitorou 467 participantes, com idade média de 32 anos. Durante o período de 14 dias, o grupo utilizou um aplicativo para bloquear o acesso à internet em seus celulares, permitindo apenas a realização de chamadas e o envio de mensagens de texto básicas.

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O experimento clínico obteve os seguintes resultados práticos:

  • O tempo médio de uso online caiu de 314 minutos para 161 minutos diários;
  • Houve melhora significativa na atenção sustentada e na percepção geral de bem-estar dos indivíduos;
  • O ganho de atenção equivaleu a reverter dez anos de declínio cognitivo associado naturalmente à idade;
  • A redução dos sintomas de depressão superou os efeitos de medicamentos antidepressivos e se igualou aos resultados da terapia cognitivo-comportamental.

O professor associado de psicologia na Universidade de Georgetown, Kostadin Kushlev, explicou que grande parte das pessoas possui uma relação não saudável com os aparelhos celulares. O pesquisador observou que, mesmo entre os indivíduos que não seguiram as regras do bloqueio de forma integral, os benefícios psicológicos persistiram após as duas semanas de teste.

Você não precisa necessariamente se restringir para sempre. Mesmo um ‘detox digital’ parcial, mesmo por alguns dias, parece funcionar

Quais as diferenças entre o uso de celulares e computadores?

Os levantamentos científicos indicam que a navegação pela internet por meio de dispositivos móveis tende a ser mais automática e compulsiva. Esse padrão interfere diretamente em atividades rotineiras e reduz drasticamente a qualidade das interações sociais e emocionais do indivíduo no mundo real.

Após as condenações nos tribunais, a Meta negou as acusações de negligência e declarou que recorrerá das sentenças, afirmando adotar medidas concretas para proteger o público jovem. A direção do YouTube também anunciou que vai recorrer da decisão judicial, sob o argumento formal de que atua como uma plataforma de streaming responsável, e não como uma rede social tradicional de interações.

Qual é a melhor estratégia para o detox digital?

Especialistas apontam que estratégias simples, como limitar o acesso a aplicativos específicos em determinados dias ou estabelecer limites de horas, representam alternativas possíveis e eficazes. Uma pesquisa da Universidade de Harvard, publicada na JAMA Network Open com cerca de 400 voluntários, comprovou que apenas uma semana de uso reduzido já diminuiu a ansiedade em 16,1%, a depressão em 24,8% e a insônia em 14,5%.

Diante dos impactos documentados na medicina, nações como a Austrália já implementaram restrições de acesso digital para crianças e adolescentes, movimento legislativo que também avança pela Europa. O professor da Harvard Medical School, John Torous, destaca a importância de identificar os grupos sociais mais vulneráveis, como pessoas propensas à comparação de aparência física ou indivíduos que buscam na internet uma compensação para a solidão offline.

Atualmente, uma pesquisa internacional liderada pela Carnegie Mellon University acompanha mais de oito mil participantes em 23 países. O objetivo é restringir o uso de aplicativos de mídia a cinco minutos diários durante duas semanas, investigando se fatores culturais, como o individualismo e a competitividade extrema, intensificam os danos psicológicos da tecnologia. Os resultados globais são aguardados para o início do próximo ano.

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